quarta-feira, 25 de março de 2009

Pena de morte e religião

A análise da generalidade dos media ao relatório da Amnistia Internacional sobre a pena de morte em 2008 concentra-se em destacar os Estados que executaram um maior número de pessoas, e em sublinhar as anomalias «regionais» (continentais). Ou seja, os dez piores do mundo em 2008 seriam:
  1. China, 1718;
  2. Irão, 346;
  3. Arábia Saudita, 102;
  4. EUA, 37;
  5. Paquistão, 36;
  6. Iraque, 34;
  7. Vietname, 19;
  8. Afeganistão, 17;
  9. Coreia do Norte, 15;
  10. Japão, 15.
O que está certo, porque as 1718 execuções da China são sem dúvida mais relevantes do que as 37 dos EUA. Mas, se calcularmos o número de execuções por milhão de habitantes, podemos fazer uma análise bastante diferente do problema da pena de morte.
  1. Irão, 5.2;
  2. Arábia Saudita, 3.6;
  3. China, 1.28;
  4. Líbia, 1.27;
  5. Iraque, 1.17;
  6. Coreia do Norte, 0.66;
  7. Iémen, 0.55;
  8. Afeganistão, 0.51;
  9. Bielorrússia, 0.41;
  10. Vietname, 0.22.
Assim, nota-se que os dois Estados do mundo que mais pessoas executam por milhão de habitantes são também, curiosamente, os mais teocráticos: o Irão xíita e a Arábia Saudita wahabita. E a segunda tabela tem outra curiosidade: a de todos os Estados serem ou ditaduras pós-comunistas (incluindo a Bielorrússia), ou Estados islâmicos (na primeira tabela havia duas democracias). Sendo que estes últimos dominam a segunda tabela em número de Estados presentes e, sobretudo, nos lugares de topo.