domingo, 26 de agosto de 2012

António Borges, "ministro na sombra"

 João Paulo Batalha, mem­bro da Direção da TIAC, escreveu críticas certeiras e pertinentes no Público. Não posso deixar de destacar algumas partes (negrito acrescentado):

«Obcecados com as sonda­gens que ditam a sua vida ou morte política, é com­preen­sível que alguns destes [decisores políticos] sus­pirem por uma vida mais sim­ples, em que o jul­ga­mento público não fosse tão rápido e impiedoso. [...]
Em democ­ra­cia, com o poder vem respon­s­abil­i­dade. E escrutínio, nem sem­pre justo. São as regras do jogo. Ou eram. Porque em Por­tu­gal há um min­istro que gov­erna sem a maçada das sonda­gens, do escrutínio público, da prestação de con­tas no Par­la­mento. A chuva que fustiga Vítor Gas­par ou Álvaro San­tos Pereira não molha António Borges. Para ele, com grande poder não vem na ver­dade respon­s­abil­i­dade alguma.

Ex-quadro da Gold­man Sachs e do FMI, ex-banqueiro e admin­istrador de inúmeras empre­sas, Borges foi con­tratado por Pas­sos Coelho para asses­so­rar o Gov­erno na con­dução das pri­va­ti­za­ções. O homem acaba por refle­tir o processo: se nas pri­va­ti­za­ções falta transparência e debate público, não destoa que o seu coor­de­nador seja um homem que só aparece quando quer, que toma as suas decisões à porta fechada e não preste expli­cações aos por­tugue­ses, ao Par­la­mento ou sequer ao Con­selho de Min­istros, onde nem tem assento.

Claro que, tec­ni­ca­mente, as decisões não são dele. É um mero asses­sor. É isso que lhe per­mite, por exem­plo, dar uma entre­vista à TVI expli­cando todos os por­menores da pri­va­ti­za­ção da RTP, anun­ciando o encer­ra­mento do segundo canal, os con­tornos de um even­tual mod­elo de con­cessão, até o futuro dos tra­bal­hadores da empresa; e respon­dendo sim­ples­mente “terá de per­gun­tar ao Gov­erno” sem­pre que uma per­gunta o enfada ou embaraça.

Asses­sores há muitos, como diria o come­di­ante, mas António Borges não é um asses­sor qual­quer. Por ele pas­sam proces­sos mil­ionários, sem que este­jam (nem de perto nem de longe) acaute­la­dos even­tu­ais con­fli­tos de inter­esses decor­rentes das lig­ações que con­tinua a ter ao setor pri­vado. É no seu gabi­nete que se definem muitos negó­cios do Estado, cujo impacto (económico, político e social) sobre o país só será em muitos casos inteira­mente medido daqui a vários anos. Em suma, António Borges é um autên­tico ministro-sombra, ou mel­hor dizendo, um min­istro na sombra.

Perdemos todos com esta falta de transparên­cia. Porque sem saber­mos exata­mente quem este homem é – e quem serve, no fim de con­tas – torna-se impos­sível escruti­nar a sua atu­ação. Impossível, por exem­plo, perce­ber porque se apres­sou António Borges a con­sid­erar justo o preço ofer­e­cido pelos brasileiros da Camargo Côr­rea pela Cim­por, quando a própria admin­is­tração da empresa o con­siderou baixo – não cos­tuma ser o vende­dor a regatear o preço!
[...]
Em Por­tu­gal, a con­tratação pública não é trans­par­ente, os negó­cios do Estado com pri­va­dos (sejam privatizações, con­cessões ou PPP) não são trans­par­entes, a política não é sufi­cien­te­mente trans­par­ente, a Justiça não é nem trans­par­ente nem percetível. Mas ao menos sabíamos quem man­dava. Hoje, ao que parece, manda quem sabe, no recato som­brio onde nunca se molha, e obe­dece quem deve.

1 comentário :

  1. merda jãovascu sabias quem mandava?

    atão diz-me onde foram parar os 3000 milhões em obras dos últimos 7 anos aqui nas obras do regime?

    e quem mandou levantar a ciclovia de 200 mil x3
    umas 3 vezes para meter os esgotos e as canalizações?

    é que por aqui ninguém sabe

    já quem reavalia as casas e vota sempre a favor das finanças ou da câmara do honesto partei
    toda a gente sabe quem é

    mas quem os mandou avaliar um troço de 4500 metros quadrados por 3 milhões para passar uma estrada com 1 viaduto por cima que custou outros 3...

    isse ninguém sabe...

    quem vive quem vive
    putogale putogale putogale

    quem manda quem manda

    salazar salazar salazar...

    e mesmo nesse tempo havia muito mais qquem mandasse

    olha o senhor governador que ganhava uma casa em cada renque de dez ou doze

    ou o tenreiro que ganhava uma traineira em cada oito
    eram todas feitas de madeira de pinho aqui nos estaleiros do deserto

    agora curiosamente em vez de botes e traineiras

    o deserto tem 500 barcos de recreio estacionados que metem o do Velges num chinelo....

    e o do Velges era o único do deserto
    700 contos de iate de 12 metros...

    agora há cá um do figurão da RTP
    com 15 metros e 30 com estofos a imitar leopardo ou leopardo mesmo e com motores de 100 mil cada...
    mas é em fibra de vidro
    nã deve ter sido feito nos estaleiros

    até porque os operários do estaleiro estão ou mortos ou na reforma a 200 euros por mês
    ou os aprendizes andam no RSI ou a arrumar carros
    eram aprendizes em 81...mas começaram a snifar coca...cola
    inda há 2 vivinhos da silva
    havia 2 na prisa mas já devem ter morrido...

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