segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cala-te, Arménio!

  1. «Daqui a pouco vêm aí outra vez os três reis magos, um do Banco Central Europeu, outro da Comissão Europeia e o mais escurinho, o do FMI, e já se fala em mais medidas de austeridade».
  2. «A única coisa que quero é que ponham aquilo que eu disse", afirmou o secretário-geral da CGTP. O líder sindical insistiu em que as suas palavras fossem transcritas com exatidão: "O que eu disse foi que em Fevereiro regressam os três reis magos, dois brancos e um escurinho, que são os representantes do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional. São os representantes dos grandes senhores».

13 comentários :

  1. Irrelevâncias.
    Fez uma gracinha com o facto de os três reis magos também serem dois brancos e um preto.
    A gracinha tem pouca graça, mas não é razão para se chatear o homem.

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  2. O Arménio esteve mal porque na Troyka näo há brancos nem pretos, só facínoras infames assassinos dementes inerranáveis.

    Dürer, seu javardo racista! Ó pra isto:
    http://aventadores.files.wordpress.com/2013/01/albrecht-durer-alberto-durero-1504.jpg

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  3. Não só não é uma irrelevância como nem está em causa a tradição etno-artística da lapinha.

    Está em causa o bom senso de um dirigente na escolha de palavras que podem decidir sobre a sua credibilidade, numa altura especialmente frágil para a oposição ao governo.

    O homem engolia um sapo, pedia desculpa, e estava o assunto arrumado. Não: reiterou a patetice... Que desastre!

    Mas o que esperar de quem já está tão habituado à política do piadejo, da comparação pacóvia e zombeteira? Já no parlamento é a mesma coisa.

    Quem enche a boca com expressões como «pacto de agressão» ou «facínoras infames assassinos dementes inenarráveis» não se pode queixar de não ser levado a sério.

    Os nossos políticos gostam de metáforas, querem aventurar-se na oratória ilustrada com ricos símiles de ironia requintada e pungente. Mas quando abrem a boca, Cícero dá voltas na sepultura...

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    1. Por acaso concordo que que o Arménio se deveria ter retractado (está bem escrito?).
      Numa altura especialmente frágil para a oposição ao governo? Deve estar a sonhar. Ou confunde a oposiçäo apenas com o PS do (in)Seguro? Mais frágil em Portugal que o (des)Governo näo existe, por bem menos se enche a Praça Tahrir... os portugueses é que säo mansos!

      Mais, pergunto é qual é o problema de chamar ao memorando da Troyka "pacto de agressäo" e aos gajos da Troyka "facínoras infames assassinos dementes inenarráveis", porque infelizmente é apenas a verdade nua e crua. Incomoda-lhe a verdade?
      Mas o que esperar de quem já está tão habituado à dialéctica das cortinas de fumo?

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    2. Caro Maquiavel,

      A altura é frágil porque creio que o governo não terá muita dificuldade em vender a ideia de que o regresso aos mercados é prova do mérito da coligação e porque o PS está dividido.

      A oposição não é só o PS, mas se este sofre uma derrota, a oposição perde como um todo. E a oposição do PCP e do BE sem o PS, essa sim, pertence ao reino de Morfeu. Para o PSD, neste momento, basta dirigir toda a atenção para António Costa se se quiser entar encostar o PS a um canto. O resto da esquerda já está acantonada.

      Imagine-se o que significará se o Seara ganhar em Lisboa! Aliás, prova de que a coligação não está tão dividida como antes é o apoio do CDS ao candidato à capital. E dividido já está o António Costa entre a liderança do PS e a CML…

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    3. Quanto à retórica do PCP, tenho mesmo de explicar qual é o problema do populismo?

      A figura de estilo torna-se arriscada quando a literalidade nos expõe ao ridículo do exagero. O estudo de caso é o José Manuel Coelho, com a bandeira nazi na Assembleia Regional. Acha que os anti-jardinistas o levam a sério? O PCP corre os mesmos riscos de descredibilização, à devida escala não obstante.

      O memorando é atacável sob vários pontos de vista mas aquilo que não é é um pacto de agressão, porque isso é uma declaração de guerra. Fazer uso da expressão uma vez, é uma coisa… Construir todo um discurso político com base num exagero desses roça a mitomania. Atacar os técnicos do FMI chamando-lhes homicidas e rematar dizendo que essa é "a verdade nua e crua", se não é atirar barro à parede, não sei o que é.

      E o meu problema não é ter dúvidas quanto à predação da coisa pública, caro Maquiavel. Está a acontecer à nossa volta. O meu problema é ver como há pessoas a arriscar a reputação com infantilidades numa altura em que devíamos estar à altura da responsabilidade.

      Há uma diferença entre dialéctica e maniqueísmo.

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    4. 1 - O "governo não terá muita dificuldade em vender a ideia de que o regresso aos mercados é prova do mérito da coligação" porque os portugueses säo broncos, além de mansos. Os "Ladröes de Biciletas", entre outros, já demonstraram que o "regresso aos mercados" e "a descida das taxas de juro" näo säo "mérito" do desGoverno, mas sim de Draghi e BCE.

      2 - O apoio do CDS ao candidato à capital é normal, que sozinhos näo fazem nada

      3 - As palhaçadas de José Manuel Coelho deram-lhe 4,5% a nível nacional, e já custaram aos anti-Jardim 3 deputados regionais, com 2/3 dos votos do PS e ficando até à frente da CDU (e só näo levou o 4.o deputado porque muitos ainda pensavam que ele militasse no PND); se isso näo chega para que o levem a sério, arriscam-se a levar ainda mais "porrada" (e é bem feito)

      4 - As mortes por consequência directa de acçöes do FMI já provocou mais mortos que Estaline... ou morrer à fome e doença näo conta?

      A sua posiçäo de que a política é para ser feita com punhos de renda é até compreensível. Só que eu já vivo há tempo demais num país nórdico, onde as coisas se dizem directamente, sem receios, e sem rodeios. E isoladamente mandar um berro ou dizer algo politicamente menos correcto näo faz ninguém perder a razäo, porque o que interessa é o valor da "boca" no cömputo geral da actuaçäo. No (por isso) desenvolvido Norte europeu a reputaçäo faz-se pelo que se faz, e näo pelo que se diz.
      Neste caso, o CM pegou numa frase menos feliz do Arménio, convenientemente para o desGoverno ignorando tudo o resto que foi dito, para minimizar a acçäo da CGTP.
      Comparem a profusäo mediática da "frase" com a profusäo mediática da (mais uma) mega-manif dos professores. Pois.
      Este comentário diz tudo
      http://spectrumzx.wordpress.com/2013/01/29/can-white-people-say-nigger/comment-page-1/#comment-25810
      Mas pronto, Portugal näo é Finlândia, e em Portugal o que interessa é o que se diz.

      Näo se esqueçam que näo é só na Finlândia que os populistas de direita ganham votos é principalmente ao partido social-democrata local, porque esses foram (uns mais, outros menos) abraçando o neoliberalismo, e quem levou maior ripada nos rendimentos e no emprego foi a sua tradicional base social de apoio. Entäo se calhar até acho bem que os "Arménios" digam o que o povo berra nos cafés, enquanto faz trabalho de sapa para levar o país para a frente, porque desse modo näo deixa espaço para que esse discurso populista seja apropriado por energúmenos do PNR e similar refugo societal, porque se o pessoal começa a votar neles entäo aí é que deixa de haver pretos em Portugal... e isso é que é perigoso! A haver populismo, que seja de Esquerda, meu caro!

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    5. Maquiavel,
      e em França a FN foi buscar votos ao PCF.

      Não, o Arménio não pode adoptar o discurso da extrema direita para evitar uma hipotética subida da extrema direita. Isso resulta ao contrário: as pessoas acabam por votar no original e não na cópia.

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  4. Caro Maquiavel,

    Aquilo a que me oponho é à retórica frouxa e batida das frases feitas e acusações fáceis. Não só porque seja fraca, mas porque é ficar à espera de nos abandonem ou surja alguém que o faça mais ruidosamente que nós. A queda para a piadola é um dos pecados da nossa classe política. O alvo nobre da oratória inspiradora - a que, essa sim, dá frutos políticos - permanece intangível, e temos de nos contentar com a rasteireza do dichote, com a dialéctica de teatro de revista. O não-assunto da falta de cuidado de Arménio Carlos é só mais um exemplo. Toda a reputação em causa só para fazer render uma tosca comparação com os reis magos...

    1) Eu sei a que se deve a baixa de juros. Também não é preciso pregar ao coro...

    3) As palhaçadas de José Manuel Coelho são, antes de mais, uma vergonha para o parlamentarismo. São também um embaraço para a integridade democrática autonómica. A melhor oposição ao jardinismo vem do PSD-M, na pessoa do presidente da câmara do Funchal.

    4) Quanto à comparação com Estaline, a diferença, que não é pouca, é o dolo. E por falar em Estaline, o que tem o PCP a dizer sobre isso? E sobre a Coreia do Norte? E sobre os elogios da China ao papel da troika? Nada. Quem tem punhos de renda, afinal?

    E já agora, um dos homens mais populistas da história começou na esquerda, meu caro. Chamava-se Mussolini.

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    1. 3) A melhor oposição ao jardinismo vem do PSD-M? Obrigado pela risada!

      4) Vá perguntar ao Politburo, acha-me com cara de Jerónimo?
      Sobre os elogios da China ao papel da troika o melhor é perguntar ao CDS.

      5) O Mussolini iniciou a senda populista após ter sido expulso do Partido Socialista Italiano em 1914, meu caro. Essa táctica do espantalho näo resulta comigo.
      O populismo de Mussolini foi sempre de direita.
      O que näo falta säo facínoras que andaram na esquerda enquanto lhes conviu, em Portugal temos o Duräo Barroso e a Zita Seabra.

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  5. Caro Maquiavel,

    O Miguel Albuquerque só não é presidente do PSD-M por umas dezenas de votos. No dia em que ele fosse eleito, acabava-se a era Jardim. O saneamento dos apoiantes de Albuquerque já começou. Mas isso desvia-nos do que estávamos a falar.

    "Vá perguntar ao Politburo, acha-me com cara de Jerónimo?"

    Repare que não lhe estava a dirigir as perguntas a si, mas, retoricamente, ao PCP. Estive sempre a questionar a prática dos nossos políticos que parecem não saber falar em público e, neste caso, o discurso simplista do dirigente da CGTP. Basta ver a AR-TV durante 10 minutos para se ver a notável tristeza dos discursos. Isto não é pessoal, caro Maquiavel, e escusa de levar tudo tão a peito.

    A táctica do espantalho não funciona consigo? Ainda bem. Mas não só não fiz uso dela como nada do que eu disse pretendia atingi-lo, confundi-lo ou enganar fosse quem fosse.

    Não ponho as mãos no fogo pela exclusividade da tónica direitista do populismo de Mussolini... Mas concedamos que o populismo de Mussolini seja inteiramente de direita. Há então o exemplo de Hugo Chávez. O populismo é populismo é populismo.

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    1. Näo näo é. Os populismos todos querem dar tudo ao povo, mas nos de direita é só para o "povo certo". Pegando nesse seu exemplo, näo me lembro de Chavez fazer discursos contra emigrantes, minorias étnicas, de os querer todos fora do seu país, nem de ter atacado países vizinhos.
      Pois é, o mafarrico esconde-se nos pormenores!

      E por aqui me fico. Folgo em saber que näo me quis atacar.
      Já agora, alguém ouviu mais alguma coisa do discurso do Arménio? Ou ele só disse uma frase e bazou?

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  6. Caro Maquiavel,

    Hugo Chávez já foi, por mais do que uma vez, acusado de antissemitismo. Algo a que não será alheio o facto de ter estabelecido alianças com o Irão.

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