segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Esquerda radical e islamofascismo: a mesma luta?

O Renato Teixeira do Cinco Dias descobriu um novo espectro que anda pelo mundo - o espectro do islamofascismo. Todos os poderes europeus e norte-americanos lhe dão luta, portanto há que alinhar ao seu lado. Nem mais nem menos.

A motivação principal é o combate ao imperialismo (estado-unidense). Quando o Hamas e o Hezbollah enfrentam Israel, o Irão desafia o mundo com o seu programa nuclear, os talibã se mantêm há  mais de oito anos em guerra intermitente contra a NATO, e a Al-Qaeda rebenta homens-bomba um pouco por todo o lado, do Iraque a Londres, Madrid e Nova Iorque, é certo que há um movimento político global que se opõe às democracias laicas. A natureza desse movimento parece não incomodar por aí além o Renato Teixeira, que presumo ser um marxista e um revolucionário.

E no entanto, desde 1979 que os países de população islâmica se começaram a afastar das simpatias pós-coloniais por um socialismo laico (sempre bastante vago, à moda de Nasser). Com a revolução islâmica no Irão, a sobrevivência alimentada a petróleo do regime mais retrógrado do planeta (a Arábia Saudita), a vitória dos mujahedin no Afeganistão e a quase vitória da FIS na Argélia, e, mais recentemente, a substituição da OLP pelo Hamas na liderança efectiva da Palestina, e avanços islamistas em países tão distintos como a Somália ou a Turquia, o que confrontamos hoje é um movimento islamofascista global, que representa um perigo imenso para os direitos humanos das mulheres, das minorias culturais e sexuais, e para as liberdades.

E este movimento está presente na Europa, como se vê nos incidentes anti-semitas em Malmöe (Suécia), ou pela perseguição continuada a um cartunista anarquista (na Dinamarca). Hoje, na Europa, não são apenas os neonazis racistas que representam um perigo para judeus e homossexuais. São também os fascistas que saem das mesquitas radicais.

Não entender isto, e manifestar simpatia pelos islamofascistas com o argumento de que se opõem ao «imperialismo», é alimentar o mais reaccionário movimento político do planeta.

E, de certo modo, é trágico: os bisnetos de Lenine aliam-se aos czares contra Kerenski. Preferem o fascismo verde à democracia «burguesa». Para que serve esquerda desta?

17 comentários :

nuno disse...

Um excelente texto. Parabéns.

Nuno Pinto da Cruz disse...

http://legeographe.wordpress.com/2010/02/22/um-texto-na-mouche-no-esquerda-republicana/

Tomei a liberdade de o transcrever no meu blogue.

Pat disse...

Sim! (à laia de "cartunes")

Anónimo disse...

Se analisar-mos ao pormenor, maomé e os muçulmanos não se basearam ou baseiam num conjunto exacto de palavras, leis ou de mandamentos, mas sim numa atitude, e essa atitude é a de lixar o outro, nem que o outro seja o mais muçulmano ou o próprio allah

Filipe Castro disse...

Excelente texto! Parabéns!

O conhecido burlão e chantagista Carlos (o Chacal) - cujos três interesses pricipais sempre foram: poder, sexo e dinheiro - converteu-se ao islamismo e agora é apoiante do al-queida.

Anónimo disse...

Iran desafia o mundo??? Tradução Mundo= plutocracia anglo-americana!!
Iran não desafia ninguém... Isto é mentira!!! Taliban luta contra NATO?? XIII!!!! As namoradinhas estão brigadas!!! Nos anos 80.. era só amor!!!


"Al-Qaeda rebenta homens-bomba um pouco por todo o lado, do Iraque a Londres, Madrid e Nova Iorque, é certo que há um movimento político global que se opõe às democracias laicas. "

PROVAS, POR FAVOR!!!!

Anónimo disse...

Ah.. por favor... me explica o namoro dos Heróis da NATO com os sauditas, pakistanis e libios!!!


neonazis?? Israel tá cheio deles!!!
sionismo e nazismo são irmãos gêmeos!!

ah.. existem gangs neonazis em Israel!!!
Ah... sabiam ke havim judeus nazis na era hitleriana??
cito-lhes 2... Alfredo ROSENBERG e Adolfo EICHMANN!!! 2 ashkenazis....

"manifestar simpatia pelos islamofascistas com o argumento de que se opõem ao «imperialismo», é alimentar o mais reaccionário movimento político do planeta."

OOHHH... E os Heróis da NATO.. ke já tiveram affair com Hitler, Mussolini, Pinochet,Somoza,Suharto, Pahlevi, Mobutu...
e hoje tem com Kadafi....

Ricardo Alves disse...

Stefano.

1) Os fascismos europeus já estão derrotados (uns desde 1945, outros desde 1974-75).

2) A guerra fria já acabou. Os EUA e outros foram usados pelo islamismo no Afeganistão.

3) A Arábia Saudita tem petróleo para dar e vender.

Anónimo disse...

"outros desde 1974-75"
ah.. sei... os ke derrubaram o fascismo de 1974 ironicamente tinham lhe servido antes!!!

1975... ah sei... 1 mumia-.. general velho decrepito morreu.... mas asesus comparsas seguem... este pais esta + democratico ke antes?? está... mas de maneira ambigua...

Ricardo Alves disse...

Stefano,
a maior parte dos espanhóis dir-lhe-ão que notam uma grande diferença no seu país da transição democrática para cá. Enorme mesmo.

Anónimo disse...

sim claro...
http://es.wikipedia.org/wiki/Injurias_a_la_corona

Antizion disse...

antisemitismo = tudo que não agradar ao lobby sionista

Anónimo disse...

Já descobriram que:
O gajo mais importante do islão, o allah maometano, andava às ordens e fazia as vontades a maomé e mesmo assim maomé fez-lhe o pior que se pode fazer a alguém, deixou-o sem qualquer espaço ou sinal de vida neste mundo, no outro, arredores e vizinhanças.

Quando algo existe por ínfimo que seja, esse algo é fonte de informação e informação é o conteúdo de mensagens.

maomé disse claramente no corão que não haveria mais mensageiros ou mensagens de allah.

Em verdade no islão, o pobre do coitado do allah nem teve tempo de dizer “ai” tal foi o que maomé lhe fez e o estado em que o deixou.

Se maomé fez isto ao próprio allah, um muçulmano faz o mesmo ou pior a qualquer um nem que seja ao mais maometano.

Renato disse...

Ricardo, li agora o seu texto e devo dizer que entender da serie de post subordinados ao tema da Resistência Islâmica que eu defendo a Al Qaeda é, no mínimo, má fé. Quanto ao resto discordamos acima de tudo na caracterização sobre qual é "o mais reaccionário movimento político do planeta".
Já o paralelo entre os Czares e a resistência islâmica é de quem nem sequer entende que a monarquia e o feudalismo eram eles próprios movimentos imperiais pelo que a unidade a esses sectores contra Kerensky não passa de, como diria o MSP, uma finta argumentativa. Uma má finta, no meu entender. Daquelas que acaba em auto-golo.

PS: um abraço ao Filipe Moura.

Ricardo Alves disse...

Renato,
onde é que eu disse que defende a Al-Qaeda? O que eu disse foi que manifesta simpatia pelos islamofascistas, o que é fundamentado (concorde ou não com o termo «islamofascista») nas suas declarações sobre sobre o Hamas e o Hezbollah.

O que eu acrescento agora, para o esclarecer sobre o que penso e avançar com o debate, é que não há grande diferença ideológica entre o Hamas e a Al-Qaeda. Ambos têm a mesma origem - a Irmandade Muçulmana. Al-Zawahiri, líder operacional da Al-Qaeda, vem da Jihad Islâmica egípcia - que vinha da Irmandade Muçulmana. E Al-Zawahiri esteve envolvido no assassinato de Sadat - sobre o qual o Renato pensa exactamente o quê?

Quanto ao imperialismo: o projecto islamista é, no limite, a restauração do califado. Que é um projecto imperialista. Sobre isso tem algo a dizer?

Apareça mais vezes por aqui.

Renato disse...

Ricardo Alves, diz no seu texto: “Quando o Hamas e o Hezbollah enfrentam Israel, o Irão desafia o mundo com o seu programa nuclear, os talibã se mantêm há mais de oito anos em guerra intermitente contra a NATO, e a Al-Qaeda rebenta homens-bomba um pouco por todo o lado, do Iraque a Londres, Madrid e Nova Iorque, é certo que há um movimento político global que se opõe às democracias laicas. A natureza desse movimento parece não incomodar por aí além o Renato Teixeira, que presumo ser um marxista e um revolucionário.”
Ainda acha que não confunde tudo no mesmo saco como o acusou outro comentador?

Quanto ao assassinato de Sadat julgo ter sido claro ao fazer um tributo ao seu carrasco. É um traidor e um dos principais responsáveis pelo calvário palestiniano.

Ricardo Alves disse...

Renato Teixeira,
repito que ainda não percebi a quem ou a quê exactamente é o seu tributo.

E, quer queira quer não, as diferenças entre Al-Qaeda e Hamas são menores.