terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O PCP e o Mali

Não há qualquer necessidade de tomar posição sobre todas as guerras do mundo, nem mesmo para um partido político. Começa portanto por ser estranha esta obsessão do PCP de tomar posição até sobre a guerra no Mali. Ou melhor: sobre a «intervenção militar estrangeira no Mali». Porque, curiosamente, o PCP nada diz nos seus comunicados sobre o islamismo, o seu papel na opressão dos malianos, em particular das mulheres e dos que não querem seguir a sua interpretação estrita do Islão. Não: o que interessa aos comunistas portugueses é que a França interveio no Mali; que o tenha feito contra um grupo islamofascista é irrelevante.

Alguma esquerda radical (não exclusivamente o PCP) afunda-se nesta total desorientação geoestratégica desde o final da guerra fria. Há mais de 20 anos que continuam a opor-se «pavlovianamente» a tudo o que se opunham antes (à OTAN, aos EUA...) e usando uma linguagem datada em que os protagonistas são sempre as «potências imperialistas», motivadas por desejos de «domínio neocolonial» e pelo interesse em «controlar e explorar os abundantes recursos naturais». O islamismo é sempre um mero «pretexto» e até um «resultado concreto da estratégia imperialista de instigação de conflitos sectários, religiosos e étnicos» (sic).

E no entanto, o actual movimento islamista internacional «resulta» mais da Arábia Saudita e das petromonarquias do Golfo do que dos EUA e da Europa. Tem uma ideologia própria, muitíssimo mais reaccionária e prejudicial aos indivíduos do norte do Mali do que a democracia de tipo europeu. O PCP, aparentemente, não quer saber disso.

36 comentários :

  1. Ontem no RT foi giro... a jornalista a perguntar ao ex-embaixador britânico na Argélia "mas entäo porquê esta intervençäo agora contra os islamitas no Mali, quando a mesma OTAN apoia militarmente os islamitas ligados à AL-Qaeda noutros sítios?"
    O gajo calado que nem um rato... depois balbuciou: "... mmmaaaaaaaas onde?"
    e ela "na Síria, por exemplo, como já na Líbia"
    e o gajo na mesma sem saber o que dizer "... mmmmaaaah, mas isso é diferente... porqueeeee... aqui näo é um povo aaaa... levantar-se contra um ditador, é os islamitas a quererem criar um estado islâmico..."
    Dá-me ideia que ele nunca mais vai aceder a ser entrevistado na RT!
    Até me deu vontade de rir, se näo fosse täo trágico.

    Como e näo se soubesse já o que vai acontecendo na Líbia, e näo se soubesse já que o Al-Nasru (o tal que fez estoirar a Universidade de Damasco, 80 mortos, e nos merdia ocidentais foi nota de rodapé) ou raio que o parta da Síria está ligado à Al-Qaeda.

    A OTAN nada aprendeu com o Afeganistäo. Repetiu os mesmos erros na Líbia e Sìria, porque se estäo a cagar para os civis, querem é governos-fantoche para que os do costume dominem os recursos naturais, e continuam a pensar que podem controlar os islamofascistas só porque lhes däo armas... enfim... ou entäo é de propósito! Só pode!

    Uma coisa é certa: isto no Mali nunca aconteceria se a OTAN näo tivesse apoiado os islamofascistas na Líbia. E a Líbia de hoje em dia é um inferno comparado com os tempo do Kaddafi, mas isso já näo interessa aos merdia ocidentais.

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    1. Pois eu acho que o PCP tem toda a razão.
      Independentemente de o islamismo ser bom ou mau, não temos nada que ir lá meter o bedelho. Os malianos que tratem dos assuntos deles. Se não gostarem dos islamitas, compete-lhes a eles limpar-lhes o sebo.
      Nós também devemos limpar o sebo aos islamitas, mas somente cá na nossa terra, se eles cá vierem meter-se connosco.
      As forças armadas servem para autodefesa, não para fazer guerras noutros países.

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    2. Maquiavel, não exageres.

      1) Na Síria, existem meia dúzia de grupos reconhecíveis na luta contra o regime de Assad, dos quais o principal é formado pelos dissidentes do exército sírio (o «Exército Livre Sírio»). Há grupos islamistas e grupos curdos, também. Quanto à atitude dos EUA, convém notar que declararam «terrorista» o principal grupo islamista:

      http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2012/12/2012121117048117723.html

      2) Na Líbia, os islamistas também parecem ter sido minoritários na guerra contra Cadáfi. Mais: é o único país do Magrebe onde a Irmandade Muçulmana perdeu as eleições (teve 10%, muito abaixo dos resultados do Egipto ou da Tunísia). Tem todos os problemas que eram de esperar depois de uma longa ditadura repressiva e de uma guerra civil sangrenta, mas em tempo (antes do início da guerra civil) exprimi neste blogue o meu repúdio pelo semi-«cadáfismo» de Luís Amado e Sócrates.

      De qualquer modo, qual é a sua posição? Sugere que se defendam as ditaduras de Assad ou Cadáfi (esta já não vamos a tempo de discutir) porque os EUA apoiam/aparentam apoiar os revoltosos?

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    3. Luís Lavoura,
      o governo internacionalmente reconhecido do Mali pediu ajuda. A ONU aprovou essa ajuda. Não entendeu a lição do Afeganistão? Se nada tivesse sido feito, os islamistas estariam agora às portas da capital do Mali. E teríamos um regime tipo talibã logo ali a seguir à Mauritânia.

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    4. RA, mas tu bebeste alguma coisa marada?
      Na Líbia o comandante militar de Trípoli era um taliban líbio, apanhado pela OTAN no Afeganistäo, e libertado na condiçäo de ir combater o Kaddafi.
      Na Líbia decorrem limpezas étnicas, e näo só contra pretos.
      E na Líbia o Código Civil É A SHARIA!

      A minha posiçäo? Para derrubar ditadores näo se armam islamofascistas!
      Se na Tunísia e Egipto a Sharia ainda näo é a base legal é porque os "Irmäos Muçulmanos" näo foram armados por potências estrangeiras, e desse modo näo matam nem estrafegam os seculares que se lhes opöem!

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    5. O comandante militar de Tripoli tinha sido entregue à Líbia de Cadáfi pela CIA, para ser torturado. Pode imaginar o imenso «filo-americanisno» da criatura. (O que também só mostra como o género de análises feitas pelo PCP está desactualizada.)

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    6. Estou-me a borrifar para o «filo-americanisno» da criatura, o que é perigoso é o seu «filo-islamofascismo».

      E sendo assim, näo admira que assim que os islamofascistas se virem contra os ianques assim que se livram do inimigo imediatamente anterior, näo é? Olha o consul de Bengazi...

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    7. A briga tá boa !!! Criatura se voltando contra o Dr. Frankenstein.

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  2. De acreditarmos nalgumas informações, no conflito atual joga um papel importante o tráfico de drogas.

    http://www.spiegel.de/international/world/a-trip-through-hell-daily-life-in-islamist-controlled-north-mali-a-864014.html

    Em todo acho especialmente acertada a primeira primeira frase. Quando não se sabe o melhor e ficar calado.

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    1. Esse artigo da Der Spiegel é bastante bom na descrição do regime totalitário imposto pelos islamistas no norte do Mali. E acrescenta que podem estar ligados ao tráfico de droga (ou seja, os mesmos que proíbem o alcóol e a música... traficam droga).

      Cada vez encontro mais razões para concordar com a intervenção francesa.

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    2. A intervençäo francesa só serve para controlar os danos feitos depois de terem armado os islamofascistas. Tal como no Afeganistão.
      Nesta altura do campeonato não há que concordar ou discordar da intervenção francesa, é o MÍNIMO que säo obrigados a fazer depois do tiro lhes ter saído pela culatra.

      E quanto ao "mauzäo" falecido...
      http://www.ionline.pt/mundo/libia-onu-tinha-tudo-preparado-distinguir-kadhafi-defensor-dos-direitos-humanos

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    3. Explique-me lá onde e quando a França apoiou o Ansar al-Dine. Referência, por favor.

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    4. De acordo com esta referência,

      http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2013/jan/22/mali-fastest-blowback-war-on-terror

      e muitas outras, a intervenção na Líbia resultou num descontrolo total de armamento, entre o que os ocidentais deram aos rebeldes da sharia democrática, e as pilhas que venderam ao Kadhafi (lembro, um fiel aliado e amigo na "luta contra o terror"). Essas armas estão agora nos grupos do Mali, ou no grupo que fez o recente ataque na Argélia. Não é um, são vários tiros de intervenções ocidentais que saem pela culatra. Continuar a acreditar que há algum interesse que não seja perpetuar a máquina de guerra, os lucros da indústria militar, e garantir recursos naturais, é que é bastante ingénuo na minha opinião. (Isto apesar de eu partilhar a repugnância e o horror pelos extremistas islâmicos do Ricardo Alves).

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    5. OK, as armas da Líbia chegaram ao Mali.

      Mas: e o que diz às mulheres e aos homens do norte do Mali, que têm que lidar no dia-a-dia com um regime fundamentalista? (Veja o link da Der Spiegel, embora haja muitos outros.) E o que dizemos ao próprio governo do Mali, que pediu ajuda? Que se desenrasque sozinho?

      Quanto à indústria militar, e ao acesso a recursos naturais: partindo do princípio que é esse o interesse da França, prefere que seja a Arábia Saudita a recolher os lucros? É que se quer transformar isto numa escolha entre a Arábia Saudita e a França...

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  3. A intevenção ocidental para combater o islamofascismo é muito bonita, mas acharia que nesta altura qualquer pessoa informada (onde o Ricardo Alves de certeza se inclui) soltaria um riso irónico ao ouvir os ocidentais falar em "liberdade" e "democracia" em relação ao mundo (árabe).

    Estes "hardliners" da sharia estão e estiveram na linha da frente na Líbia e na Síria, por muito que o nosso "wishful thinking" o contrarie. Gostávamos muito que fosse um verdadeiro movimento revolucionário em busca de uma vida melhor para todos, mas mesmo os movimentos que começaram assim foram rapidamente controlados pelos extremistas islâmicos. Aliás, no Mali, a sucessão de golpes militares e atrocidades (com total conivência do ocidente) originou um movimento secular tuareg de independência do norte do Mali (MNLA), que depois vieram os grupos extremistas de dentro e fora do Mali, melhor armados, e tomaram conta daquilo.

    O último parágrafo acerta em cheio, quando diz que é a monarquia super-reaccionária saudita (e vizinhos equivalentes) quem financia estes grupos extremistas. Agora falta só fazer a ligação seguinte, que é lembrar que os EUA e os europeus parecem ceguinhos neste aspecto. Quem vende armas aos sauditas e aos emirs são os ocidentais. Quem vai ao Bahrain com cara de pau dizer que "Sim senhor, estão a fazer grandes progressos democráticos" e vender armas é o David Cameron. A Arábia Saudita é o maior parceiro dos americanos na região, e o islamofascismo lá não incomoda ninguém. E finalmente, quem consistentemente arma e treina estes movimentos (seculares, fascistas, extremistas islâmicos), desde que momentaneamente se alinhem os interesses, são os americanos (e os europeus). Acabam mais tarde a fazer uma "invervenção humanitária pela liberdade e democracia" quando os anteriores heróis treinados e armados numa "invervenção humanitária pela liberdade e democracia" deixam de ser convenientes.

    O que é consistente é perder-se a hipocrisia de fingir que há algum interesse por liberdade e democracia no meio disto.

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    1. Eu critico a Arábia Saudita pelas mesmas razões que critico os islamistas do norte do Mali. Que os EUA estejam em contradição ao serem coniventes com uns e confrontacionais com outros é o problema deles. O meu é que não consigo separar a condenação pelos regimes da Arábia Saudita e do norte do Mali. E que caia um, é bom. (Os dois, seria óptimo.)

      Quanto à Síria e à Líbia, repito: sim, os islamistas estão lá, mas parecem ser minoritários. E na Líbia os islamistas tiveram em eleições um resultado bem inferior (10%) ao do Egipto (48%) e ao da Tunísia (40%).

      Até posso concordar com a sua análise da guerra no norte do Mali: os tuaregues nacionalistas e laicos foram derrotados pelos seus aliados, melhor apoiados pelos sauditas e pelo Golfo.

      Mas, assumindo que a França e os EUA são puramente cínicos em tudo isto, explique-me: qual é a alternativa? É olharmos para o lado, assobiando, enquanto se implanta um regime teocrático a duas ou três horas de avião daqui?

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    2. Deixe-me responder aos dois comentários num só. (E já agora, também me chamo Ricardo, para não andar aqui sempre anónimo).

      No que diz respeito à sua coerência, eu admiro-a e não estou a criticá-la. Partilhamos a condenação que fazemos à Arábia Saudita e ao extremismo islâmico. Agora, a diferença é que eu não acredito que regimes que vendem armas aos sauditas (que depois vão parar a estes grupos) tragam democracia a sítio algum. Até ponho isto de outra forma. Se admitirmos que, mesmo com as boas intenções, os países ocidentais só decidam agir em certos casos, até podemos aceitar, nessa lógica de "antes um regime extremista do que dois". Agora não podemos é esperar que quem é totalmente cúmplice com um dos regimes tenha alguma legitimidade para resolver o problema do outro (já vou à minha alternativa mais abaixo). Seria diferente se os EUA condenassem o regime saudita e nada fizessem. Quando são eles que dão as armas para se reprimir a luta pela liberdade lá, no Bahrein, e arredores, a história é diferente. Por exemplo, uma pessoa que se refere ao Suharto como "our kind of guy" claramente está-se nas tintas para direitos humanos.

      Outro aspecto a ter em conta é o historial das intervenções (ou não) intervenções ocidentais em crises africanas (podíamos falar doutros continentes também. Houve um genocídio no Ruanda em que foram chacinadas 800 000 pessoas numa questão de semanas, e o ocidente nada fez. Saiu de lá o mais depressa que pôde, e os franceses venderam machetes e armas aos líderes responsáveis pelo massacre. Foram os ruandeses que "resolveram o seu problema" quando o Paul Kagamé trouxe a sua frente armada. O ocidente respondeu depois deixando passar todos os abusos e totalitarismos do Paul Kagamé até hoje. É um exemplo como muitos outros.

      Em relação à Síria e à Líbia, eu gostava de estar enganado, mas acho que não estou. Deixo aqui artigos do Guardian (que têm links lá dentro), mas se o Ricardo tiver outras fontes peço que me mostre:

      Síria: http://www.guardian.co.uk/world/2013/jan/17/syria-crisis-alqaida-fighters-true-colours

      Líbia: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2012/sep/13/chris-stevens-libya-brutal-death

      Agora não encontro outros artigos sobre as milícias islâmica que impõem a sharia com a lei da espingarda, ou como Benghazi era um dos grandes pólos de recrutamento para a jihad.

      Finalmente, chegamos ao Mali. É verdade que o "governo" pediu ajuda. Mas que legitimidade tem este governo? É só mais um numa triste sequência de golpes de estados e regimes militares, sempre com o apoio/treino americano por perto. Alguns aspectos estão neste artigo:

      http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2013/jan/14/mali-france-bombing-intervention-libya

      Estes governos militares também têm historiais vergonhosos de direitos humanos, e a tradição de discriminação e massacres dos tuaregs vem de há décadas. A melhor alternativa, na minha humilde opinião, seria uma solução política mediada pela União Africana. Aliás, a União Africana tentou várias vezes que houvesse um cessar-fogo e uma negociação na Líbia, que os rebeldes aconselhados e armados pelo ocidente sempre recusaram. Tropas da União Africana, ou da organização de estados da África Ocidental (em geral uns déspotas terríveis, mas com interesses menos dúbios que os americanos), impunham um cessar-fogo e uma negociação entre as partes, para se tentar encontrar uma solução. É difícil imaginar este tipo de intervenções a ter grande sucesso, ainda mais num terreno onde estas milícias jogam "em casa".


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    3. "Quanto à atitude dos EUA [na Síria], convém notar que declararam «terrorista» o principal grupo islamista: [o Al-Nasru]" e convém igualmente notar que a Coligaçäo Nacional Síria ficou muito agastada com tal decisão e pediu aos EUA que a revisse.

      Entretanto, os curdos no Noroeste da Síria, que se têm mantido neutrais, apenas aproveitando o vazio de poder local para criar estruturas sociais locais (incluindo escolas), foram atacados ontem à força toda pelo "Exército Livre da Síria"...

      ...

      Relativamente a África, já há ataques islamitas na Nigéria, e parece qua o governo da Rep. Centro-Africana anda a pedir há meses que os ajudem a combater rebeldes (näo sei se islamitas), sem que tal apareça nos media ocidentais...

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    4. Ricardo «unknown»,
      a verdade é que da intervenção euro-americana na Líbia saiu um regime que já fez eleições onde os islamistas, repito, tiveram o pior resultado da região. Há islamistas à solta e com armas, pois há. Ficam sempre uns radicais armados depois de qualquer guerra civil. Mas hoje há um regime melhor na Líbia, e em parte devido à intervenção daqueles que mantêm a ditadura do Bahrein, por exemplo.

      Na Síria, e a acreditar na wikipedia, os dissidentes do Exército sírio parecem ser a maior facção insurgente, aparentemente muito mais representativa do que os jihadistas ou os curdos.

      Quanto ao apoio da União Africana, já está em curso:

      http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3026452&seccao=%C1frica&page=-1

      Parece-me é que se a UA tivesse sido a primeira a avançar, para lá do problema da menor eficácia teria podido reacender tensões regionais...

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    5. A acreditar na France24 de hoje mesmo, os oficiais seniores desertores estäo a ser corridos da liderança do "Exército Livre da Síria", sendo substituídos por islamitas (ou como disseram, "jihadistas"), alguns deles com experiência militar na... cof cof cof... Líbia!
      AH, deve ser porque o oposiçäo ao Assad anda a dizer que afinal até se pode sentar a negociar...

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    6. Já agora: a entrevista que indico abaixo afirma que os islamistas do Mali combateram ao lado de Cadáfi.

      http://www.rue89.com/2013/02/01/nord-mali-cest-maintenant-que-la-guerre-va-commencer-239184

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    7. Se é isso que percebeste do texto, recomendo-te que tires um curso de francês.
      Quem combateu ao lado de Kadaffi foram os tuaregues independentistas seculares, desde há mais de 30 anos. E que há mais tempo ainda combatem o exércitos maliano e nigerino (e antes disso o francês)... e desde 2012 o Ansar Dine.
      Na tradiçäo tuaregue secular independentista surgiu o MNLA
      http://en.wikipedia.org/wiki/National_Movement_for_the_Liberation_of_Azawad
      que aglomerou todos os que queriam a independendência. É óbvio que a frase
      "We confirm and underline that the combatants who returned from Libya, fought with the NTC (National Transitional Council) forces more than they did with Ghadafi's forces." é para ver se näo passam por "maus da fita" à vista dos vencedores na Líbia (ler no artigo em francês), o que é compreensível. Para ver se eles esquecem que quem depois da vitória deu guarida ao filho do Kadaffi foram... os tuaregues.

      Depois, como já foi aqui referido e está também no artigo em francês, o movimento independentista tuaregue foi sequestrado pelos islamitas (Ansar Dine e seus comparsas), melhor armados e melhor financiados pelos petrodólares do Golfo Pérsico.

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    8. «Les Touaregs qui ont servi Kadhafi en Libye, après sa chute, sont revenus au Mali, avec un armement très sophistiqué, des missiles, des batteries anti-aériennes… Un armement qu’ils n’ont pas encore utilisé…»

      Veja também a evolução do líder dos islamistas malianos, e como passou do MNLA para o Ansar Dine. Os petrodólares são a raiz do mal...

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  4. O PCP tem toda razão em alfinetar a França... afinal esta tem um passado e presente sangrentos na África. Basta recordar do apoio desta ao mafioso Bokassa (que presentou Giscard com diamantes) ou da cumplicidade direta com o holocausto de Ruanda. Sem falar que a França continua apoiando inumeras republiquetas na África...contribuindo pro aumento da fome e exploração. A França combater o "islamofascismo"?? Otima anedota... Hollande e a gang dele tem "grand affaire" com as lideranças islamicas do Golfo... apóia islamistas contra o presidente Assad. O "perigo islamico" no Mali sao as riquezas deste pobre pais explorado pela França. É engraçado acusar o PCP de "pavloviano". Qualquer governo que nao agrade a OTAN... é "ditadura" "terrorista" etc. aliás... depois de tantos anos... eu digo.. o 11/9 ... diante dos "pecadilhos" do Pentagono... é uma festinha de criança.
    O PCP tem dando uma lição de moral no PS (e seus seguidores).
    Parabens, PCP!

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    1. Stefano: não dei conta de o PCP criticar o «imperialismo» russo na Chechénia ou na Geórgia.

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  5. Durante a agressão contra a Líbia, franceses e britânicos recorreram amplamente á utilização de islamitas para combater o poder estabelecido em Trípoli já que, depois de lograr a ocupação de Bengazi, os separatistas da região líbia da Cirenaica não estavam interessados em derrubar Muammar el-Kadhafi. No momento da queda da Jamahiria, eu fui testemunha pessoal da recepção que os membros do Conselho Nacional de Transição reservaram aos dirigentes do AQMI [1], no hotel Corinthia, que acabava de ser tomado por um grupo britânico especializado trazido expressamente do Iraque. Era evidente que o próximo alvo do colonialismo ocidental seria a Argélia e que o AQMI teria um papel a desempenhar nisso. Mas eu não via naquela altura que conflito podia ser utilizado para justificar uma ingerência internacional.

    Aí Paris orquestrou um cenário que introduz a guerra na Argélia, a partir do Mali.

    Pouco antes da OTAN tomar Trípoli, os franceses lograram subornar vários grupos tuaregues. Tiveram tempo de os financiar abundantemente e de os armar, mas já era tarde para que pudessem desempenhar algum papel no terreno. Com o fim da guerra, esses grupos regressaram ao deserto.

    Os tuaregues são um povo nómada que se move no Saara central e nos bordos do Sahel, ou seja num vasto espaço dividido entre a Líbia e a Argélia, assim como no Mali e Níger. Obtiveram a protecção dos dois primeiros, mas foram abandonados pelos outros dois. Devido a tal, desde os anos 60 os tuaregues não pararam de questionar a soberania do Mali e do Níger sobre as terras do povo tuaregue. Logicamente, os grupos que a França armou decidiram utilizar essas armas para concretizar as suas reivindicações no Mali. O Movimento Nacional para a Libertação do Azawad (MNLA) toma então o poder em quase todo o norte do Mali, zona onde vivem os seus membros. Mas um grupúsculo de islamitas tuaregue, conhecido como Ansar Dine e vinculado ao AQMI, aproveita a situação para impor a sharia em várias localidades.

    A 21 de março de 2012 dá-se no Mali um estranho golpe de Estado. Um misterioso «Comité Nacional para a Reconstrução da Democracia e a Restauração do Estado» (CNRDRE) derruba o presidente Amadou Toumani Touré e proclama a sua intenção de restaurar a autoridade maliana no norte do país. O resultado é uma grande confusão dado que os golpistas são completamente incapazes de explicar de que modo a sua acção pode trazer alguma melhora á situação do país. O derrube do presidente Toumani Touré torna-se particularmente estranho já que se acontece apenas 5 semanas antes da eleição presidencial já programada e o presidente cessante não aspirava a reeleição. O CNRDRE, que se compõe de oficiais formados nos Estados Unidos, impede a realização da eleição presidencial e entrega o poder a um dos candidatos, o francófilo Dioncounda Traoré. O trespasse do poder – sem eleições – é legalizado pela CEDEAO [2], cujo presidente não é senão Alassane Ouattara, colocado no poder um ano antes por uma intervenção militar da França na Costa do Marfim.

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  6. O golpe de Estado acentua a divisão étnica no Mali. Unidades de elite do exército maliano (formadas nos Estados Unidos) comandadas por elementos da comunidade tuaregue unem-se á rebelião com todo o seu armamento.

    A 10 de Janeiro, o Ansar Dine – com o apoio de outros grupos islamitas – ataca a cidade de Konna. E sai assim de território tuaregue para estender a imposição da lei islâmica ao sul do Mali. O presidente de transição Dioncounda Traoré decreta o estado de emergência e solicita a ajuda da França. Paris intervêm, em questão de horas, para impedir que a capital, Bamako, caia nas mãos dos islamitas. Assombrosamente previsora, a presidência de França já tinha preposicionado no Mali elementos pertencentes ao 1o Regimento Paraquedista de Infantaria da Marina (conhecido em França como «a colonial») e o 13o Regimento de Dragões Paraquedistas, vários helicópteros do Comando de Operações Especiais, 3 aviões Mirage 2000D, 2 Mirage F-1, 3 aviões de transporte C135, um avião de transporte táctico pesado C130 Hercules e outro avião de transporte táctico C160 Transall.

    Na realidade, é muito pouco provável que o Ansar Dine tenha representado em algum momento uma real ameaça já que a verdadeira força combatente não são os islamitas mas sim os nacionalistas tuaregue, que não tinham nenhuma intenção de avançar apara o sul do Mali.

    A Argélia é um dos numerosos Estados aos que a França solicita ajuda para concretizar a sua intervenção militar no Mali. Argel vê-se então perante um difícil dilema: colaborar com a antiga potência colonial ou arriscar-se a enfrentar um refluxo terrestre dos islamitas. Depois de um período de hesitação, o governo argelino aceita abrir o seu espaço aéreo á passagem dos militares franceses. Apesar de tudo, um grupo islamita não identificado ataca uma instalação de produção de gás da British Petroleum no sul da Argélia, onde se apodera de uma centena de reféns, não só argelinos e franceses como de diferentes nacionalidades. Evidentemente, o objetivo é internacionalizar o conflito transportando-o para a Argélia.

    A técnica de ingerência da França reproduz a utilizada anteriormente pela administração Bush: utilizar grupos islamitas para criar conflitos e, posteriormente, intervir e instalar-se no terreno com o pretexto de resolver esses mesmos conflitos. É por isso que a retórica do presidente francês François Hollande reproduz a retórica da «guerra contra o terrorismo», já desenhada por Washington. Nesta reencenação aparecem de novo os protagonistas do costume: o Catar comprou acções nas grandes empresas francesas presentes no Mali e o emir do Ansar Dine está estreitamente ligado á Arabia Saudita.

    O bombeiro- pirómano é além do mais aprendiz de feiticeiro. A França decidiu reforçar o seu dispositivo antiterrorista n o território nacional, o plano Vigipirate. Paris não teme realmente que se dê um ataque dos islamitas malianos em território francês, mas sim o efeito de retorno dos jihadistas presentes na Síria. Com efeito, há 2 anos a DCRI [3] apoiou o recrutamento de jovens muçulmanos franceses dispostos a lutar contra o Estado sírio como membros do Exército «Sírio Livre». A debandada deste último está actualmente a provocar o retorno desses jihadistas ao país natal, onde poderão ver-se tentados – por solidariedade com o Ansar Dine – a utilizar as mesmas técnicas terroristas que lhes ensinaram na guerra contra a Síria.
    Thierry Meyssan

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  7. ...o Ricardo Alves parece nunca ter ouvido falar de Lawrence das Arábias...quanto a Chechénia e Georgia ( Ossétia do Norte )...os mesmos que estimulam agora as guerras em África, foram os responsáveis directos e indirectos das guerras nesses territórios...EUA/UE/NATO..o tal imperialismo, cuja crítica tanto incomoda Ricardo Alves...imperialismo que cada vez mais Povos em todo o planeta combatem e a luta dos Povos contra o imperialismo não se compadece com estados de alma.

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    1. Há vários anos que concluí que o Thierry Meyssan é um lunático, um mitómano, um conspiracionista tresloucado. O «kamarada» trouxe para aqui um longo texto dele que descreve a guerra no Mali como parte de um complô da França para defender interesses sauditas/qataris (terei compreendido bem?), e eu dou-lhe a mesma credibilidade que dei às alegações do Thierry sobre o 11 de Setembro ou ao célebre artigo do sr. Meyssan no Avante sobre a guerra síria: nenhuma.

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    2. ...é só o presidente da rede Voltaire....agora falando de credibilidade...e em relação ao 11/9...agora sabemos que tudo o que Tierry Meissan escreveu é verdade...o RA é que deve andar distraido, pois em relação ao verdadeiramente essencial nem uma palavra...opiniões subjectivas e tendenciosas acerca de pessoas com a integridade de Meyssan põem a nu quais as intenções de RA..a sua é só uma opinião entre milhões..." lunático, mitómano, tresloucado ", à falta de razão recorre à mais baixa e vil calúnia e a ataques pessoais...próprio de alguém com essas caracteristicas que imputa a outros...

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    3. Meyssan lunático e conspiracionista ??? que calunia mais horrivel contra ele. Quando alguém ofende alguem desta maneira, é porque está incomodado com a verdade.
      Os "conspiracionistas" são para as mentiras oficiais, o mesmo que a cruz é para o diabo.

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    4. Meyssan sobre a Síria.

      «Bachar el-Assad não tomou o poder e não pretendia sequer herdá-lo. (...) foi o seu povo que o investiu no cargo. Ele é incontestavelmente o líder político mais popular do Médio Oriente.»

      «Longe de sublevar a população contra o «regime», o banho de sangue provocou um sobressalto nacional em torno do presidente Bachar el-Assad. Conscientes de que querem arrastá-los para uma guerra civil, os sírios responderam em bloco. Ao todo, as manifestações antigovernamentais reuniram entre 150 mil a 200 mil pessoas, numa população de 22 milhões de habitantes. Em contrapartida, as manifestações pró-governamentais reuniram multidões nunca antes vistas no país.»

      «Definitivamente o plano de desestabilização da Síria está a funcionar mal. Já convenceu a população ocidental que este país é uma terrível ditadura, mas uniu a esmagadora maioria da população em torno do seu governo.»

      http://www.avante.pt/pt/1961/temas/115184/

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    5. Meyssan e o 11 de Setembro.

      «In 2002, he published the controversial work on the September 11 terrorist attacks—9/11: The Big Lie—in which Meyssan argues that such attacks were organized by a faction of what he calls "the US military industrial complex" in order to impose a military regime. The book was translated into 28 languages;[1] it was followed by Le Pentagate, a book arguing that the attack against the Pentagon was not carried out by a commercial airliner but a missile.
      The central thesis of Le Pentagate, that a Boeing 757 did not hit The Pentagon, has been heavily criticised by other prominent 9/11 conspiracists such as Jim Hoffman.[2][3][4]
      He started a campaign at the United Nations to initiate an international investigation commission to revisit the general consensus regarding the 9/11 attacks, but he was not able to reach his objective. There was little support, except from the Arab League and the Gulf Cooperation Council.»

      http://en.wikipedia.org/wiki/Thierry_Meyssan#Publication_of_The_Big_Lie

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    6. Meyssan na Líbia.

      «On 22 August 2011, Meyssan while stuck at the Rixos Hotel in Tripoli, reported live, by voice, to the Russian television network Russia Today. He claimed that, contrary to other reports, Gaddafi forces had driven the rebels from most of the city. At the same time he described that he and Mahdi Darius Nazemroaya felt in danger, accusing other CNN and BBC journalists at the hotel of being spies from the CIA and the MI6, who were allegedly giving information on objectives to the NATO and the NTC militias.
      Thet same day, Meyssan reported that U.S. agents, disguised as journalists at the Rixos hotel (as he had previously indicated) had marked him for assassination. He then stated that the identities of these spies would be released in due course.[7] Five countries offered protection to Meissan and Nazemroaya in their embassies, but they were unable to reach any of them, because of the heavy fighting around the hotel and the encirclement of some of that embassies by NTC militias[8][dead link][9]»

      Notar que achou que o queriam assassinar.

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  8. O Esquerda Republicana é um blogue à esquerda, independente dos partidos mas não de valores e causas, republicano, laicista, democrata e plural.

    não parece...pelo menos os ataques a um partido politico são mais que muitos, neste caso o PCP...assim sendo e como na opinião de RA o PCP não se deveria pronunciar sobre a guerra no Mali..aqui fica a posição deste partido acerca da gressão sionista à Síria

    Quinta 31 de Janeiro de 2013

    O PCP condena veementemente os ataques da força aérea israelita desencadeados no dia de ontem contra a Síria, realizados na zona fronteiriça sírio-libanesa e nos arredores da capital do País, Damasco.

    Ao violar o espaço aéreo e a integridade territorial da Síria, Israel - que ocupa ilegalmente os montes Golã na sequência da guerra dos seis dias em 1967 – incorre numa frontal violação do direito internacional, levando a cabo um acto de agressão ilegal e ilegítimo, contra um País soberano, que não pode ficar impune e que deve ser prontamente condenado pelos governos e instituições internacionais. Uma condenação a que o Governo português está obrigado, à luz da Constituição da República Portuguesa.

    Indissociável e revelando os reais planos das principais potências imperialistas da NATO e das ditaduras monárquicas do Golfo Pérsico de desestabilização, ingerência externa e agressão contra a Síria, esta provocação encerra, se não for imediatamente travada e cabalmente condenada, enormes perigos para a paz e para os povos da região.

    Mais que nunca a luta pela paz e contra as agressões e ingerências do imperialismo e do sionismo no Médio Oriente adquirem grande importância

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