domingo, 11 de setembro de 2011

O futuro de Israel...

Hoje o Haaretz tem um artigo que confirma o que eu penso e alerta para o perigo de se pensar, como Bush e Roger Ailes, que é possível construirmos a nossa própria realidade.

Há já vários anos que eu prefiro não falar de Israel com os meus amigos israelitas. Em 2006 vi as imagens da invasão do Líbano (na televisão holandesa), e vi a CNN censurar um membro do governo inglês e as imagens que foram mostradas durante o comentário que ele fez.

Quando cheguei aqui percebi que os americanos não faziam a mais pequena ideia do sofrimento que aquela guerra causou, nem das brutaliades que o exército israelita perpetrou durante aqueles dias, com o apoio dos EUA e da Inglaterra. Ou seja, enquanto o mundo inteiro viu as cenas de sofrimento de crianças e mulheres, os americanos e os israelitas viram uma operação cirúrgica, sofisticada, vitoriosa e necessária para pacificar os "maus".

A indignação de 2006 foi sendo amplificada nos últimos cinco anos, por uma sucessão de governos arrogantes e violentos, que ignoram a lei e não hesitam em humilhar os dois únicos vizinhos que não lhe são (eram) hostis: o Egipto e a Turquia. Este jogo é perigoso e Netanyahu - que hoje recuou nas suas posições - pode já ter queimado mais pontes do que pensa. Sobretudo porque os EUA, depois de escorregarem em todas as cascas de banana que Bin Laden lhes estendeu, estão atolados numa data de guerras, caras e impossíveis de vencer, que sangram o país e incitam o mundo muçulmano ao ódio contra o Ocidente, multiplicam o número de fundamentalistas e tornam economicamente impossível defender as fronteiras e as cidades, na Europa e na América, quanto mais resolver os conflitos entre Israel e a Turquia.

E a vitória da extrema direita nas eleições americanas, com que alguns israelitas sonham, pode vir a ser mais um presente envenenado, como foram os atiçadores Bush e Rumsfeld, principais responsáveis pela deterioração das relações entre Israel e a Turquia.