quarta-feira, 14 de abril de 2010

Nous sommes tous des Juifs allemands

Acho que o ataque da ICAR ao New York Times e as insinuações relativas a um “ataque concertado” e a uma “conspiração judaica” levantam, mais uma vez, a questão gravíssima do anti-semitismo da ICAR.

Embora os autos de fé tenham acabado no século XVIII, o anti-semitismo da ICAR não diminuiu de violência nos séculos que se seguiram e é impossível imaginar o Holocausto sem a referência semanal ao assassinato de Jesus pelos judeus na missa dominical.

Com certeza que os protestantes têm as mãos tão cheias de sangue como os católicos. Foi o próprio Martinho Lutero que escreveu o livro criminoso ‘Von den Juden und ihren Lügen’ que Himmler promoveu e usou contra os judeus alemães. Mas não nos esqueçamos que Hitler era católico, baptizado e que nunca foi excomungado. O silêncio de Pio XII em relação ao Holocausto deu origem a vários livros e é um facto que quando Hitler morreu se rezou uma missa por ele no Vaticano. O papel activo da ICAR no apoio à imigração de nazis é conhecido.

O anti-semitismo da ICAR está vivo e a violência do ódio de uma parte do clero aos judeus devia merecer mais atenção da sociedade civil. Não nos devemos deixar enganar pela retórica católica do ecumenismo. Os católicos polacos continuaram a assassinar os sobreviventes do Holocausto durante vários anos, com o apoio do clero local.