domingo, 27 de março de 2011

Tiros pela culatra na política económica - controlo de rendas

A política iniciada no Estado Novo de colocação de um tecto ad aeternum para os aumentos das rendas, é um exemplo clássico de um tiro saído pela culatra. À primeira vista as consequências serão benéficas na opinião de muitos, daria estabilidade aos arrendatários, e em anos de inflação alta baixaria as rendas beneficiando os arrendatários à custa dos proprietários (em teoria com mais riqueza).
As consequências de longo-prazo são desastrosas, ao ponto de a crítica a esta política ser hoje consensual.
1. Deixou de haver interesse em investir em habitação para arrendar por parte dos possíveis proprietários. Isto levou a uma enorme redução do mercado de arrendamento, à dificuldade de arrendar casa criando uma enorme imobilidade da população, ao aumento dos preços de arrendamento, etc.
2. Deixou os que já eram proprietários sem fundos. Os centros de Lisboa e Porto são cidades fantasma, com prédios degradados e/ou abandonados porque os proprietários deixaram de ter possibilidade e interesse em renovar as habitações. Chegou-se a uma situação em que é mais barato deixar cair do que reconstruir.
3. Devido aos dois pontos acima, os centros das cidades esvaziaram-se, criando enormes problemas de ordenamento de território: os transportes públicos não estão onde as pessoas estão, percorre-se dezenas de quilómetros por dia, os equipamentos sociais não estão bem distribuídos, etc.

A Bloomberg tinha há um mês um excelente artigo sobre o caso português.