sexta-feira, 9 de abril de 2010

Do culto da personalidade

Esta biografia de Passos Coelho não é jornalismo. É propaganda acrítica e entusiástica em forma de artigo de jornal supostamente isento. Não se encontra ali uma palavra menos simpática, uma dúvida, uma zona de escuridão. Os «defeitos» são todos «qualidades». Ser «teimoso», no fundo, é ser «assertivo». Ser  «forreta», afinal, é parte de «valores um pouco antiquados, como a honestidade, a honra, a fidelidade à palavra dada, a temperança». Ter passado parte da infância a ouvir conversas políticas no palácio de um governador colonial ensinou-lhe a «abertura» e a «tolerância». Uma carreira universitária errática, que seria apontada a dedo noutros, «permitiu-lhe contactar com pessoas mais jovens». Ter andado nos copos no Bairro Alto era «uma maneira diferente de viver a política: mais autêntica, mais afectiva».

É assustador. Se o jornalismo é assim quando ele está na oposição, imagine-se se algum dia chegar ao poder...

4 comentários :

  1. "valores um pouco antiquados, como a honestidade, a honra, a fidelidade à palavra dada, a temperança". Pois é, já não há honestidade, nem honra, nem fidelidade, nem temperança. No tempo do Salazar e do Ballet Rose é que era! Rectidão e honra!! Ou no tempo do D. Carlos! Aquilo é que era fidelidade à palavra dada (as contas das putas com casa posta nas despesas da Casa Real não contam).

    Os idiotas que dizem estas coisas (e os que as escrevem) deviam levar bengaladas no Rossio.

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  2. Ricardo,
    Se você se libertasse dessa fobia que tem à Igreja Católica e falasse mais de Passos Coelho e de jornalismo de agenda lucrava.

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  3. Gostei. Qual é a admiração? Concordo com tudo o que você disse. E costumo (costumava) votar PSD, veja lá.

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