quarta-feira, 28 de março de 2012

E no entanto a direita move-se


Primeiro foi este cartaz dos meninos. Depois, a utilização de músicas do Zeca no congresso dos papás.

Há que dizer com toda a frontalidade, como diria o saudoso artista Bastos: a direita pôs as mangas de fora. É uma direita muito diferente da de há trinta e sete anos atrás, saudosa do passado e que queria manter as coisas como estavam. Esta direita quer alterar, mudar. E não tem por isso vergonha de ir buscar símbolos e slogans de mudança, historicamente associados à esquerda. Esta direita pouco ou nada tem de conservadora. Perante ela, a esquerda não tem de ter receio de ser chamada "conservadora". Não por não querer mudar a situação, mas por mudá-la num sentido oposto ao da direita. A direita está em movimento, e como a analogia cinemática do meu texto anterior explica, antes de se iniciar um movimento no sentido oposto há que parar.

Isto não significa - que fique bem claro - que a esquerda deva cristalizar ou ser avessa à mudança. De maneira nenhuma. Agora não deve ter vergonha de dizer que o progresso se faz também por conservação do que é bom.

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