sábado, 6 de outubro de 2012

20 anos de televisão privada

A informação sem dúvida tornou-se mais plural e mais dinâmica: anteriormente era totalmente governamentalizada. Ainda sou do tempo em que o alinhamento dos telejornais correspondia às conveniências do governo. Os noticiários começavam sempre com o primeiro ministro, e o retrato de Cavaco sobre o ombro do apresentador permanecia o tempo quase todo. A transmitir as sessões do parlamento só havia uma câmara, que filmava os deputados do PSD de frente, os do PS e CDS de lado e os do PCP sempre de costas. Tudo isto foi alterado, e graças ao aparecimento das televisões privadas. Nem com isto eu tenho a certeza de que a informação tenha ficado melhor: tabloidizou-se. Os noticiários passaram a ser infindáveis. A não terem hora para acabar. Não foram só os noticiários nesse aspeto: os horários deixaram de cumprir e institucionalizou-se a antiprogramação, que só foi contrariada por via da lei. E sobre todo o telelixo que surgiu nem vale a pena refletir mais. Não estou com isto a defender que só exista a televisão pública: tal situação seria anacrónica e aberrante. Hoje em dia, pelo contrário, assiste-se a uma multiplicação de plataformas, de que o aparecimento das televisões privadas foi o primeiro passo. E ainda bem. Só estou a referir o que, para mim, é claro: antes do aparecimento das televisões privadas, a televisão era muito melhor e vê-la era muito mais agradável. Numa altura em que se pensa acabar com o serviço público de televisão, seria bom refletir sobre isto.

1 comentário :

  1. Além de que agora os noticiários começam e acabam com a bola, mesmo sem o retrato dos treinadores ou presidentes de clube sobre o ombro do apresentador o tempo quase todo...

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