terça-feira, 10 de março de 2009

A coragem de uma ex-muçulmana

Há muitas maneiras de celebrar o Dia da Mulher. Em Oslo, uma ex-muçulmana queimou publicamente o hijab, talvez o maior símbolo de opressão das mulheres no mundo actual. Vejam o vídeo.

O discurso de Sara Rasmussen:

  • «A idade dos sonhos não acabou, a idade dos sonhos não acabou porque ainda há pessoas que sofrem, coloquemos hoje toda a nossa confiança no poder dos sonhos e permitam-me acender um fogo pela liberdade, pela igualdade, pelo amor e pela paz.»
  • Outro vídeo. Vejam o sorriso de Sara quando o véu pega finalmente fogo. É o sorriso de alguém que se libertou.

28 comentários :

Pedro Fontela disse...

É pena é não se lembrarem destes detalhes quando se fala do conflito arabe-israelita... comparem a vivência de cada lado da fronteira e depois digam-me que é a mesma coisa.

Ricardo Alves disse...

Pedro Fontela,
as democracias têm o direito de invadir as ditaduras?

Pedro Fontela disse...

Ricardo,

1) Foi invasão? Eu acho que não.
2) Os estados que respeitam os direitos humanos têm no minimo mais credibilidade.
3) De um ponto de vista ocidental (o nosso presumo) não nos interessa dar vitórias a regimes islamitas que nos odeiam irracionalmente.

Ricardo Alves disse...

1) OK. Preferes «incursão»? Para quem morre é indiferente...

2) Certo.

3) Certo, mas interessa-nos dar vitórias a um Estado como Israel, que não é propriamente um Estado laico, nem uma democracia no sentido europeu do termo, e que tem iniciado guerras contra os seus vizinhos periodicamente?

Pedro Fontela disse...

Ricardo,

1) Na guerra morre-se... não vi os lideres arabes muito preocupados em evitar o inicio das hostilidades nem agora nem em nenhum dos outros conflitos onde pensavam poder vencer. Nem o Hamas muito preocupado em usar pontos civis para lançar incursões militares. Os lideres árabes querem baixas civis porque a comunidade internacional tende a apoiar os grupos que entende serem vitimas. Se eles não querem saber da sua população será um exército estrangeiro que terá que se preocupar?

3) A democracia europeia está "over rated", partilhamos coisas mais importantes do que o ir votar de 4 em 4 anos (tipo o facto de os direitos humanos que existem em Israel não terem paralelo no mundo árabe). Israel também foi invadido por motivos que tocam a loucura e a ambição dos seus vizinhos, os árabes ficaram irritados porque não ganham um unico conlfito, mesmo quando armados pela ex-USRR.

Interessa criar laços sólidos com o nosso único (!) ponto de apoio sólido na região (ideológico, económico e militar). Não temos nada a ganhar ao apoiar países totalitários (religiosos ou não) que nos odeiam de morte ou que no minimo gostariam de nos causar algum estrago.

Pedro Fontela disse...

Obviamente queria dizer USSR...

Ricardo Alves disse...

Pedro,
o problema deve ser justamente que não considero Israel mais próximo dos meus ideais políticos do que a Turquia. Israel é um Estado teocrático, que define a cidadania por critérios de religião, não tem casamento civil, mantém em apartheid uma parte considerável da sua população, e inicia periodicamente guerras com os seus vizinhos que parecem ter como principal razão manter o espírito de cidadela acossada que tanto tem servido o status quo.

As duas últimas guerras foram contra o Hezbollah e o Hamas (armados pelo Irão, presumivelmente), Israel iniciou-as, causou mais baixas do que os outros, e no final não as ganhou. Para mim, que tentei manter-me neutro em qualquer um desses dois estúpidos conflitos, esse até foi o pior dos resultados possíveis.

Não podemos olhar para essa região com as lunetas estreitas do pró-israelismo. O Líbano não é um Estado totalitário. A Jordânia também não. Gaza é um campo de refugiados gigantesco. Perante isto tudo, entrar num maniqueísmo «israel-bom, árabes-mau», não resolve nada e só complica.


(Era URSS!)

Pedro Fontela disse...

Ricardo,

Explica-me lá como é definido o casamento nos países vizinhos? E a opcionalidade da religião? Como tratam os países vizinhos os israelitas? Pois...
Eu não quero cair em maniqueismo de apoiar alguém incondicionalmente mas também sei ler os sinais claros de hostilidade por parte dos estados árabes face ao Ocidente como um todo. Se nos querem mal será de bom senso jamais os apoiar... E também já disse claramente qual é a minha analise da maias recente guerra na região: http://inbetweenpt.blogspot.com/2009/01/constatar-o-obvio.html

ps: eu o raio das siglas... :)
pps: O erro europeu na Turquia foi querer acreditar nas virtudes redentoras da democracia de forma cega acabando por legitimar os anti-laicistas e abandonando o exército turco que sempre foi o garante de estabilidade.

Pedro Fontela disse...

Não estou nos meus dias... o link certo é: http://inbetweenpt.blogspot.com/2009/01/guerra-em-gaza.html

Zeca Portuga disse...

Pedro:

De um e de outro lado da fronteira - entre árabes e judeus - há gente que nada tem a ver com o assunto e são tão sérios como qual~quer pacato português.

Porém, o grande do Médio Oriente, é existir uma filosofia segregacionista e terrorista dos EUA, seguida e apoiada pela desinformação que todo Ocidnete recebe.

Se quiser, visite o meu blog, procure um poste recente sobre o assunto e veja algumas fotografia do conflito. Verá quem são os inocente que estão a ser massacrados!!!

Tenho amigos árabes. Estou a estudar árabe. Conheço mais ou menos a cultura árabe, e digo-lhe apenas isto:

A grande maioria do que se doz no Ocidnete sobre os árabes, é a mais patética manifestação de ignorância, manipulação dos "media" e estupidez.

Pedro Fontela disse...

Zeca,

Vamos lá ver uma coisa... o mundo árabe tem problemas em lidar com tudo o que diga respeito a direitos humanos ou não? Se sim então não estamos a falar de preconceito de meia dúzia de pessoas nem de um problema causado pelos americanos - aliás essa desculpa à la Said serve para tapar o total fiasco das sociedades árabes em se adaptarem à realidade, não encaram as suas falhas e culpam um agente exterior.

Agradeço o convite para passar lá no seu espaço mas depois de ler certas coisas duvido que: 1) fosse genuinamente bem vindo e 2) que tivesse interesse em participar.

Perfil do Zeca:

"Área de interesse: Detesto políticos, “desportistas profissionais”, americanos, paneleiros e afins"

"Ideologicamente...: Sou monárquico, conservador, de direita, não partidarista...
anti-republicano, anti-maçónico, anti-laicista... e outras máfias!"


Um dos posts:
«Passada a tão proveitosa e comovedora cerimónia, este simpático “casal” partiu para a lua-de-mel.

Como bom “casal” que se preze… como almas gémeas… repartiam todas as tarefas: o ruivo era a “esposa” às segundas, quartas, sextas e domingos de manhã; o loiro era “esposa” às terças, quintas, sábados e domingos de tarde.

Depois de umas horas de viajem por românticas estradas secundárias de um país de sonho (a Dreamlandia do Sul), eis que a “esposa” (era quinta-feira, portanto calhava ao loiro), começa a gritar:
“Pára!... Pára!... Que eu estou aflita!!!!”

O “marido de serviço” pára e a “esposa” sai do carro a correr em direcção a uns arbustos.

Passados poucos minutos ouve-se um grito detrás dos arbustos: “aaaaaaii!!!!!!!!!!”

Sai o “marido” do carro a correr, para perguntar: “que foi!?”

“Ai, tive um aborto! – responde “ela” – olha as perninhas, os olhinhos, a cabecinha!...

Responde “ele”: “Oh sua bicha!... Você fez cocó em cima de um sapo!!!!:::”


Lá vão vivendo!

À parte as confusões que se geram quando, ao acordar, não se recordam do dia da semana, e portanto não sabem quem é “ele” e quem é “ela”, sentem-se muito bem, e estão à espera de um “filhinho”.

Já pouco falta!...

É só o canil resolver uns problemas de vacinas e “desparasitagem”!!!!!

[Os bebés dos panascas vêm do canil, porque as cegonhas não alinham em palhçadas!]»


Zeca,

Se isto não é preconceituoso e ofensivo eu não sei o que poderá ser. Há limites de divergência para poder haver um contacto civilizado e neste caso foram largamente ultrapassados. Passar bem.

Anónimo disse...

Caro Pedro Fontela,

«Na guerra morre-se.»

E mata-se, abusa-se, viola-se e pilha-se. Por isso se deve evitá-las a todo o custo. Tanto mais quando se corre o risco de matar civis inocentes. A apologia dos danos colaterais é infame.

«Se eles não querem saber da sua população será um exército estrangeiro que terá que se preocupar?»

Se os responsáveis árabes dispõem das vidas das suas populações, tanto pior para elas. Mas haverá alguma dúvida de que sim, os exércitos estrangeiros têm de se preocupar?

Não que não compreenda a sua perspectiva mas todo esse parágrafo era dispensável...

Joao disse...

Para já devo dizer que a minha opinião sobre os assuntos referidos se aproximam bastante do Pedro Fontela.
Acredito que o facto de ter vivido ano e meio em Israel me possa fazer um pouco parcial sobre o conflito. Mas o que se passa é que para muitos líderes árabes e muçulmanos o problema resolvia-se com a aniquilação pura e simplde de Israel.
Há deputados árabes em Israel que têm a liberdade de dizerem no Parlamento aquilo que bem quiserem. Um cristão pode ostentar um crucifixo ou um muçulmano um crescente e nimguém os "chateia", para não dizer matar.
Os terroristas (assumo o que digo) disparam rockets a partir de escolas infantis, e se o fazem sabem porquê e para quê.

João Moutinho

Pedro Fontela disse...

Francisco Burnay,

Não considero a guerra desejável mas também não sou pacifista e não a defendo a qualquer preço. A realidade pode ser feia mas é para ser encarada. O responsavel primário pelo bem estar de uma população é o seu governo, se esse governo os usa como escudos humanos e os sacrifica é impossivel pedir a uma nação inimiga que tenha cuidado com as suas acções militares...

Anónimo disse...

Caro Pedro Fontela,

Eu acho que um povo tem o direito de se proteger. Será que as acções de Israel se conseguem justificar debaixo desse direito, assumindo que se consideram atacados injustamente? Ou será que as acções se enquadram mais num tipo de ripostação desmesurada, sem uma estratégia muito clara?

O que eu penso é que todas as análises enviesadas da brutalidade de parte a parte são usadas depois como atenuante nessa mesma brutalidade. Como justificar de outra forma a enormidade das acções militares israelitas que se seguiram a ataques terroristas e lançamentos de rockets?

Eu não estou aqui a defender nem a atacar Israel ou a Palestina. Um civil morto é um civil morto, não interessa de que lado morre nem que língua fala. Simplesmente o argumento não é "na guerra morre-se". Isso não é aceitável e serve de justificação para tudo.

Ricardo Alves disse...

Pedro Fontela,
«hostilidade dos Estados árabes ao Ocidente»?
É um pouco a estória da galinha e do ovo. Começou porque exportámos para lá um problema que os alemães criaram. Aceitámos a criação de um Estado com a cidadania decidida por critérios de religião. E há 60 anos que desculpamos tudo o que os israelitas façam.
Ora, já chega. Os israelitas já tiveram duas gerações para estabilizar o seu Estado, as relações com a minoria palestiniana, resolver o problema dos refugiados palestinianos em Gaza e na Cisjordânia, e não o fizeram. É verdade que têm um entendimento mínimo com a Jordânia e o Egipto. E é verdade que com a Síria não deve ser fácil negociar. Mas até a nível interno a situação tem piorado. Nas últimas eleições até já falaram em retirar a cidadania aos israelitas árabes. E não desmontam os colonatos. Recusam aos cidadãos israelitas árabes deveres como o serviço militar e direitos como comprar terra (na Europa, isto seria inaceitável). Portanto, dois pontos:
1) O tempo da indulgência histórica para com Israel terminou;
2) Israel não é mais democrático nem mais laico do que outros Estados da região, como a Turquia ou o próprio Líbano. Não tem tanto em comum com a Europa como alguns insistem em afirmar.

Ricardo Alves disse...

João,
nas últimas eleições houve partidos árabes que foram proibidos de concorrer justamente devido a declarações dos seus dirigentes. E há discriminação institucionalizada em Israel, ao nível do ensino, da habitação, etc. A um nível que, ignorando a diferente relação maioria/minoria, lembra a África do Sul. Continuar a esquecer isto tudo com o argumento da «excepção» israelita é criar problemas, não é resolvê-los.

Pedro Fontela disse...

Francisco Burnay,

Isso é o tipico "souble standard" da comunidade internacional, o estado palestiniano sacrifica os seus prórpios cidadãos mas em vez de pedir contas ao Hamas vamos pedir contas a Israel. Se estivesse na posição do governo de Israel ou dos seus cidadãos eu apoiaria a ofensiva que foi lançada.


Ricardo,

Eu não vou ser refém eternamente no complexo neo-colonial. Israel organizou o seu estado e normalizou o seu funcionamento quem não o fez foram todos os outros! E sim por muito que vos custe a admitir Israel funciona melhor que os outros estados e só quem não faz ideia de como funciona estados como o Egipto é que poderia aceitar essa comparação sem protestar.

1) Chega de nos culparmos a nos mesmos pelo que foi feito. O presente é feito de erros locais.

2) chega de tolerar o fanatismo árabe com a desculpa do orientalismo.

Pedro Fontela disse...

Já que falamos de graus civilizacionais acrescento: http://5dias.net/2009/03/13/uma-familia/#comment-89085


encontrem esta abertura no mundo árabe e depois podemos começar a tratar Israel e o mundo árabe como iguais.

João Vasco disse...

Pedro Fontela:

O Ricardo Alves não está a tratar este problema como um concirso: quem é o pior clube, Israel ou os Árabes, nem faria sentido que o fizesse.

O Ricardo tem feito muitas críticas a muito do que é criticável no mundo árabe, agora não se pode é usar esses males para justificar as observações que foram feitas a respeito de Israel.

Achas bem que os colonatos não tenham sido desmantelados? Achas bem que alguns cidadãos não tenham direito a comprar terra? Nota que a pergunta é se achas bem isso, e não se achas que isso é pior do que aquilo que outros fazem. Se os dois lados merecem ser criticados, façamos as críticas justas a ambos os lados e deixemos os clubismos em casa.

Ricardo Alves disse...

Pedro Fontela,
como diz o João Vasco, eu tento deixar os clubismos todos fora disto. Quando se discute o Médio Oriente os clubismos abundam: ou Israel é igualzinho a qualquer democracia da Europa ocidental e portanto pode bombardear quem lhe apetece quando lhe apetece (e nem é verdade que seja sequer comparável às democracias da Europa ocidental, quanto mais isso conceder algum putativo «direito ao belicismo»); ou os palestinos são uns coitados que podem apoiar os islamo-fascistas à vontade porque «é a cultura deles» e são os atacados e portanto podem ser terroristas à vontade (e nem são uns coitados, nem é indiferente para a resolução do conflito israelo-palestino que seja a OLP ou o Hamas a governar a Palestina, nem o recurso ao terrorismo é aceitável).
Eu tento não ver esse conflito (nem os outros) a preto e branco.

Anónimo disse...

Caro Pedro Fontela,

«Isso é o tipico "souble standard" da comunidade internacional, o estado palestiniano sacrifica os seus prórpios cidadãos mas em vez de pedir contas ao Hamas vamos pedir contas a Israel.»

A moral de grupo da comunidade internacional não é lá grande moral, é verdade. Mas a crítica que fiz não tem nada a ver com isso. Prendia-se simplesmente com a justificação de que na guerra morre-se.

«Se estivesse na posição do governo de Israel ou dos seus cidadãos eu apoiaria a ofensiva que foi lançada.»

E se estivesse na posição dos civis palestinianos? Veja lá os double standards.

Pedro Fontela disse...

João vasco,

Façamos as criticas todas que tiverem que ser feitas a seja quem for! Mas não me peçam para considerar moralmente os dois lados como iguais porque não são.


Ricardo Alves,

Eu não considero a democracia estilo americano o pináculo da evolução cívica daí que só o ter eleições não me diga muito sobre um estado ou um governo. Como um governo trata a sua própria população no entanto diz algo bem mais concreto sobre a sua natureza. Como disse ao João Vasco o que tenho a criticar é a equiparação moral dos dois lados quando isso empiricamente não corresponde á verdade.


Francisco Burnay,

Há consequências para a agressão certo? Há guerras sem baixas? Não se pode tomar acção armada (contra civis do outro lado da fronteira...) e esperar que o outro lado nada faça. Se elas são agravadas pelo uso de civis em operações que deveriam ser militares isso é algo que deveria ser levantado a deviam chamar o Hamas a prestar contas. Ao contrário do Hamas as forças de segurança de Israel não parecem ter por principio o maximizar as baixas civis do inimigo (senão acreditem que o estrago não seria de mil e tal mortos mas de dezenas de milhares).

E se estivesse em qualquer parte do mundo árabe penso que provavelmetne teria emigrado à primeira oportunidade.

Ricardo Alves disse...

Pedro Fontela,
a maneira como Israel trata a sua minoria árabe é provavelmente bem pior do que a maneira como o Líbano ou a Jordânia tratam qualquer das suas minorias.

É claro que os dois lados não são iguais (se é que há dois lados... a questão parece-me bem mais complexa). Há imensas diferenças. Como há imensas maneiras de apreciar cada um dos lados. Eu sou mais exigente com as democracias do que com as ditaduras, particularmente quando toca a iniciar acções militares punitivas. O que há que evitar, nesta questão como em quase todas, são os maniqueísmos e os tribalismos. Nem Israel é exemplo para ninguém, nem os árabes estão isentos de culpas. O que não quer dizer que sejam iguais, repito.

Não podemos decidir da bondade de uma guerra (penso ser essa a tua questão central) apenas em função do regime político interno de cada Estado. E aliás, o conflito israelo-palestino não é essencialmente um conflito entre regimes políticos ou ideologias. É uma disputa por terra entre dois povos, com um historial de sessenta anos. O regime político israelita ser mais democrático do que o do Hamas não tem ajudado a resolver o problema, diga-se. E não deve ser critério para apoiar acriticamente o belicismo punitivo dos israelitas, que este ano já registou um milhar de mortos que não resolveu nada e só agravou a situação.

O fulcro da questão é uma história longa de sessenta anos com três pontos fundamentais: a expulsão da população palestina da sua terra; a criação de um Estado para judeus nessa terra; o recurso dos árabes à violência e ao terrorismo.

A solução final provavelmente será injusta para os árabes, mas teria que passar por uma democratização/laicização de Israel (o que também não prevejo que aconteça rapidamente).

Pedro Fontela disse...

Ricardo alves,

E alguém vai tirar os judeus de lá? Não. Alguém vai tirar os palestinianos de lá? Não. Mistakes were made, get over it.

Isto são verdades que ninguém contesta (ou pelo menos eu não o faço). Por muito mal pensado que o acto de fundação do estado de Israel tenha sido (e foi) isso não pode constar na lista de argumentos nesta altura do campeonato.


Ps: quanto à democracia discordo, há muitas formas de paricipação política e organização que não sendo democráticas podem ser bem mais justas e eficazes e acho que o tratamento dado à população por parte dos seus governantes é mais importante do que essa mesma população ir votar de tempos a tempos.

Ricardo Alves disse...

OK. Foram feitos erros. E qual é a solução? Apoiar todas as guerras que os iraelitas decidem lançar? Exterminar os palestinos?

A solução de dois Estados parece inviável, em particular quando a hostilidade se mantém e leva a fechos de fronteira (num território exíguo), a controlos da água e outros recursos, quando há os colonatos, etc.

Uma solução possível seria a democratização e laicização de Israel, mas o tratamento que Israel dá à sua população árabe não ajuda muito, pois não?

Pedro Fontela disse...

Se não há realmente uma intenção de paz do lado da Palestina então tenho sérios problemas em condenar incursões israelitas. Se um estado está em guerra o outro pode abstrair-se disso? Como disse no comentário em cima nem os judeus vão a nenhum lado nem os palestinos mas isso não implica que não tenha que existir uma vontade real de paz - com um governo dominado por uma organização terrorista isso é claramente impossivel.

Israel não é democrático? Pode não ser laico e apesar de eu achar essa evolução um passo positivo não vejo em que possa alterar as considerações de segurança do estado.

Ricardo Alves disse...

Pedro,
lê isto:

«Following are excerpts from a coalition agreement initialed by Israeli Prime Minister-designate Benjamin Netanyahu's right-wing Likud and the far-right Yisrael Beitenu party led by Avigdor Lieberman:

-- "The chairman of Yisrael Beitenu (Lieberman) will serve as deputy prime minister and foreign minister."

-- "The parties to this agreement regard the creation of a unity government at this time as being a national imperative."

-- "Toppling the Hamas government in the Gaza Strip will be an Israeli strategic goal."

http://www.reuters.com/article/newsMaps/idUSTRE52F2AD20090316

Quando um governo eleito se coloca como objectivo derrubar um governo estrangeiro, que dizer? A hostilidade é mútua. E não vai melhorar...