quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Compromisso à esquerda

Um apelo à estabilidade governativa. Assinar aqui.

crónicas de uma morte anunciada

a blogoesfera continua ao rubro, desta feita deixo apenas os links:

O Jumento: Pior a emenda do que o soneto

Miguel Abrantes | Câmara Corporativa: CC esmiúça a declaração de Cavaco

Luis Grave Rodrigues | Random Precision: Ó Cavaco, pá

Lido na Jugular

Crime talvez não, mas falta de ética, com certeza

Analisemos a comunicação de Cavaco.
  • «(...) declarações de destacadas personalidades do partido do Governo exigindo ao Presidente da República que interrompesse as férias e viesse falar sobre a participação de membros da sua casa civil na elaboração do programa do PSD (o que, de acordo com a informação que me foi prestada, era mentira) (...)»
Versão de Cavaco: os assessores não participaram na elaboração do programa do PSD. Facto: há uma assessora que foi candidata. Também há uma «fonte» de Belém que, creio que sem se deslocar à Avenida de Roma, diz que «posso almoçar com uma ou outra pessoa e isso significa o quê?». Enfim, almoçar não é elaborar. É dar umas ideias. Prossigamos.
  • «(...) não tenho conhecimento de que no tempo dos presidentes que me antecederam no cargo, os membros das respectivas casas civis tenham sido limitados na sua liberdade cívica, incluindo contactos com os partidos a que pertenciam (...)».
Hm. Afinal, era «mentira» ou não?
  • «(...) as interrogações que qualquer cidadão pode fazer sobre como é que aqueles políticos sabiam dos passos dados por membros da Casa Civil da Presidência da República (...)»
Está bem. Os outros sabiam dos «passos dados». Portanto, houve passos. E contactos. Mas não é «participação»: não pagaram as fotocópias nem fizeram as actas.
Vamos à parte substantiva.

  • «(...) onde está o crime de alguém, a título pessoal, se interrogar sobre a razão das declarações políticas de outrem? (...)»
Crime não será, mas é pouco ético lançar suspeições de vigilâncias quando não se tem certezas. Particularmente, quando se pertence à Casa Civil da Presidência e estão em causa as relações entre órgãos de soberania.
  • «(...) Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas. (...)»
Muito bem. O PR não lê os e-mails do Público. Certo.
  • «(...) confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro do staff da casa civil do Presidente, ter sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas (...)»
O problema, como se entende, não são os «sentimentos» de Fernando Lima. O problema é ele ter pegado num dossiê e ir partilhar, não «sentimentos», mas pseudo-«informações». Com um jornalista. E dizendo-se autorizado superiormente. Quanto a isso, não basta «duvidar» da «veracidade» do e-mail. O Presidente tem razões para concluir que o e-mail é falso? Não tem: tê-lo-ia dito peremptoriamente. Fernando Lima agiu à revelia de Cavaco? Não o fez, pois Cavaco tê-lo-ia corrido de Belém - e ele continua lá. Sim, não há crime. Há só uma grave falha ética - o que, para um Presidente, é imperdoável.
  • «(...) o e-mail publicado deixava a dúvida na opinião pública sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora na Presidência da República: ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e da Casa Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse. Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil (...)»
Bom. Então, o Fernando Lima garante que não falou em nome de. Mas Cavaco demitiu-o só pela metade, o que pode significar que: a) não acredita em Lima (mas nesse caso, porquê mantê-lo por perto?); b) acredita em Lima, mas não leva a mal o procedimento.
  • «"será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?” Foi para esclarecer esta questão que hoje ouvi várias entidades com responsabilidades na área da segurança. Fiquei a saber que existem vulnerabilidades e pedi que se estudasse a forma de as reduzir
Esta parte é um pouco estranha. Quer isto dizer que o email revelado estava no computador dele? O Fernandes colocou-o em CC? Não entendo.
Em resumo: não nega a já famosa excursão de Lima à Avenida de Roma; não nega que, confrontado com a pergunta «tem autorização superior?», Lima tenha feito um sorriso sábio; não nega que Lima continua por lá; não nega a existência do dossiê.
A renúncia ao mandato está prevista na Constituição.


mas mais no fundo mais no fundo... está cavaco. enterrado até ao pescoço...

«[...] À TSF, o director do DN, João Marcelino, referiu que a declaração do Presidente da República, «é a peça mais demagógica que alguma vez vi num político de alto nível em Portugal».

«Houve um conjunto de ambiguidades e até desonestidades, [na declaração do Presidente da República]. Cavaco Silva confunde, ou pretende confundir o email que o DN publicou e que ajudou a perceber toda a história, com a segurança dos emails da Presidência», salientou.

«Tudo isto é uma lamentável peça que não contribui para a estabilidade da vida política portuguesa. O Presidente da República não esclareceu nada e voltou a referir-se de forma agressiva ao partido do Governo e, portanto, o que podemos esperar é que a conflitualidade em Portugal permaneça ao mais alto nível», acrescentou. [...]»


[TSF --- 29 Set 09]


«[...] Disse que nunca disse que suspeitava das suspeitas, mas que se pode suspeitar, que qualquer pessoa pode suspeitar, mas que ele nunca o escreveu, mas é grave escutarem, mas ele não disse que alguém escuta, mas chamou peritos, que dizem que pode acontecer, mas ele nunca disse isso, mas o Governo escutou, mas não é ele que diz, disse alguém que não podia ter dito, mas disse, mas pelo menos não foi ele, foi o outro, que ele já arrumou, mas não foi crime o que ele disse, e ainda bem que disse, porque há mesmo escutas, mas ele nunca o escreveu, e também não teve assessores a escrever o programa do PSD, mas podia ter tido porque outros tiveram, mas ele não teve, e como é que se sabia que os assessores dele estavam mesmo a escrever o programa?, deviam estar à escuta, pelo menos é o que diz o outro, mas ele não, nem escreve, os socialistas é que o queriam colar ao PSD, mas ele é particularmente rigoroso nisso, isso já escreveu e escreve, mas que há escutas não, nunca disse, diz o outro, e tem razão, os peritos confirmaram que se pode ler e-mails de outras pessoas, embora ele não o diga… [...]»

[José Costa e Silva | Lóbi do Chá --- 29/09/2009]


«[...] Cavaco, aliás, volta ao ridículo de considerar que as suspeitas de espionagem eram fundadas na acusação de haver membros da sua Casa Civil a colaborar com o PSD - quando é sabido que essa "informação secreta" estava publicada no site da "política de verdade" antes de dirigentes do PS se lhe terem referido. [...]

[A]s suas diligências sobre "segurança" no Palácio só foram feitas hoje: perguntou se a correspondência electrónica podia ser violada. Porque só fez isso hoje e não desde que, pelos vistos há bastante tempo, tem suspeitas? [...]

Se Cavaco nunca mandou fazer nada daquilo que se lê no mail publicado no DN, será que Fernando Lima enganou os jornalistas do Público? Será que um jornalista do Público inventou tudo aquilo? Será que o DN inventou o mail? Esta última hipótese já nem por José Manuel Fernandes é sustentada. [...]

Nunca vi um Presidente constitucional desde jovem democracia descer tão baixo. [...]»


[Porfirio Silva | Machina Speculatrix --- 29.9.09]


«[...] Dizendo, coisa extraordinária, que o sistema informático da Presidência da República não é absolutamente seguro. Coisa que não tentou saber quando surgiram as notícias, mas apenas hoje, antes das suas declarações. Será inseguro, é provável. Todos os que existem no planeta o são. O que não é habitual é o Presidente dizê-lo ao país sem sequer se perceber porquê. Alguem leu os mails do Presidente? Quando? Quais? Quem? De que raio está ele a falar que já toda a gente se perdeu? O mail que foi publicado não era de Belém. Onde raio foi agora ele desencatar esta dúvida?

E as suspeitas que lança, não tendo certezas do que diz, são de uma irresponsabilidade sem nome. [...] [O]u está a tentar manipular opinião pública num assunto de uma enorme gravidade e teremos de concluir que o país colocou em Belém um homem perigoso. [...]»


[Daniel Oliveira | Arrastão --- 29 Set 09]


«[...] Cavaco ignora olimpicamente a notícia do Público sobre as alegadas escutas. Acha é manipulativa a notícia do DN que mostra (o que ele assume implicitamente como verdade) que o seu assessor de comunicação falou com jornalistas sobre suspeitas. Da primeira notícia não reza a comunicação. [...]»

[Carlos Santos | O Valor das Ideias --- 29 de Setembro de 2009]


«[...] o Presidente foge para a frente: atira-se a dirigentes não identificados (coisa mui digna e isenta num Presidente), lança mais suspeitas e insinuações e encoraja o clima de dúvida e confusão. Ou seja, mais poeira e intriga irresponsável. [...]

Esta embrulhada, que partiu da Presidência da República e promete continuar a entreter o país (por acaso, durante outra campanha eleitoral), mostra bem como o sentido de Estado é entendido pela Presidência. A isenção é uma palavra para usar e abusar nas comunicações ao país mas sem grande valor para a prática política quotidiana. [...]»


[José Guilherme Gusmão | Ladrões de Bicicletas --- 29 de Setembro de 2009]


«[...] O ressentimento de quem não esclareceu o essencial, atirou pedras e fugiu, e tornou a cooperação institucional impossível.

Falhou no tempo, na forma e na substância. [...]»


[Carlos Esperança | Ponte Europa --- Setembro 29, 2009]

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

coligação com o BE ao fundo?

«[...] Francisco Louçã prevê que o “grande confronto” do Bloco de Esquerda (BE) com o Governo socialista recém-eleito acontecerá no debate sobre o Orçamento do Estado (OE), considerando que é inviável uma estabilidade governativa, uma vez que “a instabilidade já existe há muito tempo”. [...]»

[PÚBLICO.PT --- 29.09.2009]

Revista de blogues (29/9/2009)

  1. «O PS tem que decidir, atendendo a estes resultados, qual é a sua identidade. Tem que decidir se é um partido de esquerda ou se é um partido de centro liberal. Há razões muito óbvias que levaram os eleitores de esquerda que tradicionalmente votam no PS a não votar neste PS: o autoritarismo, a promiscuidade com os grandes interesses económicos e financeiros, uma agenda social tímida e a erosão dos direitos dos trabalhadores. (...) Se se fizer uma análise aprofundada de onde é que o CDS conseguiu captar muitos votos, pode notar-se que houve uma mutação do seu eleitorado tradicional (rural e religioso) para um eleitorado suburbano bastante afectado pela insegurança. Este é um tema que deve ser discutido sem tabus- principalmente ao nível jurídico. Parece-me ser claro que o ordenamento jurídico-criminal português, quase copiado da Alemanha, já deu provas cabais de não estar adequado à realidade da criminalidade e da justiça em Portugal.» (Ponte Europa)

  2. «O que seria do povo português sem a elite iluminada da classe empresarial! Suspenda-se a Democracia; acabe-se com as eleições, e passemos a pedir a opinião ao senhor Francisco Van Zeller e à corporação a que preside, sobre a melhor forma de governar Portugal.

    Francisco Van Zeller devia parar para pensar sobre qual ou quais as razões que levam a que povo conceda votações tão expressivas a partidos à esquerda do PS. Mas isso talvez seja pedir demasiado a mente tão iluminada.» (Der Terrorist)

coligação com o CDS ao fundo?

«[...] O DCIAP está a realizar buscas em quatro escritórios de advogados. A operação está relacionada com corrupção, tráfico de influências e financiamento ilegal de partidos políticos no âmbito do processo de um concurso público para aquisição de dois submarinos U-214 por parte do Estado português ao Germain Submarine Consortium, segundo apurou a revista Sábado.

A operação do Ministério Público decorre nas sedes da Vieira de Almeida & Associados e na Sérvulo & Associados, Úria Menendez e Link Laters, escritórios que terão intervido no negócio de 875 milhões de euros assinado, em Abril de 2004, pelo então ministro da Defesa Paulo Portas.

Procuram-se contratos e outros documentos que possam desvendar este negócio. Nomeadamente saber onde está o contrato de financiamento associado à compra dos submarinos. [...]»


[Diário de Notícias --- 29-09-09]

As perguntas a que o PR deve responder

O Presidente da República fala à comunicação social hoje às 20 horas. Há algumas perguntas a que eu gostaria que respondesse.
  1. O Presidente da República tem ou não indícios de que foi vigiado pelos serviços de informações? Em caso afirmativo, quais?
  2. O Presidente da República deu ou não ordem a Fernando Lima para ir à Avenida de Roma, de dossiê na mão, falar com um jornalista do Público?
  3. É costume a Presidência da República elaborar dossiês sobre assessores do Governo?
  4. É ou não verdade que Fernando Lima continua ao serviço no Palácio de Belém? Caso seja verdade, esta situação é para manter?
  5. O Presidente considera ou não que tem que ter mais cuidado na escolha dos seus colaboradores?

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

O Dalai Lama não foi recebido pelo PR

  • «A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) considerou que o anúncio da visita do Papa a Portugal feito pela Presidência da República antes das eleições legislativas constituiu "uma politização inadmissível daquilo que é apenas matéria de crença pessoal". (...) "A visita de um papa católico é assunto da Igreja católica e não matéria do Estado português", assinala a AAP.» (Expresso)
O Dalai Lama, que também se reclama Chefe de Estado (que não é nem deve ser, embora haja um povo tibetano e não haja um povo vaticânico), não foi recebido pelo Presidente da República. Cheira-me que Ratzinger o será. Coisas da política realista (ou cínica, se preferirem).

Ideias para receber condignamente Ratzinger, convidado especial das contra-comemorações do centenário da República?

Um governo de esquerda é possível

Ainda é possível um governo de esquerda. Com 97 deputados PS (ou 98, depende da emigração), 16 do BE e... 2 do PEV, chega-se aos 115 (ou 116). É uma hipótese académica, mas seria útil para todos os envolvidos, e até para o PCP, que ficaria meio dentro e meio fora do governo.

A natureza de Louçã



Com os resultados do Bloco de Esquerda, se Francisco Louçã fosse um político responsável nunca o poderíamos ouvir falar em “vitória” ontem. O objectivo de um partido de esquerda responsável seria, retirando a maioria absoluta ao PS, ter mandatos suficientes para conseguir uma maioria em conjunto com este partido. (Para uma coligação ou para um simples acordo parlamentar, depois se veria.) Mas não assim. Excluído que parece estar um acordo com a CDU (a menos que se queira Portugal fora da NATO e da União Europeia), uma maioria de esquerda só me parece possível para propostas “fracturantes” ou em casos pontuais como um imposto sobre as grandes fortunas. A esquerda responsável, por isso, falhou. Mas nada disso parecia importar a Francisco Louçã, que estava mais preocupado com o seu partido do que com a governação do país. Sempre ouvimos falar da “arrogância” de José Sócrates. Após o que ouvimos ontem, será mesmo Sócrates o “arrogante”? A primeira coisa que o líder do Bloco de Esquerda fez, na noite de ontem, foi “exigir” a substituição de Maria de Lurdes Rodrigues sem propor nenhuma contrapartida. Ao ouvi-lo, apeteceu-me que Sócrates descesse ao átrio do Hotel Altis acompanhado da ainda ministra da Educação, anunciando que a manteria no seu cargo se fosse designado primeiro ministro. A verdadeira natureza de Francisco Louçã, escorpião pronto a picar a rã que o poderia ajudar a atravessar o rio, revelou-se aqui. Quem pudesse ter pensado na viabilidade de uma coligação do PS com um partido liderado por este indivíduo terá encontrado aqui a resposta. Enquanto o Bloco não decidir se é um partido de poder ou de protesto, tal não será possível. Mas, para o Bloco ser um partido de poder, terá que ser com outro líder. Neste momento, Francisco Louçã é o maior problema da esquerda portuguesa.

Ingovernabilidade

PS sem maioria absoluta, com um número de deputados inferior a PSD e CDS coligados. PS e BE não formam maioria juntos. A única solução para uma maioria estável seria um acordo do PS com um PSD descredibilizado e em cacos ou com o CDS mais à direita de sempre. O eleitorado do PS não perdoaria qualquer uma destas opções. Eu não perdoaria. Só resta ao PS seguir em frente, tentar avançar com as reformas que quer fazer (e que bem começou enquanto tinha maioria absoluta), motivá-las e justificá-las o melhor que puder perante o país, e esperar pela atitude dos restantes partidos. Não terá força para mais. O futuro será o que tiver que ser.

Bush, ainda e sempre

Este ex-drogado, ex-alcoólico, tornado puritano, lançou em 2005 uma campanha mundial contra Polanski, que acabou por ser preso antes de ontem na Suiça. A hipocrisia dos republicanos - os escândalos sexuais durante os 8 anos de administração Bush não pararam - dá vontade de volitar.

para não falar no prazer sádico, infantil, que eles sentem quando punem os 'outros'.

CDU vence a eleição mais importante

Na eleição mais importante para o que se vai passar em Portugal nos próximos anos(*), a CDU venceu, com 34% dos votos, e formará governo com os liberais FDP (15%). Curiosamente, e à semelhança de Portugal, o Die Linke tem 12% e os Verdes 11%, ou seja, a esquerda à esquerda do PS local anda pelos 20%. O que isto significa para o futuro da Europa deveria ser matéria para reflexão.

(*) Como diria Manuela Ferreira Leite, Portugal é uma província da Alemanha.

O bloqueio que o sectarismo pariu

O movimento eleitoral mais significativo, na comparação entre 2005 e 2009, é o meio milhão de votos que o PS perde. O BE ganha 200 mil votos, o CDS apenas 180 mil. A CDU ganha só 14 mil votos, o PSD uns meros 6 mil. De resto, transitam 55 mil votos para a abstenção, e 60 mil para os partidos extra-parlamentares.

Os resultados nos partidos médios representam uma renovação (ambígua) do sistema partidário: os partidos que efectivamente sobem são o BE, que tem 10 anos de vida, e o CDS, que tem mais que ver com o ex-director d´O Independente do que com Freitas do Amaral. O PSD e a CDU têm os líderes mais idosos e, de certo modo, representam dois portugais que já não voltarão: o de Salazar e o de Cunhal.

As especificidades da divisão de votos pelos círculos levam a que o BE, com apenas 35 mil votos a menos que o CDS, tenha menos cinco deputados. E foram esses 35 mil votos que, na realidade, impossibilitaram uma maioria aritmética PS-BE. (À reflexão dos fanáticos do «voto útil».)

A maioria política será conhecida, o mais tardar, aquando da discussão do orçamento de 2010. Se o PS quiser fazer maioria com um único partido, terá necessariamente que se voltar para a direita. Se se voltar para a esquerda, terá que angariar o apoio de dois-partidos-dois sem cultura de poder (e de cedência).

De qualquer modo, a maioria parlamentar é de esquerda. Teoricamente, chegaria para aprovar os casamentos entre homossexuais ou qualquer coisa desse género, mas duvido que o parlamento dure o tempo suficiente. De resto, tudo ficará na mesma, do código laboral à progressividade do IRS, passando pela escola pública (menos Lurdes Rodrigues, que está a arrumar o gabinete).

O que nos deixa com a constatação habitual: o sistema político-partidário português não está divido entre direita e esquerda, mas entre direita, PS e esquerda «radical». A última está, por acordo tácito mútuo e nunca escrito, excluída do poder. (Tem a ver com o 25 de Novembro, como tentei explicar há uns tempos.) Mas isso significa que a esquerda, como um todo, fica coxa. Ou melhor, a divisão funcional não é, realmente, entre esquerda e direita. E não foi por mais de um milhão de eleitores ter votado à esquerda do PS que deixará de ser assim. E portanto, a política real, as decisões que realmente contam, continuarão a ser negociadas no pseudo-centro que não o é, ali entre o PS e a direita.

Nota a reter: como eu apontei, em campanha houve mais ataques da esquerda «radical» ao PS do que da esquerda «radical» à direita. E mais ataques do PS ao BE do que do PS ao CDS. O resultado está à vista, com uma subida do partido mais poupado às críticas, o CDS. Continuai assim. O bloqueio da esquerda portuguesa está para durar.

domingo, 27 de Setembro de 2009

Final

  1. PS 96 (-24)
  2. PSD 78 (+6)
  3. CDS 21 (+9)
  4. BE 16 (+8)
  5. CDU 15 (+1)
Faltam os quatro da emigração (3 PSD e 1 PS?). Ao contrário do que indicavam as sondagens iniciais, PS+BE não chega aos 116.

Sondagens de boca de urna

Na RTP:
  1. PS 36%-40%
  2. PSD 25%-29%
  3. BE 9%-12%
  4. CDS 8.5%-11.5%
  5. CDU 7%-10%
Na SIC:
  1. PS 36.2%-40.4%
  2. PSD 26.9%-30.7%
  3. BE 9%-11.2%
  4. CDS 7.7%-9.9%
  5. CDU 6.5%-8.7%
Na TVI: (quase o mesmo).

Essencialmente, e se as sondagens se confirmarem, a subida do BE tirou a maioria absoluta ao PS.

As eleições

Venceu o P"S". Pelo menos a segundo a projecção da Univ. Católica. :o)

Fico contente. Nada de entusiasmos, mas isto é MUITO melhor que a Manuela a privatizar e a desregulamentar contra o vento (mais uma aragem do que um vento, mas mesmo assim) da história...

Como dizia Krugman antes de ontem: Keynes - zero tragédias; desregulamentação - montes de depressões, volatilidade, desemprego, poluição, injustiça (os salários dos CEOs aqui subiram até chegarem a 550 vezes os dos trabalhadores - antes de Reagan e Thatcher a relação era de 30:1), etc. Muito mais riqueza gerada, sobretudo se se considerar que a riqueza contabilística (por exemplo, as projecções futuras dos cash-flows das empresas cotadas) é riqueza.

Devemos notar de 40% dos eleitores (PPD + CDS) preferem a desregulamentação e o monetarismo, o Banco Mundial a fazer empréstimos ao Terceiro Mundo que o Terceiro Mundo não pode pagar, uma classe de soldados, outra de trabalhadores, a educação privatizada e só ao alcance dos filhos da classe alta, missas em Fátima, etc.

Os dados estão lançados

Agora, restam os resultados.

sábado, 26 de Setembro de 2009

Islão

Recebi por email um texto sobre as burcas em França que defende a ilegalização das burcas em espaços públicos pelas razões do costume: porque representa a opressão das mulheres, porque representa um projecto político separatista e porque representa um perigo óbvio para a sociedade civil. Eu concordo com estes argumentos, mas começo a achar que ninguém deveria legislar contra a maneira das pessoas se vestirem. Acho, cada vez mais, que esta moda é uma reacção à estupidez criminosa do Ocidente, sob Bush, Blair e Sharon, e acredito que isto pode passar em poucos anos, se nós nos descontrairmos um bocado. Acho que era importante prender os selvagens (muçulmanos ou não) que batem na mulher e arrancam o clitoris às filhas, mas deixar os outros em paz.

Aqui nos EUA já se sente alguma acalmia. As declarações do Al-qeida contra o Obama são cada vez mais desesperadas. Parece-lhes evidente que não vai ser possível incitar todos os muçulmanos contra Obama. Sobretudo a seguir ao cinismo assassino dos criminosos da administração Bush. Se os Berlusconis e os Sarkozis se calarem, esta animosidade entre religiões pode desaparecer em poucos anos.

Acho cada vez mais que a solução não é a proibição. Se calhar, se os europeus se descontraíssem um bocado, esta moda passava em cinco ou dez anos.

Vestirem as mulheres de sacos do lixo é a única coisa que os muçulmanos podem fazer para se vingarem de um milhão de mortos no Iraque, entre outras afrontas. Estas atitudes irracionais são características da situação de humilhação e impotência que eles viveram nos últimos 10 anos. A imprensa Ocidental chamou "danos colaterais" aos inocentes de morreram durante o assalto dos EUA e da Inglaterra aos recursos naturais do Iraque.

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

pedagogia eleitoral máxima

espero que o filipe não se importe por eu lhe roubar o post, mas penso que algumas das propostas do BE nele mencionadas merecem ser aqui colocadas em versão integral. acima de tudo porque, como já tenho escrito nestes dias, esta campanha se está a revelar de uma pedagogia fantástica! sempre a aprender!

«[...] «Promoção de consumos conscientes, informados e responsáveis de substâncias como tabaco, álcool, drogas e medicamentos»
Eu nem quero acreditar no que leio... O Bloco não só propõe a liberalização do consumo das "drogas leves" como também a promoção de consumos conscientes, informados e responsáveis. A promoção do consumo de drogas é sempre perversa. Penso que é do mais elementar bom senso colocar a tónica nas politicas de desincentivo ao consumo de drogas.

«Diversificar os currículos, os conhecimentos e as práticas, iniciando um debate em torno das medicinas não convencionais, tantas vezes omitidas e ocultadas, e abrindo espaço para a sua implementação e complementaridade.»
Não me parece que seja missão dos políticos desocultarem as ciências ocultas por muita crença que tenham nelas. Deixemos à ciência e às universidades a demonstração da eficácia deste tipo de práticas, coisa que, até ver, não tem sido bem sucedida nem aqui nem em nenhuma outra parte do mundo. Ao que parece, o Bloco quer desocultar por decreto o que ainda ninguém conseguiu demonstrar com senso da evidência. [...]

«Assumir o controlo público da investigação científica e da tecnologia, dando prioridade às alternativas no campo das energias renováveis e da eficiência energética que permitam o uso democrático dos recursos»
Controlo público da investigação científica? Onde é que eu já vi isto? URSS? China? Coreia do Norte?

«Criação de um banco de cérebros em Portugal para promover uma investigação científica séria, eficaz e segura na área das Neurociências (como Alzheimer e Parkinson), acabando com o sacrifício de centenas de animais por ano para efeitos deste estudo»
[...] Primeiro dizem que querem controlar a investigação científica e, umas linhas abaixo, demonstram que não percebem mesmo nada de investigação científica. Quem lê esta frase até pensa que a investigação que se faz em Portugal não é séria, eficaz e segura, o que é verdadeiramente ultrajante para todos os investigadores em neurociências do país. [...]»


[Pedro Morgado | Avenida Central --- 25.09.09]


e, já agora, alguém me consegue explicar o que realmente está por detrás disto:

«[...] "Está transformada a própria natureza funcional das Forças Armadas: em nome do profissionalismo, da eficiência empresarial, duma tecnocracia pretensamente apolítica, elas tendem a agir como corpos mercenarizados de contratados de onde desapareceu qualquer eco, por retórico que fosse, do conceito republicano dos “cidadãos em armas”. Corpos de profissionais de guerras imperialistas tendem a ser, em si mesmos, uma ameaça à democracia." [...]»

[via Hugo Costa | SIMplex --- 25 Setembro , 2009]

Por que voto no PS

Numa notável música intitulada O Estrangeiro, em 1989, Caetano Veloso remata anunciando:
Some may like a soft brazilian singer but I’ve given up all attempts at perfection.
Não defendo que esqueçamos a perfeição. A perfeição deve permanecer como o objectivo, os objectivos devem ser claros e devemos lutar por eles. Mas devemos ter a noção de que a perfeição nunca é atingível por métodos democráticos, e os métodos antidemocráticos (para além de serem isso mesmo – antidemocráticos) conduziram a resultados que ninguém, nem mesmo o mais fanático, considera perfeitos. Ou seja: devemos tentar aperfeiçoar-nos, conscientes das nossas imperfeições. A perfeição é algo que se tenta atingir, e não algo que se estabelece. Finalmente, há limites à perfeição que queremos atingir (à esquerda: a Igualdade e a Liberdade), provenientes da nossa condição humana de animais sociais, que podemos aprender com a História, mas também com a Segunda Lei da Termodinâmica. São totalmente irrealistas as propostas baseadas na “imaginação”, no “sonho”, no “ideal” e na “utopia”, que tantas vezes se ouve falar à esquerda, e que devemos rejeitar em nome da verdade. (Belo slogan, o do PSD: Política de Verdade. Pena que não tenha nada a ver com o partido que o usa.) Mais valem avanços concretos que tacticismos suicidas que preferem levar a direita ao poder em nome da “pureza ideológica”, na esperança que a revolução fique mais próxima e mais fácil. É em nome destes avanços concretos, é por causa destes avanços concretos, que voto no PS nestas eleições legislativas. Porque sou de esquerda e, relativamente aos outros partidos, o Bloco de Esquerda não consegue (ou não conseguiu, até hoje) assumir nenhum tipo de responsabilidades, e o PCP, se não tiver uma posição hegemónica (que o povo português nunca entendeu dar-lhe), prefere conservar a sua pureza como partido puramente de protesto. Esta minha rejeição poderia motivar-me a procurar uma outra alternativa, ou a votar no PS simplesmente porque era o mal menor. Não é esse o caso: voto no PS nestas eleições com convicção: estou firmemente convencido de que é o melhor para Portugal. O que motiva este meu ponto de vista são alguns dos tais “avanços concretos” dos últimos quatro anos, rumo a uma sociedade mais justa. Sem querer ser exaustivo, vou enumerar alguns:

As propostas do Bloco

Texto imperdível no Avenida Central. A ler de uma ponta à outra.

ciência





Faites vos jeux

O meu palpite pessoal:
  1. PS 38%
  2. PSD 32%
  3. BE 9.2%
  4. CDU 8%
  5. CDS 7.8%
  6. OBN 5%
Convido os leitores a partilharem os seus palpites na caixa de comentários. O vencedor terá um prémio (aceitam-se sugestões).

endividamento

«[...] Nos últimos 30 anos, a despesa pública aumentou de 29% para 45% do PIB. Um aumento do peso do Estado na economia de 16,3 pontos percentuais, dos quais 12,1 p.p. (75%) aconteceram em governos liderados pelo PSD e apenas 4,2 em governos PS. [...]

Calculando o aumento da despesa em cada período governativo, podemos determinar o respectivo contributo para o aumento do peso do sector público na economia. [...] Observa-se que os três períodos com maiores contributos para o aumento do peso da despesa pública no PIB foram os da Aliança Democrática (+4,4), os governos de Cavaco Silva (+4,3) e os governos PSD-CDS (+3,4).

Em conjunto, estes três períodos governativos deram um contributo acumulado de crescimento de 12,1 pontos percentuais do total de 16,3 p.p. de aumento do peso da despesa pública verificado nas últimas três décadas. O contributo líquido dado pelos governos liderados pelo PS foi muito menor - apenas 4,2 pontos percentuais (2,2 +3,0 +0,8 -1,8 = 4,2), cerca de ¼ do total. [...]

[C]onsiderando os contributos para o aumento da despesa corrente, obtemos que os governos PSD contribuíram com 13,5 p.p. enquanto os do PS com 4,2 p.p.. Retirando os juros, obtemos a despesa corrente primária, que aumentou 16,2 p.p. entre 1977 e 2008, com um contributo de 11,9 p.p. dado pelos governos PSD e apenas 4,3 dado pelos governos do PS.

Façam-se as contas como se fizerem, o contributo dos governos PSD representou entre 74% e 76% do aumento total, um valor três vezes superior ao acumulado pelos governos PS. O contributo para o aumento da carga fiscal dado pelos governos do PSD foi até ligeiramente maior (cerca de 80%), e o contributo para o aumento do peso das despesas com remunerações foi ainda superior. [...]

[O] último governo PSD-CDS foi o em que se verificou um ritmo mais acelerado de aumento do peso da despesa corrente primária na economia (1,2 p.p. por ano), um valor muito superior ao ritmo médio de aumento do peso da despesa pública corrente primária, que foi de 0,5 pontos percentuais por ano. [...] O governo de Sócrates destaca-se com uma descida do peso da despesa pública até 2008. [...]»


[Manuel Caldeira Cabral | Jornal de Negócios --- 10 Setembro 2009]


«[...] A medida de redução da Taxa Social Única (TSU), proposta pelo PSD no seu programa eleitoral, teria um peso de pelo menos mil milhões de euros na receita da Segurança Social. Contas feitas, este impacto significaria qualquer coisa como 0,7% do PIB português, com as necessárias consequências em termos de agravamento do défice público. As propostas dos social-democratas são as que mais agravam o défice público. [...]»

[Jornal de Negócios --- 02 Setembro 2009]


«[...] O facto de estarmos endividados é explicado por duas razões: não exportamos o suficiente e somos demasiado dependentes da importação de energia, nomeadamente petróleo. Se o endividamento fosse mesmo o nosso maior problema, a solução seria fácil: redução da despesa. Quanto? Tanto quanto que for necessário. Mas há outro opção: crescer mais e crescer diferente, procurando requalificar a economia portuguesa. É por isso que o PS aposta em áreas como a diplomacia económica (diversificação e consolidação de mercados), investimento em I&D (directo e indirecto, atrafés de benefícios fiscais), qualificação dos portugueses, plano energético (barragens, solar, aeólica), investimento em infraestruturas (portos, aeroporto, TGV, auto-estradas). O PS apostou e quer continuar a apostar em tudo isto. Podemos criticar algumas opções concretas, sugerir formas mais eficientes de atingir determinados objectivos, etc. O que não podemos é falar do país como se Portugal não precisasse de aumentar as exportações e reduzir a factura energética. [...]»

[João Galamba | SIMplex --- 17 Setembro , 2009]


«[...] [O] PS tem uma estratégia de combate ao endividamento externo, com provas dadas, que ataca a raiz do seu agravamento, enquanto o PSD se limita a falar nele e não apresenta nenhum plano que ataque a raiz do mal [...]

A raiz do endividamento externo português está num défice comercial crónico: exportamos menos do que importamos, em valor. E exportamos, em geral, produtos de menor valor acrescentado. Além disso, temos uma limitação clara de recursos naturais: petróleo. 52% das importações portuguesas são combustíveis. [...] [Em 2003] o preço do barril de petróleo andava pelos 30 dólares por barril, e em meados desse ano chegou quase aos 20 dólares por barril. Desde o final de 2003, o preço do petróleo passou a exibir uma tendência de crescimento. [...] [D]esde Março de 2005, precisamente o mês da posse de José Sócrates até ao final de 2008, o governo teve de suportar um preço do barril do petróleo nos mercados internacionais permanentemente superior a 40 dólares por barril. Ademais, entre Fevereiro de 2005 e Julho de 2008, há um crescimento exponencial dos preços do barril de petróleo nos mercados internacionais. O governo enfrentou em 2005, 2006, 2007 e 2008 uma conjuntura de choque petrolífero. [...]

[E]m 3,5 anos o preço da parcela mais importante das nossas importações cresceu 3,5 vezes!! Quanto cresceu o endivamento externo, nesse período, como fracção do PIB? [...] O crescimento até ao final de 2008 do rácio terá sido de apenas 48%! [...]

[G]raças à aposta deste governo, e do Ministro Manuel Pinho em particular, [Portugal] tem hoje uma capacidade de gerar através de energias renováveis mais de 40% da electricidade que consome. Inerentemente, menos petróleo é necessário para as centrais termoeléctricas. Portugal tem hoje uma capacidade instalada ao nível da energia eólica que nos permite exportar essa tecnologia: tanto nas torres eólicas como nos aerogeradores. E, como ainda se noticiava há dias, um projecto de investimento estrangeiro correspondente a uma das maiores centrais fotovoltaicas do mundo, está a caminho de Portugal: as energias renováveis não são um mito! São a forma, em conjugação com o ambicioso programa de promoção de veículos energeticamente eficientes (carros eléctricos e híbridos) e a certificação energética em curso, e reforçada no programa do PS, adequada de em simultâneo diminuir as importações de combustíveis e aumentar as nossas exportações de maior valor acrescentado: os investimentos na fileira energética tem o mérito de estar a potenciar um novo tipo de exportações e de estar a atraír, como no exemplo supracitado, investimento directo estrangeiro.

O aumento das exportações, a redução das importações e a atracção de IDE são factores de combate ao endividamento externo. [...]»


[Carlos Santos | SIMplex --- 13 Setembro , 2009]

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

PS e Mota-Engil

  • «A Mota-Engil atingiu máximos de 12 meses, nos 3,695 euros, numa altura em que os resultados das eleições são considerados o principal “trigger” de curto prazo da empresa. (...) “O aproximar das eleições” e “a possibilidade de vitória do PS”, estão a impulsionar a cotação da construtora, segundo um operador de mercados contactado pelo Negócios.» (Jornal de Negócios)

e de repente... está tudo louco!

«[...] No debate entre os cabeças de lista pelo círculo de Castelo Branco, o candidato do Bloco de Esquerda defendeu o fim da democracia representativa e assumiu estar contra a introdução do Inglês no 1.º ciclo por esta ser a língua do "império e pensamento único". Acede aqui às declarações

Serra dos Reis defende fim da democracia representativa

Serra dos Reis sobre o Inglês no 1.º Ciclo [...]»


[Juventude Socialista --- 24 SETEMBRO 09, via SIMplex]

Perguntas pertinentes

Interrogações do Marco Oliveira, que pertence a uma confissão religiosa minoritária:
  • «Será que as Confissões Religiosas, a Laicidade, a Lei da Liberdade Religiosa são temas irrelevantes para as forças políticas? Será que os partidos políticos nada têm a dizer ou a propor nessa matéria? Ou isto serão temas demasiado delicados, cuja referência é preferível omitir nos programas eleitorais?» (Povo de Bahá).

Silva Pereira é antifascista?

O ministro católico conservador Silva Pereira diz que o PSD tem um discurso «salazarento». Fantástico, melga. Mais um pouco e vais dizer que o Josemaría Escrivá era um franquista fascistóide? O que se faz para poder defender os interesses da ICAR dentro de um Governo «socialista»...

Sondagem quase final

PS 40%, PSD 31.6%, BE 9%, CDS 8.2%, CDU 7.2% (OBN 4%). Se esta sondagem estiver próxima dos resultados finais, o PS ainda pode não ficar longe da maioria absoluta. E basta mais um partido para ter maioria parlamentar.
E, com margem de erro de 3.45%, ninguém arrisca dizer qual será o terceiro partido. O que pode ser importante para decidir o parceiro menor do poder.

sustentabilidade

«[...] As tecnologias associadas às energias renováveis serão as próximas indústrias globais, ultrapassando muito provavelmente as tecnologias da informação daqui a uns anos. Os países que mais apostarem em investigação nessa área, hoje, disporão de uma vantagem estratégica num futuro próximo. Reforçar os recursos afectos a I&D no sector energético e assegurar a sua forte conexão com o sistema económico, como se compromete no programa o PS, é fundamental na visão energética a longo prazo de que o país necessita. [...]

Em Portugal, este aviso assume contornos preocupantes devido à nossa dependência energética do exterior, preocupação confirmada na recente crise petrolífera que demonstrou a vulnerabilidade da nossa economia em relação ao petróleo e a urgência na alteração do paradigma energético nacional. [...]»


[Palmira F. Silva | SIMplex --- 03 Setembro, 2009]


«[...] A crise exige uma estratégia de apoio às PME. Para o PS, esta contempla instrumentos excepcionais, fomentando a viabilização e vocação exportadora, bem como apostas inovadoras nas vertentes energia e I&D. [...]

O incentivo à eficiência energética e ao uso de electricidade obtida de renováveis comprime custos das PME e reduz o défice externo. A capacidade de I&D, visível na balança tecnológica, permite incentivo às exportações de maior valor acrescentado, e atrai projectos de IDE, concorrendo para essa redução.

Diferentemente, a proposta do PSD elimina benefícios fiscais e trava a dinamização pública das encomendas das PME. A re-capitalização depende da retenção de lucros. Sem expectativas de procura e distribuição de lucros, não há investimento nem revitalização da economia. [...]»


[Carlos Santos | Diário Económico --- 01/09/09]

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

energias renováveis





Uma atitude rara

Manuel Maria Carrilho recusou, contra as indicações do MNE Luís Amado, contribuir para a eleição como Secretário-Geral da UNESCO de um anti-semita egípcio.

Factos a reter

  • «Na Europa é usual as esquerdas entenderem-se. Em França há muito que se entenderam para um “programa comum”, o qual tem tido tradução governativa em várias legislaturas desde 1981. Actualmente, no PSF discute-se a hipótese de alianças que vão dos centristas (MoDem) até à “esquerda radical”. Em Espanha, o PSOE já fez uma coligação pré-eleitoral com a Izquierda Unida (2000), e governou com o seu apoio e o da “Esquerda Republicana da Catalunha” (2004-08). Em Itália, desde 1994 que tem havido várias coligações incluindo as várias esquerdas e o centro. No Chipre, os renovadores comunistas do AKEL (o maior partido, que governa o país e do qual é oriundo o presidente) também têm sabido entender-se com os outros partidos. Na Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, há muito que os sociais-democratas se entendem com a esquerda pós comunista e libertária para soluções de governo.» (Ladrões de Bicicletas)
Neste contexto, é estranho que Francisco Louçã seja tão taxativo em negar qualquer acordo com o PS depois de Domingo.

Distinção

O Der Terrorist distinguiu-nos, simpaticamente, com o prémio «Vale a Pena Ficar de Olho Nesse Blogue». Como manda a praxe que o vírus se espalhe, escolhi os seguintes para recomendar uma espreitadela aos leitores deste blogue:

Sobre o «Portal Ateu»

Fui fundador da Associação República e Laicidade, já lá vão mais de seis anos, e continuo seu dirigente. Fui fundador da Associação Ateísta Portuguesa, mais recentemente, mas não pretendo ser mais do que associado de base: interessa-me muito mais promover a laicidade do Estado do que difundir o ateísmo, pela simples razão de que, para mim, o essencial não é que as pessoas acreditem ou deixem de acreditar em «Deus» ou na astrologia, mas, isso sim, que sejam livres e iguais independentemente da religião que tenham ou não.

Não me imagino sócio da associação «Portal Ateu - Movimento Ateísta Português». Primeiro, porque já existe uma Associação Ateísta Portuguesa, dinamizada por pessoas que sempre foram dedicadas, competentes, coerentes e leais. E porque, significativamente, a ânsia de demarcação não contribuiu para que a nova associação tivesse um nome original: ficou-se praticamente por um plágio do nome da associação que já existe e que, se tem algum grande defeito, é o de tentar conciliar indivíduos com opiniões tão fortes e díspares como os ateus. Aliás, também é significativo que afirmem não querer «bater na religião», quando o «Portal Ateu» faz isso mesmo em grande parte dos seus artigos.

Finalmente, não deixa de ser (ainda) significativo que as caras conhecidas da nova associação de ateus, o Ricardo Silvestre e o Helder Sanches, acusem a AAP de ter pouca visibilidade - e que o Portal Ateu nada tenha feito para contribuir para essa mesma visibilidade. Tudo isto me tira qualquer vontade de ser conotado com esta nova associação.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

justiça social





terça-feira, 22 de Setembro de 2009

ansiosamente à espera dos próximos episódios...

«[...] [É] um facto que a "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes [...]

[S]e, em tempo útil, o Presidente da República não se pronunciar sobre o assunto, mostrando-se à altura do cargo e das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram, não há outra saída que não seja a resignação. O Presidente da República está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania, enquanto prega a cooperação institucional entre Belém e S. Bento. Ou prova, ou se demarca, sem equívocos, ou resigna [...]

Quem adopta estas práticas perde todas as hipóteses de continuar a exercer uma magistratura de influência na sociedade e não será mais aceite como Presidente de todos os portugueses. O assunto é muito grave. Não deve ser dramatizado mas, por outro lado, não pode ser minimizado. [...]»


[Emídio Rangel | Correio da Manhã --- 19 Setembro 2009]


«[...] Perante, os estilhaços do escândalo – no meio da contenda – o PR, ao demitir Fernando Lima, pretende iludir ou encerrar o caso.

Todavia, se lermos o e-mail trocado entre o Público e o correspondente Tolentino Nóbrega, vemos lá "escarrapachado" que esse reivindicava agir sob a supervisão do PR. Aliás, não podia ser de outra maneira. Os assessores não têm autonomia política para actuar.

Não é fácil, portanto, o PR basear-se em formalismos orgânicos para atirar sobre Fernando Lima todas as responsabilidades. A demissão do assessor é um claro indício de que nem tudo corre bem em Belém. Há algo de putrefacto neste imbróglio. [...]

Surpreendido, nas suas manobras conspirativas, pretende passar por inocente o que, pelos dados vindos a lume, não corresponderá, verdadeiramente, ao sucedido. Todavia, tem o direito e o dever de fornecer explicações cabais aos portugueses. Não o fez de livre vontade. [...]»


[e-pá! | Ponte Europa --- Setembro 22, 2009]

Críticas justas

No blogue «Que Treta!», Ludwig Krippahl faz críticas justas ao PS:

«O Magalhães foi uma boa ideia, mas encomendar tudo a uma empresa por ajuste directo e "formar" os professores a compor músicas sobre o portátil foi uma aldrabice. A avaliação dos professores foi uma boa ideia, mas pôr os avaliados e os avaliadores a concorrer para os mesmos lugares em função da classificação tornou-a um absurdo. O Cartão de Cidadão foi uma boa ideia, mas não juntando os números todos e dependendo de sistemas de autenticação que nem os funcionários sabem como manter seguros.

Já para não falar das asneiras que nunca foram boa ideia. O chip das matrículas, os PIN, as leis de "cybercrime", dar à ASAE poder policial sem a aprovação da Assembleia da República, avaliar polícias contando quanta gente prendem, pagar fortunas à Microsoft por ajuste directo e assim por diante.
»

Não concordo com a conclusão do Ludwig no que respeita à melhor opção do eleitor, digamos assim, mas parece-me um bom início para um debate que vale a pena seguir.

tecnologia





Qual “asfixia democrática” (2)?

Fala-se de “asfixia democrática”. Na comunicação social, não vejo onde esteja. Temos a TVI e, como agora se confirma, o Público, que sempre fizeram as campanhas que quiseram. Regressemos uns anos atrás. Não direi muitos (ao tempo em que o Prof. Cavaco era primeiro ministro, os deputados da oposição eram sempre filmados de costas no Parlamento e, no Telejornal, a sua cara aparecia no canto superior direito sempre que o seu nome era referido – no canal único de televisão, a RTP). Eu proponho regressarmos somente seis anos atrás. Num breve intervalo da sua colaboração de mais de 20 anos com Cavaco, o director do DN era... Fernando Lima! Imposto pela PT Multimedia, apesar do voto contrário do Conselho de Redacção do jornal, preocupado em ter um comissário político na direcção. (Como os leitores se recordam, Lima tratou de pôr o cabeçalho do jornal centenário a laranja. E nunca assinava os editoriais que escrevia. As eminências pardas nunca gostam de dar a cara.) O director do Expresso era o arquitecto Saraiva. Na TVI tínhamos José Eduardo Moniz, e no Público... José Manuel Fernandes!
Não me recordo de nenhum órgão de comunicação social não partidária que não estivesse a favor do governo há seis anos. Comparem com a situação hoje. Onde estava há seis anos quem hoje fala em “asfixia democrática”? Nunca eu senti um país tão asfixiante como há seis anos atrás.
É claro que hoje temos órgãos de comunicação social a favor do governo (e contra, nomeadamente os que elenquei), como é normal e desejável numa sociedade plural. Mas há uma diferença entre ter uma tendência e deixar-se manipular.

qualificação





segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Economia: PS e PSD

A narrativa dominante diz-nos que o PSD é «melhor para a economia» que o PS. Mesmo que com menos sensibilidade social, é mais contido nas despesas do estado, tendo mais preocupação com o défice e o fardo fiscal.

A narrativa dominante esbarra contra a realidade dos factos. Na verdade, acontece precisamente o contrário no que diz respeito ao défice e à despesa pública.

Veja-se este artigo no Jornal de Negócios, que ilustra eloquentemente esta questão:

«Nos últimos 30 anos, a despesa pública aumentou de 29% para 45% do PIB. Um aumento do peso do Estado na economia de 16,3 pontos percentuais, dos quais 12,1 p.p. (75%) aconteceram em governos liderados pelo PSD e apenas 4,2 em governos PS.

[...]

Façam-se as contas como se fizerem, o contributo dos governos PSD representou entre 74% e 76% do aumento total, um valor três vezes superior ao acumulado pelos governos PS. O contributo para o aumento da carga fiscal dado pelos governos do PSD foi até ligeiramente maior (cerca de 80%), e o contributo para o aumento do peso das despesas com remunerações foi ainda superior.

[...]

Estes [dados] estão disponíveis no Banco de Portugal, no Eurostat, ou no INE. Se o que aqui foi apresentado não corresponde à ideia que tinha, veja por exemplo em www.bportugal.pt e questione-se sobre se os que mais se reclamam do rigor não são afinal os que mais contribuíram para o crescimento do monstro.»



Questões para Cavaco Silva

Para evitar que a sua credibilidade baixe ainda mais, Cavaco Silva tem que responder, cedo ou tarde, às perguntas seguintes.
  1. É verdade que o Presidente da República deu ordem a Fernando Lima para se encontrar com um jornalista do Público e passar-lhe um dossiê?
  2. É verdade que na Presidência da República se organizam dossiês sobre assessores do Governo?
  3. As suspeitas de «vigilância» baseavam-se, concretamente, em quê?
  4. Foi a primeira vez que o Presidente da República recorreu a expedientes destes?
Cavaco pode negar que soubesse, ou pode assumir a responsabilidade. No segundo caso, a renúncia ao mandato será aconselhável. Em qualquer caso, será difícil ajudá-lo a terminar o mandato com dignidade.

«Não fui eu! Eu não sabia de nada!»

Cavaco Silva rompeu o seu silêncio e gritou: demitiu Fernando Lima do cargo de assessor da Presidência da República para a Comunicação Social. Típica operação de contenção de estragos. Será suficiente? Duvido. Eu não acredito que o homem que há um quarto de século acompanhava Cavaco Silva, do gabinete de Primeiro Ministro ao da Presidência da República, que escreveu um livro (autorizado...) sobre os bastidores do cavaquismo, tenha ido tomar café à Avenida de Roma, de dossiê na mão, sem autorização superior.

Fica a suspeita de que Cavaco tentou manipular um dos principais diários, de forma a lançar boatos que atingiriam o governo, e beneficiassem o seu partido de sempre. Apenas a suspeita, porque depois desta demissão Cavaco pode gritar o que eu pus no título. Se acreditamos ou não, é outra conversa.

P.S. Depois de o caso BPN ter abalado o núcleo duro do cavaquismo, levando mesmo à demissão de um Conselheiro de Estado, prova-se que estamos perante a Presidência mais interventiva (e mais trapalhona) desde, pelo menos, Eanes. A seguir às autárquicas, a esquerda vai ter que pensar quem será o candidato que enfrentará Cavaco em Janeiro de 2011. A bem da República.

inovação

«[...] De acordo com um press release da Eurostat divulgado hoje, a inovação em Portugal cresceu mais que a média da UE nos últimos 5 anos, em particular nas PMEs. Numa altura em que tantos acordaram para a realidade do tecido empresarial nacional e rasgam vestes em prime time em defesa das PMEs, importa perceber que é necessário continuar as políticas do presente governo em relação a I&D e inovação. Só assim estas podem crescer de forma sustentada e competitiva. [...]»

[Palmira F. Silva | SIMplex --- 08 Setembro , 2009]


«[...] Na introdução do último relatório do Eurostat sobre despesas em investigação e desenvolvimento, Portugal é destacado como tendo tido o terceiro maior crescimento no período 2001-2007.

O relatório diz ainda que Portugal teve o quinto maior crescimento em pessoas empregados nesta área, e que o número de empresas portuguesas com inovação é maior que a média europeia. [...]»


[Miguel Carvalho | fado positivo --- 08 Set 09]


«[...] A produtividade do trabalho no sector energético, em termos de valor acrescentado por trabalhador, é o terceiro maior a nível da UE. [...]»

[Miguel Carvalho | fado positivo --- 14 Set 09]

Mas qual "asfixia democrática" (1)?

Entrevista de José Miguel Júdice ao DN:

A revelação por parte do DN do e-mail trocado entre Luciano Alvarez e Tolentino Nóbrega, jornalistas dos Público, é uma violação de privacidade?

Não sei se o e-mail é privado ou se tem interesse público. Acho muito curioso que a imprensa portuguesa, que durante anos e anos não se preocupou com a revelação de escutas, agora que atinge os jornalistas, estes comecem a ficar preocupados.

Considera reprovável, do ponto de vista ético?

É deontologicamente censurável, mas, durante anos, os jornalistas aceitaram que isso fosse possível em muitas situações que não envolviam jornalistas. É como se estivessem a provar um pouco do seu remédio. Os jornalistas dão muita importância a si próprios. Eticamente, é inadmissível que os jornalistas queiram ser protegidos de uma forma que não se protegem os outros cidadãos.

Considera aceitável que o DN tenha divulgado o e-mail?

É importante que o Diário de Notícias tenha divulgado esta situação. E é importante que os jornalistas ponham a mão na consciência. Eu sou amigo do José Manuel Fernandes, mas a reacção do José Manuel Fernandes, que de manhã afirmou que o Público estava sob escuta e depois vem reconhecer que, afinal, não houve qualquer intrusão no sistema informático do jornal, é de uma gravidade absoluta. E nem pediu desculpa. Depois das suspeições lançadas devia de haver um pedido de desculpa ao País, a todos nós. A comunicação social deve pôr a nu estes métodos de fazer jornalismo. Se é grave o que Fernando Lima, assessor do Presidente da República, fez, também é grave a comunicação social sujeitar-se a isso.

O interesse público justifica a publicação do e-mail?

Está tudo a arrancar os cabelos porque é um jornal a fazer a outro jornal aquilo que é prática da comunicação social fazer a outras entidades não jornalísticas: publicar e revelar documentos, mesmo que protegidos pelo segredo de justiça, em nome do interesse público. Esta dupla ética não é aceitável.


Ler também as declarações do Presidente do Sindicato dos Jornalistas: os jornalistas devem "aprofundar a investigação até ao limite das suas forças".

domingo, 20 de Setembro de 2009

agendas escondidas

«[...] “Não deve haver agendas escondidas”, reclamam os sete responsáveis da saúde que assinam um manifesto onde apelam à clarificação do programa político do PSD quanto ao destino que quer dar ao sistema público de saúde. [...]

“O que é que querem dizer com liberdade de escolha [na saúde]? Como se materializa”. O responsável espera que este documento conduza ao esclarecimento destas questões por parte daquele partido.

Dedicando um parágrafo à iniquidade do sistema de saúde americano que o presidente Barack Obama está a tentar mudar, lê-se que “este é um futuro que não queremos”: “Um serviço público de saúde, residual em qualidade e extensão, para os mais desfavorecidos, a par de um sistema paralelo de seguros privados para aqueles que os podem pagar.” [...]

[N]enhum dos que assinam o manifesto é filiado no Partido Socialista, mas “as pessoas que o assinam não têm dúvida quanto ao lado onde estão. A escolha é clara: o Sistema Nacional de Saúde deve conviver equilibradamente com outros sectores” e “não é legítimo que se abdique da sua modernização”. [...]

De um lado está “o desafio de modernizar o SNS” e, do outro, “uma alternativa explícita ao SNS”, ou seja, diz-se que o PSD vê os cuidados de saúde “como um bem como outro qualquer, num mercado como outro qualquer, em que o Estado se assume essencialmente como entidade financiadora, passando os serviços públicos na Saúde ter um papel progressivamente residual”. O que estes responsáveis defendem é ter a saúde “centrada num SNS descentralizado, e próximo das necessidades e escolhas das pessoas, complementado e cooperando com um sector social e privado moderno” [...]»


[PÚBLICO.PT --- 17.09.2009]

to impeach or not to impeach?

«[...] Depois de uma notícia vinda de Belém e com a acusação mais grave de que há memoria nas relações institucionais em democracia, Cavaco Silva ficou calado. [...] Hoje, Cavaco Silva ainda piorou mais as coisas. Depois de sabermos que a fonte era Fernando Lima, que este entregara ao “Público” um dossier sobre um assessor governamental (como perguntou Luís Delgado, porque raio tem Belém dossiers sobre assessores políticos?), Cavaco volta a não esclarecer nada [...] A infantilidade da gestão deste caso ultrapassa tudo o que já se viu. Cavaco Silva está a brincar com um assunto gravíssimo. E está a fazê-lo em plena campanha eleitoral. [...]

Hoje de manhã José Manuel Fernandes avançava com mais uma suspeita para explicar a notícia do “Diário de Notícias”: o “Público” poderia estar sob escuta das secretas. Acusação, mais uma vez, gravíssima. Agora, na SIC Notícias, José Manuel Fernandes muda a agulha e explica, coisa extraordinária, que aquilo era apenas uma suposição. Vinda de um director de um jornal esta ligeireza é estarrecedora. [...]

Por fim, Manuela Ferreira Leite, no discurso do comício de hoje, comprou como verdadeiras as escutas ao “Público” que o próprio José Manuel Fernandes desvalorizou umas horas depois. [...]

Num país normal, faria mesmo, caso se provassem as escutas, à queda de governantes. E caso se provasse a sua falsidade, à queda do Presidente. [...]»


[Daniel Oliveira | Arrastão --- 19 Set 09]


«[...] enquanto se queixa de suspeitas de 'vigilância' à presidência por parte do governo, fernando lima, na versão do mail publicado no dn, entrega a um jornalista um dossier sobre um adjunto do primeiro-ministro. em qualquer parte do mundo excepto nas partes das pessoas que vivem noutro mundo (e são tantas, aparentemente) esse dossier seria a prova de uma vigilância: a da presidência sobre o governo ou, pelo menos, sobre o gabinete do primeiro ministro. e, como luís delgado lembrou ontem na sic-not, era giro, sei lá, saber que serviços do presidente ou a mando/pedido do presidente fazem dossiers sobre adjuntos governamentais. assim só para começo de conversa. [...]»

[Fernanda Câncio | jugular --- 19 de Setembro de 2009]

Quando o feitiço se vira contra o feiticeiro

O ambiente deve andar lindo para os lados do Público. Leia-se a última crónica do Provedor do Leitor.
  • «Na sequência da última crónica do provedor, instalou-se no PÚBLICO um clima de nervosismo. Na segunda-feira, o director, José Manuel Fernandes (J.M.F.), acusou o provedor de mentiroso e disse-lhe que não voltaria a responder a qualquer outra questão sua. No mesmo dia, J.M.F. admoestou por escrito o jornalista Tolentino de Nóbrega (T.N.), correspondente do PÚBLICO no Funchal, pela resposta escrita dada ao provedor sobre a matéria da crónica e considerou uma "anormalidade" ter falado com ele ao telefone. Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior). (...) Em causa estavam as notícias dando conta de que a Presidência da República (PR) estaria a ser alvo de vigilância e escutas por parte do Governo ou do PS. O único dado minimamente objectivo que a fonte de Belém, que transmitiu a informação ao PÚBLICO, adiantara para substanciar acusação tão grave no plano do funcionamento do nosso sistema democrático fora o comportamento "suspeito" de um adjunto do primeiro-ministro (PM) que fizera parte da comitiva oficial da visita de Cavaco Silva (C.S.) à Madeira, há ano e meio. As explicações eram grotescas - o adjunto sentara-se onde não devia e falara com jornalistas -, mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO, que não citavam qualquer fonte nessa passagem da notícia (embora tivessem usado o condicional). (...) Numa matéria desta consequência, em que se tornaria crucial ouvir o principal protagonista, o provedor regista a aparente escassa vontade de encontrar R.P.F., telefonando-se ao fim do dia (em que presumivelmente já não estaria a trabalhar) e para o local que o jornalista sabia ser errado. A atitude faz lembrar os métodos seguidos num antigo semanário dirigido por um dos actuais líderes políticos (que por ironia tinha por objectivo destruir politicamente C.S., então PM), mas não se coaduna com a seriedade e o rigor de que deve revestir-se uma boa investigação jornalística. (...) Não tendo havido qualquer remodelação entre os assessores do Presidente da República (PR) nem um desmentido de Belém, era, aliás, legítimo deduzir que o próprio C.S. dava cobertura ao que um dos seus colaboradores dissera ao PÚBLICO. Mais significativo ainda, o PÚBLICO teria indícios de que essa fonte não actuava por iniciativa própria, mas sim a mando do próprio PR - e essa era uma hipótese que, pelo menos jornalisticamente, não poderia ser descartada. Afinal de contas, o jornal até podia ter um Watergate debaixo do nariz, mas não no sentido que os seus responsáveis calculavam. (...) Do comportamento do PÚBLICO, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da PR, fonte das notícias, quanto aos efeitos políticos que as manchetes de 18 e 19 de Agosto acabaram por vir a ter. E isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles, além dos já antes referidos, permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR), leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?» (Via Jugular)
Quando eu era jovem, o Público era um jornal de referência e o Cavaco era Primeiro Ministro, aparentemente invencível. Depois das revelações desta campanha, ninguém imagina José Manuel Fernandes e Fernando Lima a continuarem nos seus lugares, e Cavaco não parece elegível para um segundo mandato. Nós estamos mais crescidos. Os adultos, não.

sábado, 19 de Setembro de 2009

BE=Burguesia de Esquerda

Estas notícias sobre os dirigentes do BE só confirmam que estamos perante burgueses médios (embora com poupanças pequenitas...), e que apenas por puro preconceito se pode acusá-los de serem perigosos radicais de esquerda.

P.S. Contra quem vão disparar os assessores do PS amanhã? Jerónimo ou Portas?

Grandes títulos

Puseste a cabeça no cepo


  • «(...) o PÚBLICO só publicou a notícia quando, após contacto com suas fontes, um membro da Casa Civil do Presidente assumiu, nessa qualidade, a informação (...)» (Nota da Redacção do Público)
O Dias Loureiro já foi, o Fernando Lima parece que há-de ir. Começa a faltar oxigénio ali para os lados de Belém.

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

O "Jamé" é um blogue tão, mas tão interessante

...que nem eles se lêem uns aos outros. Tanto assim que dois autores diferentes citam duas vezes o mesmo texto, aqui e aqui.

E deste lado do Atlântico...

Morreu Irving Kristol, "a mãe" de todos os neo-conservadores, como diria Saddam. Apetece dizer o mesmo que Christopher Hitchins disse quando morreu o reverendo Falwell: menos um. Infelizmente este deixou-nos um filho que acha que a próxima presidente dos EUA devia ser a dona Sarah Palin.

Eleição de Barroso causa entusiasmo na Europa


No Le soir, via Klepsýdra.

Luzinha ao fundo do túnel

Ana Gomes defende aliança pós-eleitoral PS-BE.

Informação e contra-informação

De substancial, a «cacha» de hoje do Diário de Notícias só noticia que as «fontes» de Belém jorram nos cafés da Avenida de Roma, e confirma que a «fonte anónima» que denunciou as alegadas escutas do SIS aos assessores de Belém se chama Fernando Lima. Não se refuta que tenha havido escutas, pedidas ou não por diligentes braços direitos de Sócrates, tipo Silva Pereira.

Cavaco Silva fica chamuscado, porque dificilmente se acredita que o «eterno» Fernando Lima, que o acompanha há um bom par de décadas, andasse a passar dossiês aos jornalistas do Público sem autorização superior. Há métodos e práticas que não ficam bem a um Presidente da República.

José Manuel Fernandes fica ardido, porque se prova que avançou com uma estória sem grandes bases, e que o correspondente do Público na Madeira não confirmava. Fica exposta a intencionalidade política de um dos mediocratas do regime, e não será um acaso que se fale hoje na sua saída do jornal diário ex-referência.

José Sócrates não escapa às chamas, porque foi durante a legislatura que agora termina que se concentraram os «serviços de informações e segurança» sob a tutela directa do Primeiro Ministro, se defendeu a «liberalização» das escutas telefónicas e se tentou habituar a opinião pública à ideia de que é «inevitável» a existência de serviços do Estado que trabalhem à margem da lei, cometendo, na prática e na letra da lei, crimes de invasão de privacidade (e outros).

Razão tem Jerónimo de Sousa, quando refere que os «serviços secretos e de informações» já pouco se distinguem dos assessores e adjuntos desta ou daquela facção política no poder. Ou se controla este género de serviços e se os impede de praticar escutas e outras ilegalidades, ou a própria república estará desvirtuada.

e salta um impeachment para animar a campanha

«[...] Documentos provam que foi o principal assessor de Cavaco Silva, Fernando Lima, quem deu indicações ao editor do jornal Público, Luciano Alvarez sobre as suspeitas de o Presidente estar a ser vigiado pelo Governo. [...]»

[Diário de Notícias --- 18 de Setembro de 2009]


«[...] No texto publicado pelo Diário de Notícias afirma-se que a iniciativa para tornar pública a suspeita partiu do próprio chefe de Estado.

É isso que diz Luciano Alvarez, editor do Público, no e-mail que enviou a 23 de Abril de 2008 a Tolentino Nobrega, o correspondente do Jornal na Madeira.

Alvarez informa-o que se reuniu com Fernando Lima, a pedido deste, e que a conversa começou com o assessor de Cavaco Silva a dizer que estava ali a pedido do chefe de Estado para falar de um assunto grave. [...]

O editor do Público explica depois a Tolentino Nobrega porque lhe escreve: «é que para fazer caminho no jornal, a história tem de começar, com todo o cuidado, na Madeira».

Aliás, continua Luciano Alvarez, é também esse o interesse da presidência da República, tal como lhe disse Fernando Lima. Belém queria que a notícia fosse revelada a partir do arquipélago para não parecer que foi alguém da presidência que soltou a história, mas sim alguém ligado a Alberto João Jardim. [...]»


[TSF --- 18.09.2009]

Não há festa como esta (4)



O cartaz prometia, no “Fórum”, um debate: “Novas Gerações – Gerações sem direitos”. A sala estava como se vê na fotografia. As “gerações sem direitos” conviviam, bebiam, ouviam música. Cá fora. Fizemos o mesmo.

(Postagem em co-autoria com o João Branco.)

Não há festa como esta (3)



O slogan da CDU nem é mau: “soluções para uma vida melhor.” Só que neste caso (e em todos os quiosques onde este cartaz estava colado) as soluções para uma vida melhor passavam pela venda de tabaco.

(Postagem em co-autoria com o João Branco.)

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Não há festa como esta (2)



A Festa tem um “Espaço Livro”, com obras (muitas, e ainda bem) de autores, comunistas e não só. O que demonstra uma certa e salutar abertura. Mas deveria haver limites: ver, misturados com os romances de Saramago, os “Desenhos da Prisão” de Cunhal ou a “Miséria da Filosofia” do Marx, “manuais” da Paula Bobone e álbuns do Tintim e da Anita parece-me mal. Não combina.

Não há festa como esta (1)



Qualquer pessoa se enternece a ouvir Jerónimo de Sousa. Mesmo Francisco Louçã: recordo o ar embevecido do “coordenador” do Bloco de Esquerda a ouvir o líder do PCP a citar Almeida Garrett no debate entre ambos: “o número de indivíduos que é necessário condenar à miséria (...) para produzir um rico!”. “O antigo operário fabril lê Almeida Garrett!”, terão todos os espectadores do referido debate concluído. É possível que sim. Mas é possível também que Jerónimo se limite a prestar atenção à decoração das tasquinhas da Festa. (Festa que, como é sabido, todos os anos ele ajuda a montar.)

Significativo?

A dez dias das eleições, a última sondagem (realizada já depois dos debates) indica uma descida ligeira do PSD (-3%), o que pode contrariar a tendência que se vinha a registar. Nesta sondagem, a diferença entre PS e PSD passa de 2% para 6%, enquanto os partidos médios registam pequenas oscilações, mas mantendo o já habitual ordenamento BE>CDU>CDS.

O dado potencialmente mais significativo é a inversão da tendência de subida do PSD.

Leitura recomendada

«Dez erros de Manuela Ferreira Leite», vistos da margem direita (no Delito de Opinião).

tobin is alive... and kicking

«[...] Portugal defende a criação de uma taxa generalizada sobre operações financeiras entre bancos, a nível europeu. Esta será a sugestão que José Sócrates vai apresentar hoje à tarde aos líderes europeus, em Bruxelas, onde vai decorrer uma reunião de preparação da posição europeia para o encontro do G20 na próxima semana em Pittsburg, nos EUA. [...]

José Sócrates justificou a medida com o objectivo de que "o sector financeiro suporte parte dos custos que os países tiveram que incorrer com a crise financeira". [...]»


[Diário Económico --- 17/09/09]


«[...] Num artigo de opinião, que fez então manchete no “Financial Times”, o autor do “Relatório Turner” diz que a criação de um imposto global sobre transacções financeiras, em termos idênticos ao que foi proposto pelo economista James Tobin (embora este sugerisse que a receita fosse canalizada para ajudar os países mais pobres) pode dar um contributo para garantir que a banca passará a funcionar numa base mais sã. [...]

“Se queremos pôr termo a pagamentos excessivos num sector que tem vindo a ‘inchar’ é preciso reduzir o sector ou passar a aplicar impostos especiais sobre lucros antes de remunerações”.

Lord Turner dizia-se ainda “muito favorável” a que sejam consistentemente aumentados os rácios prudenciais na banca, acreditando que este será o melhor instrumento para eliminar excessos, quer de actividade quer de lucros, que a actual crise veio relevar assentarem muitas vezes em pés-de-barro.

As suas palavras foram recebidas com grande cepticismo por parte de vários banqueiros e o próprio Governo britânico manteve-se numa posição recuada – ao contrário do português. [...]»


[Jornal de Negócios --- 17 Setembro 2009]


«[...] Uma outra proposta passa pelo reforço dos mecanismos de supervisão macro e micro prudencial.

Sócrates vai defender ainda o alargamento do perímetro de supervisão ao conjunto das instituições e mercados, incluindo as operações generalizadas em off-shores. [...]

O primeiro-ministro entende que o sector financeiro que esteve na origem da crise deve também ser chamado a pagar uma factura. [...]»


[TSF --- 2009.09.17]