segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Wikileaks (4): a Arábia Saudita, principal financiadora do terrorismo islamista

Este telegrama veio da Clinton e é de Janeiro de 2010.
  • «While the Kingdom of Saudi Arabia (KSA) takes seriously the threat of terrorism within Saudi Arabia, it has been an ongoing challenge to persuade Saudi officials to treat terrorist financing emanating from Saudi Arabia as a strategic priority. Due in part to intense focus by the USG over the last several years, Saudi Arabia has begun to make important progress on this front and has responded to terrorist financing concerns raised by the United States through proactively investigating and detaining financial facilitators of concern. Still, donors in Saudi Arabia constitute the most significant source of funding to Sunni terrorist groups worldwide. Continued senior-level USG engagement is needed to build on initial efforts and encourage the Saudi government to take more steps to stem the flow of funds from Saudi Arabia-based sources to terrorists and extremists worldwide. (...) Saudi Arabia remains a critical financial support base for al-Qa’ida, the Taliban, LeT, and other terrorist groups, including Hamas, which probably raise millions of dollars annually from Saudi sources, often during Hajj and Ramadan. In contrast to its increasingly aggressive efforts to disrupt al-Qa’ida’s access to funding from Saudi sources, Riyadh has taken only limited action to disrupt fundraising for the UN 1267-listed Taliban and LeT-groups that are also aligned with al-Qa’ida and focused on undermining stability in Afghanistan and Pakistan.» (Wikileaks)
E, já agora, os famosos laços entre o ISI paquistanês e os Talibã.
  • «Pakistan’s intermittent support to terrorist groups and militant organizations threatens to undermine regional security and endanger U.S. national security objectives in Afghanistan and Pakistan. Although Pakistani senior officials have publicly disavowed support for these groups, some officials from the Pakistan’s Inter-Services Intelligence Directorate (ISI) continue to maintain ties with a wide array of extremist organizations, in particular the Taliban, LeT and other extremist organizations. These extremist organizations continue to find refuge in Pakistan and exploit Pakistan’s extensive network of charities, NGOs, and madrassas. This network of social service institutions readily provides extremist organizations with recruits, funding and infrastructure for planning new attacks.» (idem)
Fica tudo confirmado pelo punho da senhora Clinton.

      4 comentários :

      1. Sobre o primeiro trecho, repare-se que o que lá se diz não é que a Arábia Saudita (o seu Estado) financia o terrorismo, o que se diz é que financiadores nesse país o financiam. Financiadores que até podem ser, simplesmente, peregrinos no Hajj (a peregrinação anual a Meca). Ou seja, trata-se de financiamento essencialmente privado, que o Estado da Arábia Saudita não deveria ter nada que impedir. Que diabo, os cidadãos da Arábia Saudita, ou os peregrinos a Meca, devem ter o direito de doar o seu dinheiro às organizações que quiserem, não???

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      2. E no segundo trecho:

        "extremist organizations continue to [...] exploit Pakistan’s extensive network of charities, NGOs, and madrassas"

        Parece-me evidente que o Estado paquistanês não tem culpa nenhuma de que organizações não governamentais, escolas religiosas e organizações de caridade decidam apoiar organizações (que os Estados Unidos consideram) terroristas.

        Penso que as organizações não governamentais, as escolas religiosas e as organizações de caridade devem, num país livre, ser livres de apoiar seja quem fôr, sem serem impedidas pelo Estado.

        Pelos vistos, os EUA não pensam da mesma forma.

        Para os EUA, amplas liberdades é coisa que ainda se tolera nos EUA, mas os países do Terceiro Mundo, o ideal seria que fossem todos ditaduras, nas quais as organizações não governamentais, as escolas religiosas e as organizações de caridade só apoiariam quem o ditador quisesse.

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      3. Luís Lavoura,
        a distinção entre Estado e privados na Arábia Saudita é quase inexistente. Repare que estamos a falar de uma das últimas monarquias absolutas do planeta. Ali não há cidadãos. Só súbditos.

        O dinheiros dos donativos, segundo parece, até pode vir dos frequentadores do palácio, «membros informais» do governo.

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      4. E quanto ao Paquistão:

        «some officials from the Pakistan’s Inter-Services Intelligence Directorate (ISI) ontinue to maintain ties with a wide array of extremist organizations, in particular the Taliban».

        Isto já se «sabia» há muito, mas agora é citável. Sabe-se sem aspas.

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