quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Revista de blogues (9/12/2010)

  • «O país tem essa dívida a saldar para com Cavaco e é justo realçá-lo. Quando foi preciso combater a impunidade, como no caso BPN, Cavaco optou por proteger os seus e onerar o país. Quando foi preciso demonstrar sentido de Estado e ultrapassar ressentimentos, como no funeral de José Saramago, optou pela fuga em férias. Quando foi preciso um presidente sintonizado com a modernidade, como no caso do casamento entre pessoas do mesmo sexo, fez uma comunicação com desculpas ao país beato e atrasado, que ainda é o seu Portugal. Quando for preciso, como agora, um presidente com coragem para não ficar impassível perante os ataques continuados aos de baixo, Cavaco dirá que a crise é responsabilidade de todos. Quando precisarmos, como nos próximos anos, de um presidente com visão política e capaz de contribuir para activar uma democracia em processo de desaceleração, Cavaco esperará que o ilibam do debate público, nem que para isso tenha de cobrar aos portugueses pelo seu silêncio, apresentando-se estranhamente como "não-político".

    Como bom português que sou, também eu estou consciente dessa dívida profunda a Cavaco Silva. A diferença é que estou disposto a saldá-la já em Janeiro, contribuindo para afastá-lo irremediavelmente desse contabilístico jogo do deve e haver a que alguns, ingénuos e irresponsáveis, também chamam "política".» (Miguel Cardina)