quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Subsidio-dependência

Combustíveis fósseis subsidiados em 523 mil milhões de dólares, diz-nos o Diário Económico.

É raro que os liberais com maior acesso aos meios de comunicação social abordem este problema, seja nos EUA (que pagam mais de 80% deste valor), seja noutros países que contribuem para estes valores perfeitamente absurdos. E o escândalo e indignação que estes valores impressionantes mereceriam de um liberal coerente não seriam inconsequentes, pois pessoas de ideologias muito distintas que abarcam grande parte do espectro ideológico sentem igual aversão a estes subsídios. Esta seria uma causa comum, que com publicidade suficiente alcançaria uma fatia muito significativa (certamente maioritária) do eleitorado. Algumas sondagens revelam uma aversão a estes subsídios na ordem dos 70%.

Mas isso nunca acontece. Mais facilmente podemos ouvir críticas quanto aos custos do ITER, que pretende resolver o problema energético de forma sustentável e economicamente viável, e que ao longo do seu programa a 35 anos custará 915 vezes menos que os subsídios à indústria fóssil durante esse período. Porque é que isso acontecerá?

Os interesses dos mais poderosos conseguem efectivamente condicionar o debate público. Sugiro a todos os leitores que se consideram liberais que prestem alguma atenção a este caso escandaloso de subsídio-dependência.  Um mínimo de coerência e informação assim o exigem.

6 comentários :

  1. Se bem considero que o nível atual de consumo de combustíveis fósseis é suicida, acho o seu post um pouco confuso. Semelha como que os EUA subsidiam fortemente os combustíveis fósseis, mas pelo que eu sei isso não é verdade. Com certeza há países que subsidiam gasolina e gasóleo, mas são principalmente os países produtores (sem incluir ai aos EUA) que subsidiam os combustíveis para às suas populações. Coisa não de todo ilógica. Os dados da Agência Internacional da Energia podem-se consultar em:
    http://www.iea.org/subsidy/index.html

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    1. Se Moncho,

      Os EUA são um produtor de petróleo muito importante (ver a notícia do público que referencio), mas - mais do que isso - são o país onde estão sediadas as maiores petrolíferas. Estas petrolíferas pagam milhões em contribuições de campanha para os vários Senadores e membros da Casa dos Representantes (e candidatos à Presidência) e em troca recebem biliões em subsídios.

      Eu já sabia disto quanto ao petróleo (os valores exageradíssimos que o governo dos EUA paga em subsídios), só não conhecia os valores quando se incluíam outros combustíveis fósseis.

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  2. Mas o liberalismo é ou não é a forma encontrada para vender a assimetria de direitos, riqueza e qualidade de vida. Antes era porque deus quis, hoje é em nome da liberdade.

    É só passar pelo insurgente e ver como são sempre muito renitentes em criticar o poder económico e, quando o fazem, é sempre de forma genérica.

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    1. O João Vasco, claramente, não entende a natureza dos subsídios referidos na notícia lincada.
      Trata-se de subsídios que, em muitos países, são concedidos pelos Estados com vista à manutenção de preços artificialmente baixos para os combustíveis. Esses subsídios são usuais nos países do Médio Oriente, na Índia, e em muitos outros. É a esses subsídios que a notícia se refere.
      Devido a esses subsídios, sempre que o preço do petróleo sobe, os orçamentos dos Estados desses países ficam desequilibrados. Além disso, esses subsídios permitem e incentivam um nível irrazoavelmente elevado de consumo de combustíveis.
      E se os liberais não se pronunciam contra eles? Claro que se pronunciam!

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  3. Luís Lavoura:

    a) Sobre a "natureza" dos subsídios que desconheço, vou repetir-me:

    «Os EUA são um produtor de petróleo muito importante (ver a notícia do público que referencio), mas - mais do que isso - são o país onde estão sediadas as maiores petrolíferas. Estas petrolíferas pagam milhões em contribuições de campanha para os vários Senadores e membros da Casa dos Representantes (e candidatos à Presidência) e em troca recebem biliões em subsídios.

    Eu já sabia disto quanto ao petróleo (os valores exageradíssimos que o governo dos EUA paga em subsídios), só não conhecia os valores quando se incluíam outros combustíveis fósseis. »


    b) Claro que os subsídios diminuem o custo do produto, mas isso não torna estes subsídios "especiais" nem altera em nada aquilo que escrevi.
    «esses subsídios permitem e incentivam um nível irrazoavelmente elevado de consumo de combustíveis»
    Exacto. Os EUA não ocupam o pódio das emissões per capita (atrás da Austrália e Canadá, creio) por acaso.
    Era precisamente a isso que me referia.

    c) Os liberais em geral não dão a este assunto a relevância que lhes devia merecer. Estamos a falar de uma dimensão de subsídios perfeitamente avassaladora.

    Mas aqueles que eu disse que raramente se pronunciam não são os liberais em geral. São os «os liberais com maior acesso aos meios de comunicação social». Não foi por acaso que fiz esta distinção, e acho que os leitores deveriam pensar na razão pela qual ela existe.
    Aliás, ela é a razão do meu apelo final, pois acredito que se os liberais dessem a este assunto a importância que merece, poderiam juntamente com os eleitores de esquerda acabar com este escândalo.
    Afinal, 70% do eleitorado deveria valer mais que os interesses particulares de uma indústria que está a causar impactos ambientais tão desastrosos.

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    1. Nem vale a pena responder ao Lavoura ou apontar-lhe as imensas incongruências.
      É outro a quem a realidade é uma cena que näo lhe assiste.

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