segunda-feira, 7 de maio de 2012

Depois de hoje, vem o amanhã

Porque tiramos licenciaturas, se estas nada nos dão no imediato? Porque montamos uma empresa, se nos primeiros tempos só vamos enterrar dinheiro? Porque não compramos leite a sair do prazo? Quando fazemos escolha não pensamos só nas implicações no agora, mas nas do futuro também. Certo?
Não. Há quem julgue que as pessoas são tão imbecis que precisam de ver bolor a boiar para evitarem um leite fora do prazo. Há quem julgue que, apesar de todas as sondagens terem indicado a vitória de Hollande, os mercados só hoje é que iam reparar que Hollande ia governar. Só assim se explica que alguns atribuam à vitória de Hollande a queda das bolsas e a subida dos juros. Os investidores acordaram hoje de manhã, e foram surpreendidos por aquilo que já se sabia.
Ou é burrice ou má fé. Bom, e se se diz que os "mercados dispararam" quando na realidade a variação em causa é igual à variação diária habitual, deve ser mesmo má fé.

4 comentários :

João Vasco disse...

Miguel,

Eu concordo com o essencial do teu texto, principalmente porque «se se diz que os "mercados dispararam" quando na realidade a variação em causa é igual à variação diária habitual, deve ser mesmo má fé».

Posto isto, é verdade que os mercados internalizam o previsível, mas o previsível é diferente do certo.
Por exemplo, com apostas negociadas num mercado livre, a vitória de Hollande poderia custaria, na véspera dos resultados, 80% (se tanto) daquilo que passou a valer quando os resultados foram confirmados. Há aqui 30% internalizados (80% em vez dos 50% que existiriam a priori, desconhecendo as sondagens) mas depois os restantes 20% são quase instantâneos e resultam da confirmação absoluta.

E se isto acontece com apostas transaccionadas num mercado livre, também acontece em relação a outras aplicações financeiras que dependem indirectamente deste resultado.

Assim, se a variação tivesse sido significativa - e fica claro pelo que disseste que não foi - seria legítimo propor como hipótese que a vitória de Hollande estaria com ela relacionada.

João Vasco disse...

Note-se que usei os valores 30% e 20% (e 80%) como um exemplo. A ideia é a mesma, mesmo que os valores sejam diferentes.
(Seria uma questão de procurar cotações efectivas de apostas no Hollande - que pena que o «Trocas de Opinião» já não esteja a funcionar)

Anónimo disse...

Tornou-se mais claro para mim qual é o mundo das nuvens em que vivem os "analistas" económicos e das business schools quando hoje ligo a televisão no Económico TV e estão a discutir as eleições para a presidência da Federação Portuguesa de Golfe... No dia em que o Hollande é eleito e a política europeia parece, finalmente, ter possibilidades de passar da cepa torta.

Demo Gra Pia disse...

Isso deu-vos depois do Fonsecas & Burnay ser nacionalizado?
Ou sempre viram enevoado?

Hollande é o sócrates franciu ou na melhor das ih pó teses o obama nacionaliste internacionaliste
que diz que muda tudo e muda nada

A política eurropeia não pode sair da demagogia

porque o único país que tem produzido moeda a rodos (através da emissão de dívida com prejuízo para os aforradores é a alemanha

mais um ou dois anos de política expansionista numa eurropa deficitária e a crédito

onde o único crédito bom até para grego é o alemão

e onde a xenofobia voltou em força
os alemães que paguem a crise

só diz algo aos pobres patetas sem xeta

numa eurropa a pitroil pago em dólares

que se afunda em puliticas jã baskistas

a cepa torta

tem 20% dos velhadas mundiais a viver numa eurropa que representa só uns 8% da população mundial

e 27,7º em Abril em Praga seguidos de 9º em Maio
para os turistas é o menos

para os cereais de pragana é fatal...
comes brioche né....