terça-feira, 29 de junho de 2010

Jornalistas justiceiros

A capa de hoje do último 24 Horas espelha a visão que muitos jornalistas têm de si próprios, de autênticos heróis de BD servindo o bem contra o mal, acima da lei dos humanos.

Manuela Moura Guedes, que durante anos conduziu um programa de entretenimento televisivo onde o PM era semanalmente injuriado (justa ou injustamente não está aqui em causa), agita-se agora nos tribunais com a única resposta que veio de Sócrates (que nunca colocou a jornalista em tribunal), mostrando pelo caminho que nem percebe porque os cargos políticos mais altos têm direito a imunidade.

O Sol numa brincadeira digna de um miúdo birrento, fintou a Justiça para publicar escutas contra uma providência cautelar. O Público chamou-lhe a "primeira tentativa de censura" desde o 25 de Abril.

Há tempos atrás, quando o Google divulgou o número de intevenções judiciais nos seus conteúdos (e o próprio Google tem o cuidado de dizer que a maioria são legítimos), a imprensa internacional chamou-lhe a lista da censura.

O quarto poder é tão importante para uma democracia como os outros três, mas não nos podemos esquecer que a liberdade de imprensa não é um direito absoluto (aliás, nenhum o é). A democracia precisa de uma imprensa que desempenhe a sua função bem, não de Michael Knights.