terça-feira, 23 de agosto de 2011

Troca de galhardetes a propósito do «caso» Figueira

O Renato Teixeira mete no mesmo título (e portanto, no mesmo saco) o Câmara Corporativa, a Jugular e o Esquerda Republicana. Na parte que me toca, sinto-me desvanecido com a distinção. Embora muito mais vetusto do que qualquer dos outros dois (esta é a minha humilde casinha desde Março de 2005), este pobre blogue, mesmo depois de colectivizado, nunca competiu em sitemeter com essas poderosas locomotivas blogosféricas.

Todavia, que fique registado que durante a era socrática se escreveu por aqui a favor e contra dessa «polarizante» criatura (o meu caso foi mais o segundo). Pessoalmente, sempre tentei apoiar o que merecia apoio e criticar o que idem.  O que nunca vi fazer-se neste blogue foi igualar Passos Coelho e Sócrates. É preciso estar num extremo muito afastado do bom senso para não ver as diferenças.

19 comentários :

  1. O PS será sempre capaz de mais direita do que o resto da direita. É ir ver o Diário da República e quem aprovou a fatia de leão do neo-liberalismo. Não precisa de bom senso. Basta saber ler.

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  2. O Renato Teixeira resume o «mais direita» ao neoliberalismo. Faz mal. Mesmo assim, vá lá ler quem aprovou a fatia de leão de social-democracia: sistema nacional de saúde, rendimento mínimo garantido, complemento solidário para idosos...

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  3. A questão, aqui, já nem é igualar Passos Coelho e Sócrates, ou PS e PSD, uma equiparação que me parece míope mas respeitável. A questão é mesmo, objetivamente, preferir o PSD e o Passos Coelho, e trabalhar para eles.

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  4. Filipe, independentemente do teu juízo, que apesar de míope me parece respeitável, eu não alinharia nem com a dama de ferro do socialismo democrático nem com os Ferreiras Fernandes da nossa praça. Como bem disse o Nuno lá no 5dias, das Viúvas do Sócrates, como do engenheiro, não vai rezar a história.

    Trabalhar como director, editor ou jornalista, em qualquer jornal da nossa praça, exige idêntico compromisso político e não consta que, nem mesmo no serviço público, de concursos públicos para o efeito. Toda a comunicação é política, evidentemente, mas nem todo o comunicador é um pulha.

    Ricardo, do enterro da revolução aos recibos verdes, das alianças PS-CDS às PS-PSD, da implosão do SNS à desregulamentação do trabalho, qualquer alegrista tem as mãos mais sujas que qualquer relvista. Pode vir a ser diferente, mas hoje outra coisa não pode ser dita.

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  5. Dizer que «toda a comunicação é política» é um exercício de relativismo que só serve para desculpar o imperdoável. «Comunicar» num jornal (ou num blogue) não é o mesmo que «comunicar» num gabinete ministerial. Esta última posição implica um grau de comprometimento político que não se espera encontrar num jornal.

    Que o Renato insista em que «PS é pior do que PSD» mostra a desorientação estratégica que o anima. Muitos alegristas se opuseram à desregulamentação do trabalho e à destruição do SNS. Não me lembro de nenhum relvista o fazer. E a presença num governo PSD-CDS de um elemento do blogue mais à esquerda do panorama nacional é uma evidência de oportunismo de parte a parte, quer isso agrade ao Renato Teixeira, quer não. Disse o mesmo de Fernando Nobre.

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  6. Será curioso verificar a atitude do 5 Dias perante o governo, e em particular perante Relvas, nos próximos meses, assim que passar a época de juntar Sócrates e Passos nos mesmos posts.

    Já decidiram se o Figueira continuará redactor?

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  7. Não. Estamos à espera de saber o que pensa o Relvas sobre o assunto, naturalmente.

    E por aqui, já podem finalmente fazer oposição ou ainda estão presos à responsabilidade social que emana do memorando da troika?

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  8. Renato:

    "por aqui, já podem finalmente fazer oposição ou ainda estão presos à responsabilidade social que emana do memorando da troika?"

    Bem, quando muito devemos esse tipo de satisfações aos nossos leitores regulares. És muito bem vindo e espero que apareças; mas qualquer leitor regular nosso sabe que ninguém aqui está preso ao memorando da troika.

    Não tive oportunidade de escrever o quanto lamentava a tua interrupção da blogagem regular, que ainda me causa alguma estranheza. Quando soube esta notícia do Figueira, palavra que ainda pensei: "ainda bem que o Renato se pirou a tempo. Espero que o Tiago não se solidarize com esta palhaçada." Bem, os resultados estão à vista. Bem podem vir com retóricas; não me interessa se vocês, enquanto indivíduos, estão realmente convencidos das desculpas que dão. Como gajo de esquerda não me interessa o indivíduo mas o coletivo, a sociedade. Deste ponto de vista, desta vez a máscara caiu ao Cinco Dias: não convencem mais ninguém.

    Finalmente, estive para te mostrar que tinha aprendido alguma coisa contigo e fazer esta tarde um post à tua maneira: o Figueira tem umas belas fotos no Facebook, e ele bem o merecia. Mas achei que não valia a pena. Vendidos do PCP sempre houve muitos; parece-me preferível o gajo da Brigada Victor Jara. Mas tu lá sabes.

    Ao menos esta crise toda serviu para voltares a escrever. Espero que continues!

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  9. Filipe, críticas à opção do Figueira fazem naturalmente sentido, sátiras também. À minha moda ou à moda dos outros, mas sem desonestidade intelectual à qual como sabes nunca te associei e que tem pautado este debate.

    Ao concluíres que "Deste ponto de vista, desta vez a máscara caiu ao Cinco Dias: não convencem mais ninguém." não é sério da tua parte, principalmente porque sabes mais ou menos como aquilo funciona.

    De resto, já te li elogios à sua frontalidade, radicalidade e inexistência de um livro de estilo, seja na forma, como mais importante, na politica. Simpatias pontuais à parte, cada autor convence ou não convence. Pouco se ligam politicamente e como sabes bem para lá da Soeiro Pereira Gomes ou do Gabinete do Relvas. As opções de cada um dos escribas, sendo como disse legitimas de todas as dúvidas, só podem ser imputadas a quem as faz e escreve.

    Se o debate passar a ir por ai participarei, a encontrar tempo para isso, se não, fiquei mesmo pela ironia que deixei no 5dias que garanto-te, não teve o crivo nem do Sócrates, nem do Relvas. Terá outros, possivelmente. Mas cada um responderá pelos seus.

    Quanto ao resto um abraço claro, e releva a provocação da dimensão social do memorando, que mais procurou deixar claro que há redundâncias que não levam a debate nenhum.

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  10. Ricardo, a indignação por o ter colocado no mesmo saco do Corporações e do Jugular não se pode assentar pior do que a colagem que por aí graza entre o 5dias e qualquer que seja o gabinete.

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  11. Renato,
    o que retenho desta troca de galhardetes, para além da opinião que cada um forma sobre o Figueira e o Relvas, é que o Renato, e isto parece-me significativo, justifica politicamente que se apoie o PSD de preferência ao PS. E que está nitidamente incomodado com a situação.

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  12. A perder o sono Ricardo. A perder o sono. Aproxima-se, politicamente, do que é mais relevante (mais do que meter o 5dias no mesmo saco), que é o facto de entre o PS e o PSD saber bem quem tem feito pior à esquerda e consequentemente ao país. Não obstante engana-se na conclusão. Nem prefiro nem escolho entre os gestores comuns dos interesses da burguesia. Ufa.

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  13. Renato,
    estive a viajar e só te posso responder agora.
    A questão é mesmo: toda a moral que o Cinco Dias tinha, perde-a. É resumida num comentário de um tal Vítor no post do Ricardo Santos Pinto: nunca mais ninguém vos leva a sério. Só isso. O Cinco Dias nunca mais será visto como um blogue de gente independente, graças à atitude do Figueira e às reações do Nuno e do Tiago. Os argumentos do Nuno, então, são confrangedoramente patéticos (havia um nazi que se desculpava do extermínio que cometera dizendo que “só cumprira ordens”; se fosse o Nuno, diria que “só estava a trabalhar” ou “só cumpria uma missão técnica”). Custa-me dizer isto, mas custa-me mais ler o que leio vindo de um tipo com a bagagem do Nuno.
    Isto é injusto para ti (apesar de tudo, apressaste-te a escrever um post onde se lia “Relas rua!”) e para outra malta que eu gosto de ler, como a Raquel ou o Iouri. Não sei como haveriam de resolver a situação, mas não a podem achar “perfeitamente normal”, como diria um antigo treinador e jogador da Académica. Quem achar esta situação “perfeitamente normal” está perfeitamente alienado.
    Um abraço.

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  14. Escreveu um post «Relvas Rua» mas no mesmo post pede «Sócrates Rua». Que eu saiba, o último senhor nem deputado deve ser...

    Mas enfim: nos últimos 37 anos vejo diferenças consideráveis entre PS e PSD. E nem tenho que ir às «causas fracturantes». Basta ver a criação do Estado previdência. E como já disse, SNS, RMG e Comp solidário idosos devem-se ao PS, não ao PSD. Mas é claro que isso não importa nada quando a prioridade é partir montras e esganar a burguesia...

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  15. Filipe,

    Acho que respondes emocionalmente face ao 5dias. Por o JMF ou a TS escreverem no Público, não é por isso que deixamos de ler outros escribas desse jornal.

    Cobrar ao AF, que julgo ter a mesma postura há demasiados anos para o que se passou ser considerado anormal, coerência face ao que eu ou qualquer outro autor do 5dias escreve é só infantil, não é mais nada.

    procurarei ler-te mais vezes apesar do Ricardo Alves. ;)

    Abraço

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  16. Renato, uma coisa é um jornal e outra é um blogue. Eu conviveria muito mal com um assessor do governo PSD num blogue, e acho que os meus colegas tmbém. Se calhar somos mais totalitários que vocês :).

    "Cobrar ao AF, que julgo ter a mesma postura há demasiados anos para o que se passou ser considerado anormal,..."

    Aqui estamos plenamente de acordo! O que se passou, vindo de quem vem, não me surpreende nada. De ti, do Iouri, da Raquel surpreenderia muito. Daí a distinção. É evidente que não espero que crucifiquem o Figueira; agora o que se passa retira-vos muita margem para crítica. A não ser que defendam uma conduta para os membros do 5 Dias e outra para os outros cidadãos.

    Finalmente, concordo com a análise do Ricardo Alves sobre o PS, e deixa-me dizer-te que ele criticava muito mais o Sócrates que eu. Mas não são as nossas divergências que vão alterar a amizade e o respeito que tenho por ti. Um abraço.

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  17. boa noite ricardo
    gostaria de desenvolver um pouco, não a história algo secante do figueiragate, mas a parte da alegada diferença entre o ps e o psd, em que não obstante eu reconhecer que essas medidas que o ricardo citou, foram da iniciativa do ps e portanto postas em prática, eu devo dizer que concordo em parte com o que o renato disse.
    Se existirem diferenças Ricardo, as que contabilizo são pequenas demais,e só aumentaram porque enfim, a chegada de passos coelho á liderença pressupôs uma guinada á direita no partido. Contudo, e especialmente no ultimo ano, não se notou uma guinada ou consolidação do perfil social-democrata, e sinceramente creio que era muito dificil ou talvez mesmo improvável conseguir isso, dado a agressividade das medidas que constavam dos diferentes pecs que foram sendo feitos, e que apresentam uma orientação em todo oposta a uma governação de esquerda.Recordo o principal argumento do ps para o pec IV não ser chumbado em que este apenas seria um pouco menos agressivo que o plano do fmi.Eu como cidadão apenas digo que isso revela o desvio ideológico sofrido pelo ps nos anos de sócrates, pois as unicas diferenças com o psd, reduziram-se ao ps.. digamos bater mais devagarinho e fazer menos feridas e o psd agredir com mais força.
    Isto para não falar das privatizações que foram feitas no governo de guterres, nas parcerias publico-privadas, do encerramento de Maternidades ( se correia de campos é de esquerda, então eu nao sei o que é a esquerda),etc..
    Queria mandar um abraço para vocês e desejar que continuem aqui o trabalho de abordar os problemas do pais
    Rui

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