terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ateísmo

Continuo a ver, com um estoicismo que não me é característico, os documentários da Atheist Alliance International Conference 2007. Se havia dúvidas que a religião, ou a falta dela, não fazem a menor diferença no carácter das pessoas, estes encontros são a prova incontestável desta afirmação. Harris é inteligente e relativamente bem informado, e vive cego por um ódio perfeito aos árabes e aos restantes muçulmanos (que ele associa aos árabes de um forma absolutamente infantil). Ayaan Hirsi Ali (do American Enterprise Institute) também. Hitchens declarou que Bush "estava a construir um estado federal no Iraque" e que os 500 mil mortos eram o resultado lógico da barbaridade dos iraquianos e se justificavam pelo objectivo último de estabelecer uma democracia parlamentar naquele país.

Eu acho que os livros deles têm ajudado muito a América e o Reino Unido - li algures que havia menos 10% de cristãos nestes dois países em 2008, do que em 2000 - mas acho que o ódio primário que Harris, Ali e Hitchens exibem em público é um espetáculo pouco edificante. Sobretudo porque, no caso de Hitchens e Harris, é uma manifestação primária de etnocentrismo anglo-saxónico: incapacidade de perceber que as pessoas não são todas iguais, não querem todas as mesmas coisas, nem têm todas os mesmos valores.