sexta-feira, 27 de agosto de 2010

As mulheres na República de 1910

O jornal Público contém hoje dois artigos interessantes sobre as mulheres no movimento republicano («Quando as feministas influenciaram o poder», de São José Almeida, e «O papel central da Maçonaria»). A mais importante lacuna, na minha opinião, é a ausência de referências a Angelina Vidal, socialista e republicana, uma precursora da afirmação feminina na política e na propaganda republicana.

Deve referir-se que o movimento republicano foi o primeiro movimento político português que permitiu a expressão organizada do feminismo. E embora o regime republicano tenha decepcionado algumas feministas ao não reconhecer às mulheres o direito ao voto, em rigor deve notar-se que essa questão só então começava a ser resolvida em alguns (poucos) países europeus. E, à época, não era considerada prioritária por todas as feministas. Lendo, por exemplo, A Mulher e a Criança (órgão da Liga das Mulheres Republicanas) nota-se que a prioridade era o reconhecimento dos direitos políticos chamados «de segunda geração»: divórcio, igualdade no casamento e no Código Civil. Essas reivindicações foram satisfeitas pelo Governo Provisório da República. Os direitos políticos «de terceira geração», como o direito de eleger e ser eleito, foram todavia reivindicados por algumas republicanas feministas, e a primeira mulher que votou (Carolina Beatriz Ângelo) era republicana e votou apoiada por republicanas (como Ana Castro Osório). Outras republicanas, como a anticlerical Maria Veleda, opunham-se ao direito de voto feminino naquele momento (os homens também se dividiam).

(Ilustrações: à esquerda, Maria Veleda; à direita, Ana Castro Osório.)

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