terça-feira, 27 de março de 2012

Considerações gerais sobre greves gerais

Tenho seguido com atenção os textos da Fernanda Câncio sobre a greve em geral, e concordo com muito do que ela diz (e o blogue que ela lincou, o Boas Intenções).
A greve deve ser um último recurso, e não é assim que tem sido usada. É um meio de luta que tem muitos defeitos, nomeadamente não ser na prática acessível aos trabalhadores precários e desprotegidos, uma realidade que, infelizmente, nos dias de hoje, é a de grande parte. São estes, creio, os dois principais problemas da Fernanda com a greve, e concordo com eles em grande parte. Concordo que por vezes se convocam greves sem se proporem grandes alternativas. Concordo que os sindicatos se cristalizam sobre os trabalhadores sindicalizados – afinal, são deles que eles vivem: são eles que lhes pagam as quotas. E acrescento a sensação mais frustrante de fazer greve, que só quem faz greve e sente o dia de salário a menos (é isso fazer greve: não receber salário por um dia) pode sentir: perguntar para que serve a greve? Que resultados concretos podem daí sair? Se a greve não for bem justificada, se todos os trabalhadores não forem bem mobilizados, a greve não serve para nada. Creio que terá sido o caso da greve da semana passada.
Dito isto, não consigo subscrever o texto da Fernanda nesta altura. Quanto à oportunidade da greve: têm sido feitas muitas, e com poucos resultados, pelo que esta não é nada oportuna. Mas seguiu-se a um acordo de concertação social que constitui o maior ataque aos trabalhadores de que há memória nas últimas décadas, acordo esse que foi pusilanimemente assinado por uma das centrais sindicais. Seria sempre, por isso, uma greve parcial. Mas que poderia a CGTP fazer para protestar contra este acordo?
Quanto à (suposta) inadequação da greve ao mundo laboral atual, pergunto uma vez mais: e alternativas? Como podem os trabalhadores protestar contra decisões que lhes dizem respeito? Com manifestações? Isso leva-os a algum lado?
Parece-me que, para os trabalhadores, a greve continua a ser o pior dos protestos com exceção de todos os outros. Deve ser usada com parcimónia, mas não lhe encontro substituto. E gostava de encontrar. Penso, mas não consigo. Se a Fernanda – que agora até já cita Lenine! – encontrar um, que avise a malta.