quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mitos da crise II - a culpa é dos mediterrânicos que são corruptos, preguiçosos, morenos,...

Alguns mediterrânicos rancorosos, e outros tantos nórdicos orgulhosos da sua superioridade, apontam alguns traços culturais do Sul como causa da crise actual. Seja a corrupção, a preguiça, a fuga fiscal, a indisciplina fiscal, a dolce vita, a falta de profissionalismo, os maus políticos, a ineficiência económica, a má qualidade institucional, as reformas prematuras, os reduzidos horários de trabalho, etc. há teorias para todos os gostos. O facto de os países terem todos rebentado ao mesmo tempo, parece ser uma coincidência sem qualquer significado para os adeptos desta(s) teoria(s). 
Na verdade há muitas variáveis (históricas, sociais, económicas) que estão correlacionadas nos PIIGS, e que torna difícil a distinção entre correlação e causalidade.
E se houvesse um país, em tudo semelhante aos PIIGS, mas que não estivesse preso no Euro? Existe. Existe a Turquia, certamente pior em termos de corrupção, fuga fiscal, e todas esses pecados mediterrânicos, com uma economia altamente dependente da UE (que representa metade do comércio externo), mas fora do Euro. E o que aconteceu à Turquia desde a crise financeira de 2007-2008?
O seu PIB sofreu uma quebra como qualquer outro país, mas a economia recuperou logo. A dívida pública, que em 2007 era mais alta que a espanhola e a irlandesa, está hoje mais baixa do que então.
A saúde económica turca mostra que é difícil arranjar uma explicação para a crise, que não passe por problemas sistémicos do Euro.
Fonte: AMECO (Comissão Europeia)