sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma sugestão aos autonomistas

Na terça feira, enquanto estava encalhado no comboio em Vila Nova de Gaia, fui avançando na leitura do Guerra e Paz. (Na verdade eu li foi durante a viagem. Enquanto o comboio esteve parado em Gaia, fazendo-me perder duas ligações, eu não consegui ler nada, stressado que estava a protestar por mais um suicida ter tido a desconsideração de se atirar à linha de comboio, prejudicando a vida de quem queria ir trabalhar, quando tinha o rio Douro ali mesmo ao lado.) A páginas tantas (530, para ser exato), cheguei à seguinte passagem, que aqui transcrevo:

"A tradição bíblica ensina-nos que a felicidade do primeiro homem antes da queda consistia na ausência de trabalho, isto é, na ociosidade. O gosto da ociosidade manteve-se no homem réprobo, mas a maldição divina continua a pesar sobre ele, não só por ser obrigado a ganhar o pão de cada dia com o suor do seu rosto, mas também porque a sua natureza moral o impede de encontrar satisfação na inactividade. Uma voz secreta diz ao homem que ele é culpado de se abandonar à preguiça. E, no entanto, se o homem pudesse achar um estado em que cumpria um dever, embora inactivo, esse estado viria a encontrar uma das condições da sua felicidade primitiva. Esta condição de ociosidade imposta e não censurável é aquela em que vive toda uma classe social, a dos militares. Em tal ociosidade está e estará o principal atractivo do serviço militar."
Guerra e Paz é uma obra fundamental e Tolstoi é mesmo um génio, pois descobriu o que deveriam os autonomistas fazer: talvez devessem era ir todos para a tropa.