sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Não há fascismo sem violência

São estranhas algumas reacções à condenação a prisão efectiva do líder nazi Mário Machado. Certas pessoas parecem não entender que não há fascismo sem violência, e que portanto não há organizações fascistas sem a prática de crimes. Sendo certo que ter ideias fascistas não é crime, é impossível tentar levá-las à prática sem transpor a fronteira da legalidade. O fascismo necessita da milícia, da glorificação da violência e da designação de grupos a abater (judeus, comunistas, negros, gueis...). Portanto, os crimes de Mário Machado (ofensas corporais, ameaças, porte de armas ilegais) não são simples crimes de delito comum. São consequências necessárias da ideologia que promove.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

PSD ultrapassa PS pela esquerda

O PSD dará liberdade de voto aos seus deputados na votação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que garante, desde já, mais votos a favor no PSD do que no PS. Eis um sinal claro de como o PS se está a deixar ultrapassar. Dentro em pouco, até o CDS será menos «prudente» nesta questão.

Actualização: confirmando a mariquice do PS, apenas um deputado (ex-JS) será livre. O resto da bancada votará disciplinadamente contra. Desconfio que, nesse dia 10, o BE garantirá um resultado de dois dígitos para daqui a um ano.

Obama à frente

Barack Obama parece próximo de se tornar o próximo presidente dos EUA: segundo as últimas sondagens, tem uma vantagem de 8% a 15% em Estados-chave como a Florida, o Ohio e a Pensilvânia. Conforme o João Vasco explicou aqui, a eleição presidencial estado-unidense será decidida na meia dúzia de Estados populosos que flutuam entre democratas e republicanos. Nesses, Obama vai à frente.

Será o PS um partido maricas?

É hoje que vamos saber se o PS disciplinará os seus deputados no voto sobre o casamento entre homossexuais. Parece que será imposto o voto contra, com uma ou duas excepções simbólicas para «salvar a face» à JS.

A argumentação é curiosa. Depois do «não estava no programa do PS» (que não funcionou, porque também não estava o voto contra) e do «não houve debate público» (que é ridículo, pois esta tornou-se a «clássica» discórdia de «costumes» no pós-IVG), chegámos a um incrível «não votaremos contra o casamento entre homossexuais, mas contra o oportunismo político do Bloco de Esquerda», ao qual dá vontade de responder: se dá votos, votem a favor.

Por detrás de tudo isto, evidentemente, está um anacrónico temor ao presumido conservadorismo do «país profundo». Acontece que Portugal, nos comportamentos, já não é conservador: o casamento civil ter-se-á tornado maioritário, pela primeira vez, em 2007; uma em cada três crianças nascem de pais que não estão casados; e há um divórcio para cada dois casamentos. Estes indicadores mostram um Portugal real menos conservador do que a vizinha Espanha, onde os socialistas são, no entanto, mais corajosos. O diferencial entre os dois Estados ibéricos não se explica pelos comportamentos sociais, mas sim pelas mentalidades, e provavelmente pelas mentalidades das elites, que parecem imaginar um Portugal mais conservador do que realmente é.

Na minha escola primária, distinguia-se um «maricas» de um homossexual. Um maricas era pouco corajoso, tinha medo do escuro, do padre, das pessoas diferentes, etc; um «homossexual» fazia com os homens «coisas» que ninguém explicava bem. No PS, a esmagadora maioria dos deputados não serão homossexuais. Mas parecem (no sentido da minha escola primária) um bocadinho maricas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Blogues à esquerda

«Santa Aliança» é um raio de um nome para um indexador de blogues de esquerda. Mesmo assim, este reduto de ateus anticlericais aderiu. Vão lá ver, que descobrirão uma ferramenta muito útil para se manterem a par do que o lado esquerdo da blogosfera vai escrevendo...

O Tejo é propriedade privada

O governo vai discutir com os senhores da Lusoponte quanto lhes paga se o Estado construir um tabuleiro rodoviário na terceira travessia do Tejo. É assim mesmo: o Tejo é propriedade privada, um feudo da nova aristocracia que circula do governo para os negócios, e o papel do governo é indemnizar os aristocratas sempre que constrói novas vias para o povo. Significativamente, do lado da Lusoponte encontram-se dois ex-ministros: Jorge Coelho e Ferreira do Amaral (o homem que privatizou as travessias do Tejo nos «bons velhos tempos» do cavaquismo). Quem se senta do lado do governo tem uma especial responsabilidade neste negócio: se não prejudicar a Lusoponte, talvez ganhe um lugar no conselho de administração daqui a cinco ou dez anos...

O islamismo, o laicismo, o anti-imperialismo e o resto

O testemunho de uma feminista iraniana sobre a esquerda que, a pretexto do anti-imperialismo, se torna complacente com o islamismo.

  • «(...) Le débat faisait rage : socialisme ou système islamique ? D’après nos interlocuteurs islamistes, l’islam permettait de réaliser le bien que procurerait le socialisme, mais, en plus, grâce à la foi en Dieu et au Prophète, on connaîtrait aussi la sérénité ! Tous ceux qui se disaient athées ou de gauche ne croyaient pas un mot de ces discours répétitifs. Mais, les événements prirent un cours accéléré en faveur des mouvances islamistes, quand Khomeini arriva à Neauphle-le-Château, le 8 octobre 1978. Mes copines, qui jusqu’ici avaient résisté au voile, ont succombé les unes après les autres. Je leur disais: « Ne faites pas ça, vous allez le regretter. Aujourd’hui vous le portez volontiers, mais demain, s’ils arrivent au pouvoir, vous ne pourrez plus l’enlever ». Elles répondaient que ce n’était pas vrai, que ce n’était qu’un signe de solidarité contre le shah et sa politique pro-américaine, et qu’une fois la démocratie établie, elles pourraient vivent comme elle l’entendraient. Elles étaient ensorcelées, même plus : enivrées. Rien ne les ramenait à la raison. Après la victoire de Khomeini, son premier combat fut contre les droits des femmes, pour l’obligation progressive du port de voile en particulier.
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    En 1991, l’année où je suis arrivée en France, je m’étonnais toujours, mais cette fois à cause de l’attitude de mes camarades français de gauche face aux militants de l’islam politique. Leur tolérance et leur silence, de mon point de vue, n’étaient qu’une démission intellectuelle prenant l’excuse de la démocratie. Je leur expliquais bien qu’il fallait débattre avec les islamistes mais dénoncer leurs idéaux, et qu’il ne fallait pas les laisser séduire les gens exposés, surtout pas les femmes, bref que c’est vraiment dangereux. (...) La totale étrangeté, pour moi, c’était de constater que, mis à part de quelques petits groupes de gauche, la gauche européenne, disons la gauche réellement à gauche, dans son ensemble, appréciait « l’anti-impérialisme » des ayatollahs. Or, cette opposition entre mollah et Américains n’est parfois qu’une parodie de dispute car tous soutiennent le principe essentiel du capitalisme et se comportent, au pire, en impérialismes rivaux. (...)» (Azam Devisti na Gauche Républicaine)

Criminalidade e Imigração

A taxa de criminalidade nas comunidades estrangeiras é exactamente a mesma que entre os portugueses: onze casos em cada mil homens.

Convém repetir - a taxa de criminalidade nas comunidades estrangeiras é exactamente a mesma que entre os portugueses: onze casos em cada mil homens.