sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os malefícios de ser Lisboa

Entre quinta-feira e domingo da próxima semana, Lisboa estará novamente sitiada e paralisada. É a segunda vez este ano. Entre Papas e Obamas, o total são uns quatro dias de tolerâncias de ponto, diminuição da produtividade e incómodos no trânsito em menos de seis meses.

As medidas de segurança são o disparate do costume: desde câmaras de videovigilância até escutas telefónicas (presumivelmente ilegais), passando pelos já famosos «blindados de guerra» de cinco milhões de euros que afinal vêm é para intimidar os habitantes da Cova da Moura, e terminando na prevenção contra as «armas laser» que penso possam ser utilizadas pelos invasores marcianos que não terão dificuldade em dizimar os navios de guerra estacionados no Tejo.

Num momento de crise, o governo investe dinheiro em armas e dispositivos de segurança, pára alguns centros de decisão da capital, e concede, pela segunda vez no ano da «contenção» e dos «cortes», tolerância de ponto. É a preferência pelo Carnaval e pelo securitarismo contra o trabalho e a poupança.

Não poderiam fazer o raio da cimeira onde incomodasse menos gente, por exemplo no Algarve ou numa qualquer ilha atlântica?