terça-feira, 30 de agosto de 2011

Os crimes dos Estados não são bem crimes...

Quando a mafia está no poder somos nós que temos de provar a nossa inocência. Quem faz a lei decide o que são crimes e razões de Estado.

O que aconteceu nos últimos 40 anos foi a destruição progressiva do Estado pelos oligarcas da globalização. Sem estado não há democracia. Hoje, como na Alemanha dos anos trinta, os políticos não têm existência própria. Pertencem à classe financeira, como Hitler pertencia à classe industrial (até os tramar a todos). Os políticos hoje só existem enquanto paus mandados dos milionários que lhes empregam as famílias.

Na América, as questões de "segurança" sempre tiveram um carácter predominantemente financeiro. Muito antes da Guerra Fria já os políticos americanos tinham legalizado a corrupção - aqui os corruptores activos chamam-se lobbyists e os passivos senadores, juízes, representantes, etc. - e o exército americano, juntamente com os diversos serviços secretos que foram sendo criados, construíu e destruíu países, mudou fronteiras e inventou o Panamá, sempre a mando dos empresários.

Durante a Guerra Fria os americanos treinaram abertamente terroristas e nunca hesitaram em espiar, torturar e matar quem se opunha ao império das empresas das bananas, ou do petróleo, ou do cobre, etc.

Os governos de hoje são pequenos e fracos, e nenhum político com ambições se atreve a contradizer o axioma de fé mais importante do capitalismo global: os governos querem-se pequenos e fracos em nome da democracia e da liberdade. A imprensa está nas mãos de um grupo minúsculo de oligarcas e nenhum jornalista com ambições (e prestações para pagar) se atreve a criticar a ordem estabelecida.

Neste contexto, ninguém sabe quanto é que as empresas sabem sobre nós, por onde anda a informação sobre o nosso consumo de energia (que o BCP já adquiriu à EDP há para aí 20 anos), os nossos cartões de crédito, os nossos passeios pela internet, os nossos registos médicos... a privacidade é uma coisa do passado.

Há uns anos Michael Moore contou-nos uma coisa importantíssima: nenhum dos vizinhos dele em Manhattan trabalha. Vivem todos de rendimentos, viajam que se fartam e gastam milhões de dólares por ano. A vida deles é óptima e eles não têm nenhum incentivo para a mudar. Quando se lhes fala, por exemplo, numa distribuição mais equitativa da riqueza, eles têm uma vertigem e são capazes de tudo para manter o status quo. Tortura (de "terroristas!") é o que menos os impressiona. Guerras? Invasões? Escutas? Apoiam (e promovem) o que for preciso.

A coisa não é simples: todos os anos nascem para aí 50 milhões de pobres. Não há crescimento económico que lhes augure um futuro fora da pobreza mais abjecta, da ignorância, da violência e da fé. Esta gentalha toda representa um perigo enorme para o futuro dos ricos. Têm de ser vigiados e reprimidos. Isto é um imperativo da nova ordem internacional. E os políticos têm mais é que fazer o que os ricos lhes mandam.