segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O fascismo é um caso de polícia

Mário Machado é um político e um criminoso. Enquanto político, dinamizou uma milícia de extrema direita (a «Frente Nacional»), que fornecia o essencial do pessoal de rua do PNR. Enquanto criminoso, atraía possíveis compradores de droga a locais isolados para lhes extorquir dinheiro. Os seus cúmplices no crime eram os seus «camaradas» de fascismo, na «Frente Nacional» e nos «Hammerskins Portugal».

Mário Machado é um político ou um criminoso? Evidentemente, ambas as coisas. Mas tornou-se criminoso por ser fascista, ou tornou-se fascista por ser criminoso? Não haver qualquer relação entre as duas coisas é excluído pelo próprio, e não foi outro senão o importante mediocrata Pacheco Pereira quem o classificou como «preso politico».

E no fundo têm razão. A essência do fascismo é o desprezo pela vida e dignidade alheias, é auto-designar-se membro de uma «raça de senhores» destinada a mandar. É considerar que uns (eles) só têm direitos (e nenhuns deveres) e que outros (quase todos) são meios para um fim. Por alguma razão é uma ideologia que fascina quase exclusivamente jovens do sexo masculino. Sem testosterona não haveria fascismo (e haveria muito menos crime, também). Quem está acima da lei não tem que cumprir a lei, e assim se compreende que Mário Machado tenha liderado, em 2005, uma célebre «Marcha contra o crime», e que tenha, poucos anos passados, condenações em tribunal por vários crimes. Os crimes a que ele se opunha eram, obviamente, os crimes dos outros. Os dele, não são crimes. São o direito legítimo à violência.