quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A vida miserável de Ayn Rand

Não me posso pronunciar sobre os livros, que não consegui ler senão aos bocadinhos - como os discursos intermináveis dos heróis dela. Mas Glenn Beck tem promovido Ayn Rand regularmente na FOX (a musa dos yuppies, de Farrah Fawcet, Clarence Thomas e Alan Greenspan) como a filósofa mais importante do século XX. Os livros dela vendem-se outra vez como nos anos oitenta e em 2009 sairam mais duas biografias desta mulher horrível: "Ayn Rand and the World She Made" e "Goddess of the Market: Ayn Rand and the American Right".

"The Nation" publicou uma recensão crítica destes dois livros que vale a pena ler, mas a "Slate" explicou melhor a vida desta sociopata, cujo sucesso parece difícil de explicar. Diz Johann Hari: "Her heroes are a cocktail of extreme self-love and extreme self-pity: They insist they need no one, yet they spend all their time fuming that the masses don't bow down before their manifest superiority."

A hipocrisia e a ausência completa de empatia pela espécie humana, fazem desta mulher um monstro inexplicável: "O criador vive em função do seu trabalho. Ele não precisa de ninguém. Seu objetivo principal está dentro de si mesmo. O parasita vive em função dos outros, de segunda mão. Ele precisa dos outros. Os outros são a sua motivação principal".

Ayn Rand tinha morrido de fome se não fosse o altruísmo dos comunistas, que lhe proporcionaram o acesso à educação gratuita - na Rússia de antes da revolução, nem mulheres, nem judeus podiam estudar. Da mãe, do pai e dos irmãos, que venderam as jóias e arriscaram a vida para que ela pudesse ir para os EUA. Da comunidade judaica de Chicago, que lhe abriu os braços e a ajudou a arranjar um emprego e depois da comunidade judaica em Holywood, especialmente Cecil B. DeMille, que a ajudou mais uma vez de forma altruísta e desinteresada. Incapaz de gratidão, Ayn Rand passou o resto da vida a dizer que nunca tinha sido ajudada e que não precisava de ninguém, embora fosse completamente dependente do desgraçado que casou com ela, um actor de segunda que ela torturou psicologicamente e convenceu que aceitar a vida sexual dela fora do casamento era uma forma de grandeza e heroicidade, e de um miúdo - um sex toy - que ela perseguiu até à morte quando descobriu que era velha demais para ele e que ele "lhe era infiel". :o) A vida desta mulher é uma sequência interminável de actos repugnantes, mas eu não vos quero tirar o prazer de lerem o artigo da Slate. E o da "Nation". E o do "New Yorker". Na altura lembro-me de ter lido uma recensão particularmente virulenta, mas que não consigo encontrar agora.