sexta-feira, 4 de junho de 2010

Quando dois errados têm que fazer um certo

Manuel Alegre é acusado pela ortodoxia rosa de «se ter disponibilizado» para trabalhar para a «derrocada do PS», e é acusado pela ortodoxia vermelha de «não cumprir a sua missão» de «romper e fragmentar o PS». O que é demais para Tomás Vasques é de menos para Carlos Vidal. São perspectivas incompatíveis.

É evidente que Manuel Alegre cometeu um erro terrível: não ficar quietinho a gozar a sua derrota com (algum) sabor a vitória de 2006, e ter voltado ao terreno, promovendo conferências e editando revistas, animando redes de activistas e estabelecendo pontes com outros sectores políticos. Nunca um candidato presidencial saíra tão fortalecido de uma derrota. E nunca um candidato presidencial deixou tão claro que encarava a derrota como apenas uma batalha perdida numa guerra longa.

Teria sido preferível que se calasse e distanciasse, planando pela Assembleia da República e aguardando um apoio institucional do PS, qual medalha de bom comportamento? Até podia ser preferível. Mas não seria a mesma coisa.

Alegre, em 2010 como em 2006, continua a ser insuportável para os sectários do comunismo e do anti-comunismo. Mas uma vitória em 2011 não será possível sem o apoio, também, destes e daqueles. E é esse o desafio.