sexta-feira, 9 de abril de 2010

Do culto da personalidade

Esta biografia de Passos Coelho não é jornalismo. É propaganda acrítica e entusiástica em forma de artigo de jornal supostamente isento. Não se encontra ali uma palavra menos simpática, uma dúvida, uma zona de escuridão. Os «defeitos» são todos «qualidades». Ser «teimoso», no fundo, é ser «assertivo». Ser  «forreta», afinal, é parte de «valores um pouco antiquados, como a honestidade, a honra, a fidelidade à palavra dada, a temperança». Ter passado parte da infância a ouvir conversas políticas no palácio de um governador colonial ensinou-lhe a «abertura» e a «tolerância». Uma carreira universitária errática, que seria apontada a dedo noutros, «permitiu-lhe contactar com pessoas mais jovens». Ter andado nos copos no Bairro Alto era «uma maneira diferente de viver a política: mais autêntica, mais afectiva».

É assustador. Se o jornalismo é assim quando ele está na oposição, imagine-se se algum dia chegar ao poder...