quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma gordura cancerígena

Após o 11 de Setembro, o orçamento de espionagem dos EUA foi multiplicado por 20 e o número de espiões excedeu o da Guerra Fria, com novos meios de vigilância e licença para torturar.

Em Portugal, o SIS e o SIED têm agora tantos funcionários como a PIDE de 1945 (que incluía as funções do SEF). Sócrates mentiu ao parlamento sobre os voos da CIA e as circunstâncias da expulsão do alqaedista Sofiane Laib indiciam uma entrega às "prisões secretas". E só este Verão a opinião pública já aprendeu que um quadro menor do SIS era cúmplice do IRA, que o SIS elabora dossiês comprometedores sobre cidadãos inocentes e que o líder do SIED vigiou um jornalista e traficou informação para a empresa para a qual se transferiu.

Os serviços "de informações", imprescindíveis às ditaduras, são nocivos às democracias.

A pretexto de um terrorismo islâmico hoje exangue, crêem-se impunes porque gozam da protecção de leis que alegadamente criminalizam a denúncia dos crimes do Estado, de uma fiscalização incompetente ou conivente e de um Passos Coelho que nem ao parlamento revela resultados de inquéritos. São uma gordura cancerígena no corpo do Estado de direito democrático. As suas tarefas poderiam ser entregues à PJ (criminalidade organizada) e a académicos (investigação sobre extremismos).

Após o 11 de Setembro fomos todos americanos. Dez anos depois somos todos Nunos Simas.

(Publicado originalmente no i.)

6 comentários :

joão josé cardoso disse...

Pequena correcção: Não era bem do IRA, mas de uma facção republicana que continua aos tiros. Isto de memória, que não encontro o raio da notícia.

Ricardo Alves disse...

Eu sei, era do «Real IRA», que são os dissidentes que recusaram o processo de paz. Não tinha espaço para explicar esse pormenor, nem me pareceu muito relevante.

http://www.ionline.pt/conteudo/137966-espiao-invocou-cumplices-no-governo-negocios-com-ira

Nuno Gaspar disse...

Outra coisa, Ricardo:

O seu director é muito fraquinho. Aquela redacção a propósito dos encontros de Sócrates com Zapatero e Merkel não lembra ao diabo.

O Senhor dos Queijos disse...

A pretexto de um terrorismo islâmico hoje exangue...morrem 200 xiitas por mês em ataques sectários no norte do Paquistão

é 100 vezes mais do que no pico dos troubles IRA IFF UFF (ulster freedom force) e outras

tá exangue?
os EUA abateram mais de 30 mil em 10 anos no Afganistão

e é em 2011 que têm mais baixas

5 vezes mais do que em 2005 e muito mais do que em 2001-2004 anos de graça...

O Senhor dos Queijos disse...

Ricardo Alves disse...
Eu sei, era do «Real IRA», Prøv igjen. Provos? e os outros

...havia tantas facções republicanas como orangistas e inda há

algumas até ocupavam só um bairro

vai à pensão em frente do museu de Bel féirst e induca-te filho
Tegnene du anga stemte ikke

sorry Bed and Breakfast
era 15 libras ó dia 300 ao mês

debe tar mai caro...
habia uma na zona dos estaleiros da Blom und Voss mas atiravam ratazanas pela janela 5£/day baratucho ahn

Ricardo Alves disse...

«Aquela redacção a propósito dos encontros de Sócrates com Zapatero e Merkel não lembra ao diabo.»

Esse artigo chega a ser cómico de tão lunático.