quinta-feira, 22 de março de 2012

Um, dois, muitos Anders Breiviks?

Há quatro meses, escrevi nesta coluna que Anders Breivik não estava isolado e que em 2011 o terrorismo na Europa mudara. Descobrira-se então uma rede neonazi alemã que matou, um a um e sem incómodos policiais, uma dúzia de turcos.

Esta semana, a França assiste a um surto terrorista que já causou oito vítimas. Ao contrário do terrorismo islamofascista da década passada, os novos terroristas são europeus, actuam tipicamente isolados, seleccionam cuidadosamente as suas vítimas por etnia, religião ou convicção política, e só param depois de apanhados. Estamos longe dos bombistas suicidas, dos atentados indiscriminados de Nova Iorque, Atocha e Londres, e das redes islamitas dirigidas do Paquistão.

O debate político sobre esta nova ameaça ainda mal começou, embora o balanço fatal de Utoya só seja ultrapassado, em anos recentes, pelo de Atocha. Seria demais esperar que os mesmos que acusaram a Europa e os EUA de «fraqueza» e excessiva «tolerância» para com o islão, após o 11 de Setembro, agora questionassem se a retórica do «choque de civilizações» e a islamofobia não ajudaram a criar um novo monstro. E no entanto, os que proclamam que os imigrantes são indesejáveis e a Europa é branca e cristã tornaram-se respeitáveis (como o comprova a campanha eleitoral francesa). Será cedo para entender que se acirraram fanáticos?

(Publicado originalmente no i; à hora a que é aqui publicada, é claro que esta coluna está obviamente errada.)