quarta-feira, 7 de março de 2012

O "salazarito"?

A lista das tutelas perdidas por Álvaro Santos Pereira é tão longa que a poupo ao leitor. Mais interessante é olhar para quem ganha tutelas: o ministro das Finanças.

Vítor Gaspar anexou, em poucos dias, a “supervisão” do QREN e as negociações da GALP, ambas à custa do fragilizado ministro da Economia. E conquistou também, contra o ministro da Educação, a “palavra final” na contratação de professores a prazo. Centralizador, beneficia do troikismo, da demagogia que impôs ministérios enormes, do fogo cruzado de um CDS que ambicionava a Economia e da fraqueza de um Passos Coelho carente da bagagem técnica e da experiência de poder que não lhe faltam a ele.

Será conhecido, nas pausas do Conselho de Ministros, como “salazarito”. A comparação é de mau augúrio para os democratas, mas felizmente pouco adequada. É verdade que alguns acreditaram, no final dos anos 20, que a democracia estava em coma mas não morta. E pode até especular-se que, sem Salazar na presidência do Conselho, o regime do 28 de Maio seria outro intervalo sidonista. Mas o regime da troika não é uma ditadura e o passado não se repete.

As circunstâncias actuais da Itália e da Grécia, essas sim, reproduzem-se em Portugal. E os respectivos governos são já liderados por eurocratas “independentes”, mais seguros para a finança, o BCE e a Comissão. Passos que se cuide…