quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Outono árabe

A Tunísia terá eleições já no domingo. O Egipto, a partir do final de Novembro. A acreditar nas sondagens, uma vitória islamista parece provável no Egipto (até com um partido salafista ainda pior que o braço político da Irmandade Muçulmana a eleger deputados), enquanto as perspectivas tunisinas são melhores, embora pareça possível que os islamistas do Ennahda sejam o partido mais votado (mas sem maioria, espera-se). No Egipto, ao contrário da Tunísia (marca de uma revolução inacabada...), os membros do antigo partido governamental concorrem às eleições, e especula-se que o pós-eleições poderá trazer uma aliança entre os antigos autocratas pró-Mubarak e a Irmandade Muçulmana. Na Tunísia, a nova Assembleia será constituinte.

Obviamente, a pequena Tunísia, com uma população idêntica à portuguesa, não tem a mesma relevância internacional do que o Egipto, país de 80 milhões de habitantes com fronteiras com Israel, o Mediterrâneo, o mar vermelho e o Sudão.

Significativa é a pressão islamista, infelizmente ignorada nos media europeus (que tantas páginas dedicavam ao islamismo quando havia atentados na Europa) e pouco diferente das tácticas fascistas dos anos 30 (e posteriores). Na Tunísia, já durante a campanha, houve a mediatização da inscrição na universidade de estudantes em véu integral, e os protestos violentos contra a difusão do filme Persépolis, iraniano e considerado blasfemo. No Egipto, houve ataques de rua contra a minoria cristã copta, com 25 mortos. Pior: confirmando a tese da aliança entre os militares ex-apoiantes de Mubarak e os islamistas, ficou claro que as «forças da ordem» terão participado activamente ou, pelo menos, sido coniventes com os ataques sectários.

Em qualquer dos casos, faltam poucas semanas para sabermos como será o pós-ditaduras no Magrebe.