sábado, 7 de outubro de 2006

Assim terminam as democracias

As democracias nos anos 30 vacilaram e caíram sempre em defesa da «ordem», contra um inimigo externo mais ou menos imaginário, a quem se atribuíam os mais horrendos dos crimes.

Actualmente, tem-se exagerado enormemente a dimensão da ameaça da Al-Qaeda. Ouvindo alguns, até parece que esta organização terrorista teria capacidade para conquistar a Europa. Entretanto, o clima de paranóia colectiva ajudou a justificar a guerra contra o Iraque, alimenta a xenofobia, e desculpa o autêntico retrocesso civilizacional constituído por prisões sem lei como a de Guantánamo, ou a «exportação» da tortura para as ditaduras árabes.

Um argelino que cumpria pena de prisão em Portugal, por falsificação de documentos, foi acordado a meio da noite na madrugada de Domingo, metido num avião e despejado na Argélia. Era suspeito de pertencer à Al-Qaeda, mas as polícias portuguesas nada haviam conseguido provar. Teria que ser libertado na segunda-feira, 2 de Outubro, dia em que terminaria a sua pena de prisão. A ordem de expulsão estava suspensa. A sua advogada acusa o SEF de sequestro e desobediência qualificada, e este serviço responde com o «interesse público». «Interesse público» em deportar um argelino a meio da noite? E logo para entregá-lo a um regime torcionário? Para quê? Para tortura e interrogatório?

António Costa, que tem a tutela do SEF, deveria dar explicações no Parlamento. Esta estória cheira muito mal...