quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sair à rua de novo

A manifestação de dia 15 de Setembro foi a maior desde o PREC. Graças aos efeitos da enorme mobilização popular, Pedro Passos Coelho chegou mesmo a considerar a demissão, e a infame medida que propunha para alterar a TSU foi derrotada.

As manifestações, se forem muito participadas, podem ter impacto. 
Vale a pena sair à rua no dia 2 de Março. 


Para quem tem conta no facebook, aqui está o evento. Se acharem que vale a pena, convidem vossos contactos. Ter uma manifestação forte e participada depende da mobilização de cada um.

Para quem não tem conta no facebook, posso informar que vão existir manifestações em Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Coimbra e Londres (eventualmente poderão vir a surgir mais). A manifestação em Lisboa tem início às 16h00 no Marquês de Pombal e termina no Terreiro do Paço.

Aqui segue o manifesto que orienta esta acção política:



Em Setembro, Outubro e Novembro enchemos as ruas mostrando claramente que o povo está contra as medidas austeritárias e destruidoras impostas pelo governo e seus aliados do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu – a troika. 
Derrotadas as alterações à TSU, logo apareceram novas medidas ainda mais gravosas. O OE para 2013 e as novas propostas do FMI, congeminadas com o governo, disparam certeiramente contra os direitos do trabalho, contra os serviços públicos, contra a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde, contra a Cultura, contra tudo o que é nosso por direito e acertam no coração de cada um e cada uma de nós. Por todo o lado, crescem o desemprego e a precariedade, a emigração, as privatizações selvagens, a venda a saldo de empresas públicas, enquanto se reduz o custo do trabalho.

Não aguentamos mais o roubo e a agressão. 

Indignamo-nos com o desfalque nas reformas, com a ameaça de despedimento, com cada posto de trabalho destruído. Indignamo-nos com o encerramento das mercearias, dos restaurantes, das lojas e dos cafés dos nossos bairros. Indignamo-nos com a Junta de Freguesia que desaparece, com o centro de saúde que fecha, com a maternidade que encerra, com as escolas cada vez mais pobres e degradadas. Indignamo-nos com o aparecimento de novos impostos, disfarçados em taxas, portagens, propinas… Indignamo-nos quando os que geriram mal o que é nosso decidem privatizar bens que são de todos – águas, mares, praias, território – ou equipamentos para cuja construção contribuímos ao longo de anos – rede eléctrica, aeroportos, hospitais, correios. Indignamo-nos com a degradação diária da nossa qualidade de vida. Indignamo-nos com os aumentos do pão e do leite, da água, da electricidade e do gás, dos transportes públicos. Revolta-nos saber de mais um amigo que se vê obrigado a partir, de mais uma família que perdeu a sua casa, de mais uma criança com fome. Revolta-nos o aumento da discriminação e do racismo. Revolta-nos saber que mais um cidadão desistiu da vida.

Tudo isto é a troika: um governo não eleito que decide sobre o nosso presente condicionando o nosso futuro. A troika condena os sonhos à morte, o futuro ao medo, a vida à sobrevivência. Os seus objectivos são bem claros: aumentar a nossa dívida, empobrecer a maioria e enriquecer uma minoria, aniquilar a economia, reduzir os salários e os direitos, destruir o estado social e a soberania. O sucesso dos seus objectivos depende da nossa miséria. Se com a destruição do estado social a troika garante o financiamento da dívida e, por conseguinte, os seus lucros, com a destruição da economia garante um país continuamente dependente e endividado. 

A 25 de Fevereiro os dirigentes da troika, em conluio com o governo, iniciarão um novo período de avaliação do nosso país. Para isto precisam da nossa colaboração e isso é o que não lhes daremos. Porque não acreditamos no falso argumento de que se nos “portarmos bem” os mercados serão generosos. Recusamos colaborar com a troika, com o FMI, com um governo que só serve os interesses dos que passaram a pagar menos pelo trabalho, dos bancos e dos banqueiros, da ditadura financeira dos mercados internacionais. E resistimos. Resistimos porque esta é a única forma de preservarmos a dignidade e a vida. Resistimos porque sabemos que há alternativas e porque sabemos que aquilo que nos apresentam como inevitável é na verdade inviável e por isso inaceitável. Resistimos porque acreditamos na construção de uma sociedade mais justa.

A esta onda que tudo destrói vamos opor a onda gigante da nossa indignação e no dia 2 de Março encheremos de novo as ruas. Exigimos a demissão do governo e que o povo seja chamado a decidir a sua vida. 

Unidos como nunca, diremos basta.

A todos os cidadãos e cidadãs, com e sem partido, com e sem emprego, com e sem esperança, apelamos a que se juntem a nós. A todas as organizações políticas e militares, movimentos cívicos, sindicatos, partidos, colectividades, grupos informais, apelamos a que se juntem a nós. De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas! 

QUE SE LIXE A TROIKA. O POVO É QUEM MAIS ORDENA!


Ada P. Silva, Adriano Campos, Ana Gonçalves, Ana Margarida Esteves, Ana Maria Pinto, Ana Nicolau, André Ferreira, Angela Cerveira, Ângela Fernandes, António Costa Santos, António Louçã, António Mariano, António Simões do Paço, Belandina Vaz, Bruno Cabral, Bruno Carvalho, Bruno Gonçalves, Camilo Azevedo, Carla M. Cardoso, Carlos Mendes, Cristina Cavalinhos, Cristina Paixão, Francisco Calafate Faria, Frederico Aleixo, Frederico Duarte, Helena Dias, Helena Romão, Inês Meneses, Inês Subtil, Inês Tavares, Isabel Louçã, Jaime Teixeira Mendes, Joana Manuel, Joana Saraiva, Joana Viana, João Balão, João Camargo, João Gustavo, João Mineiro, João Vasco Gama, Jorge Falcato, José Gema, José Luís Garcia, Laura Alves Diogo, Lúcia Gomes, Luís Bernardo, Luís Ribeiro, Luísa Ortigoso, Marco Marques, Maria Luísa Cabral, Mariana Avelãs, Marta Silva, Miguel Cardina, Milé Sardera, Myriam Zaluar, Nuno Gomes dos Santos, Nuno Ramos de Almeida, Nuno Serra, Nuno Viana, Otávio Raposo, Paula Gil, Paula Nunes, Paulo Raposo, Pedro Rocha, Ricardo Morte, Ricardo Santos, Rita Veloso, Rui Borges, Rui Dinis, Samuel Quedas, Sara Boavida, Sara Gonçalves, Sara Goulart, Sérgio Vitorino, Sofia Gomes, Tatiana Moutinho, Tiago Figueiredo, Tiago Mota Saraiva


2 comentários :

  1. É preciso impedir que a propaganda forte feita nos últimos dias por este governo adormeça a opinião pública. Este regresso aos mercados foi um golpe de teatro encenado com o BCE e os bancos portugueses. Enquanto isso o desemprego não pára de aumentar e enquanto os impostos aumentam o estado social continua a ser destruído. Isto não pode continuar.

    http://tragediadivina.blogspot.pt/

    ResponderEliminar

As mensagens puramente insultuosas, publicitárias, em calão ou que impeçam um debate construtivo poderão ser apagadas.