quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Notícias sobre o silêncio (2)

Se o Público consegue dedicar um artigo (on-line, vá lá) a uma reles tuítada do candidato presidencial Cavaco Silva, acho que não é demais dedicar um artigo de blogue à time-line inteira. Então, é assim (como se diz em português moderno): desde que me fiz seguidor das tuítices de Cavaco Silva 2011, experimentei uma sensação primeira de horror, e depois de pânico completo. É que mais parecia que tinha assinado uma linha de auto-ajuda, cheia de mensagens de «pensamento positivo» como «Está ao nosso alcance agarrar o futuro com determinação e generosidade» e «Está ao nosso alcance construir um Portugal mais desenvolvido e mais justo», para não falar de obviedades assustadoras como «Em nenhuma circunstância me deixarei arrastar para uma linguagem imprópria de um candidato a Presidente da República» (importa-se de repetir?), ou, entre as piores de todas, «A minha candidatura é uma candidatura de futuro e de esperança. Temos de olhar em frente». Finalmente, a mensagem que me lançou em desespero completo: «A dignidade de Portugal está primeiro» (haveria de estar em último?).

24 horas depois, continuo a acompanhar o twitter de Cavaco Silva 2011. Todavia, abandonei a esperança de ler ali uma mensagem que tenha a ver com política. Se Nanni Moretti, desesperado, gritava em frente à televisão «diz qualquer coisa de esquerda!», a minha vontade é pedir a Cavaco Silva: «diz qualquer coisa política!». É que a estratégia é simplesmente adormecer-nos com inanidades e obviedades. Num momento em que deveríamos estar a discutir a mudança de rumo político, Cavaco aposta no sono cívico.