quarta-feira, 2 de maio de 2007

Revista de blogues (2/5/2007)

  1. «No seu texto de hoje, Helena Matos defende que não há qualquer problema na ida de Pina Moura para a TVI. A Media Capital é uma empresa privada e convida quem quiser. Mais: os empresários da comunicação social, ao escolherem, cada um deles, a linha editorial dos seus jornais e televisões, garantem a diversidade (...) a diversidade entre empresários de comunicação social, ou seja, entre gente com poder económico para garantir o nascimento e a sobrevivência de empresas de comunicação social, não representa a diversidade da sociedade. Terá razão Helena Matos se aceitar mais poder aos jornalistas e direcção editorial de cada órgão de comunicação social para impedir a instrumentalização dos jornalistas e de jornais e televisões por quem os detém. E se defender leis que limitem a concentração da propriedade da comunicação social. Caso contrário, a democracia, a liberdade de expressão e a diversidade de informação dependerá apenas de quem puder pagar mais. (...) A comunicação social é um bom exemplo de todos os equívocos dos ultra-liberais. Eles acreditam ou fingem acreditar que único poder que manipula e censura é o poder de Estado. Apesar das evidências.» («A diversidade», no Arrastão.)
  2. «Após o desfile da Avenida, na quarta-feira passada, os elementos do grupo de bloggers já aqui aludido anteriormente reflectiam, na Rua António Maria Cardoso, que, se vivessem há mais de 60 anos, seriam provavelmente militantes do Partido Comunista, mesmo que para mais cedo ou mais tarde se demitirem ou serem expulsos. Não havia, de facto, alternativa para desenvolver uma acção política consequente, desmobilizada e desorganizada que estava a oposição democrática, e perante o desânimo da primeira república. Se foi assim na esquerda, pior foi na direita. Durante 48 anos, qual eucalipto, o regime reaccionário que existiu secou tudo à sua volta, não deixando espaço para o desenvolvimento de uma direita crítica e consistente, como a que se desenvolveu em França em torno do General de Gaulle. Essa atitude ajuda a explicar um certo alheamento da direita em relação ao 25 de Abril: de facto, a direita mais representativa no plano político português ou está demasiado presa às pouco recomendáveis referências cívicas do antigo regime, ou é composta por militantes que se identificam mais por reacção do que por afirmação positiva, ou por serem contra o deboche activista da esquerda (e eu debochado me confesso), ou por permanecerem amargurados com as consequências pessoais do PREC ou da descolonização. (...)» («Ainda o 25 (para rematar o ciclo bloggicioso)», no Boina Frígia.)

4 comentários :

tiago disse...

Uma coisa muito positiva nesta estória e que também foi bem esplicado pela Helena é que também fica transparente as relações Prisa\PS.

Normalmente estes agentes passam do PS e PSD para empresas, não pelas suas qualidades mas simplesmente para lobbying junto dos governos.

No futuro qualquer iniciativa governamental visando a Prisa será alvo de um escrutinio mais eficaz.

PS: uma maneira de evitar concentração e tentativas de controlo seria abrir o mercado de sinal aberto á concorrência sem limites nem prima donas.

Ricardo Alves disse...

«uma maneira de evitar concentração e tentativas de controlo seria abrir o mercado de sinal aberto á concorrência sem limites nem prima donas»

O problema principal dessa situação seria arruinar, a prazo, a televisão estatal, e com ela qualquer sombra de serviço público, ou de uma televisão a que pudéssemos exigir um esforço de neutralidade.

tiago disse...

Mas... será que tu e eu não pagamos já o suficiente para o "serviço publico" da RTP?!

PS. Eu prefiro uma tv (e jornais)frontal e assumidamente com uma linha ideologica do que engolir litros de "neutralidade" á portuguesa.

Ricardo Alves disse...

Há coisas muito mais caras do que a RTP...