quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Se o primeiro, o segundo e o terceiro poder são financiados pelo Estado, o que dizer do quarto?

A carta aberta "pelo jornalismo, pela democracia" assinada por vários jornalistas vem pôr um dedo numa ferida esquecida da democracia. A democracia não funciona sem informação nem os checks and balances entre os 3+1 poderes. Sem imprensa não há informação nem há... liberdade de imprensa.
Este é um problema que vai para lá da discussão do modelo de negócio deste sector (o Guardian diz hoje que está a pensar abandonar a edição papel), e para lá dos cortes de pessoal devido à crise. A imprensa está em dificuldades por todo o mundo, e com ela estará a qualidade da democracia.
Associado a isto temos a falta de diversidade de informação, que salvo raras as excepções (o BE principalmente) tem sido esquecida.
Será talvez a altura de pensarmos num novo modelo de funcionamento. Não me choca, por exemplo, caminhar na direção de um financiamento estatal em troca da garantia da diversidade. Ter os grupos parlamentares/partidos a produzir informação que seria distribuída pelos canais da imprensa. Vigiar de perto a concentração de vários órgãos sob o mesmo grupo, garantindo meios para que haja o maior número de corpos redatoriais independentes.
Ideias?

3 comentários :

  1. O quarto poder deveria depender em grande medida dos particulares, mas é necessário que as pessoas em geral compreendam que têm um dever cívico e, em certa medida moral, de contribuir para um jornalismo de investigação decente.
    Esta compreensão não existe, mas espero que através da discussão política, cada vez mais comum, a sociedade comece a despertar para essa necessidade.

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  2. Como diz bem o nosso leitor Bruno Santos, se for financiado em grande medida pelo estado é quase inevitável que acabe controlado em grande medida pelo estado. Isto não quer dizer que não seja positivo que o estado detenha alguns órgãos de informação (ex. televisão pública), mas terá de ser uma proporção não muito elevada, para que a concorrência garanta que nem o estado nem os privados abusam do seu "poder financiador".

    E por falar em evitar a concentração, devia voltar a existir legislação nesse sentido.

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    1. O Bruno Santos é contra o financiamento pelo Estado mas defende subsídios dados pelo Estado...
      Para lá deste probleminha, acho que é uma posição liberal muito anti-Estado (uma posição que eu não partilho minimamente). As universidades são financiadas pelo Estado, e numa parte bem mais substancial, e nunca senti que o Estado interferisse nas aulas que dou, na investigação que faço. A RTP, que até tem o seu conselho de administração escolhido pelo Estado, é um órgão respeitado. A imprensa privada teria mais independência que a RTP... não estou a ver problema com isso.

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