sábado, 21 de março de 2009

«Arqueonautas, SA»

O Filipe Castro descreveu as actividades de «caça ao tesouro» da Arqueonautas SA e do Sr. Duarte, que está ligado a esta empresa. Os monárquicos do costume acharam que era um mero ataque político (ver a caixa de comentários). Não pretendo saber de arqueologia náutica um décimo do que o Filipe Castro sabe, mas com um pouco de Google descobre-se o seguinte...
  • «Segundo Alexandre Monteiro, da Archport, "A Arqueonautas, AS é uma empresa de caça ao tesouro formada em 1994. Tinha como director de operações John Grattan, ex-oficial da Royal Navy e protagonista de vários desacatos e crimes na ilha Terceira, onde operou em 1972. A empresa que tem (ou tinha) como accionistas, entre outros, membros do Grupo Espírito Santo, Francisco Pinto Balsemão e José Manuel de Mello, opera (ou operou) em Cabo Verde com o beneplácito do Ministro do Mar, depois de ter visto frustrada a sua intenção de proceder a prospecções e recuperações nos mares dos Açores, ao abrigo do revogado dec.lei 289/93.

    (...)

    Existem – ou existiam – algumas pessoas e entidades – como a Fundação Ricardo Espírito Santo e a Faculdade de Letras de Lisboa – associadas a esta empresa. Entre as individualidades referidas contam-se José Hermano Saraiva, consultor cultural da empresa, e Dom Duarte de Bragança, presidente do Conselho de Acompanhamentos da Arqueonautas, AS. Este último, segundo as suas declarações à Agência Lusa aquando da sua estadia no aerquipélago cabo-verdiano, em Julho de 1995, teria usado a sua influência para sensibilizar as autoridades locais para a recuperação de naufrágios históricos, num projecto que custaria milhões de dólares. O gabinete de Dom Duarte admitiu mesmo ao jornal Público que o pretendente ao trono participara na reunião havida entre a Arqueonautas e o governo cabo-verdiano, reunião na qual foi negociada a concessão de exploração de uma zona marítima junto à ilha do Fogo".» (Naufrágios)
  • «Surpreendente, também, o facto de terem sido já feitas partilhas dos bens recuperados, na medida em que o próprio relatório da Arqueonautas, de Dezembro de 2002, afirma que “foi decidido que sem uma detalhada publicação das descobertas e escavações era impossível naquele estágio discutir a repartição da porcelana.” Ora não temos conhecimento de que tenha sido feita qualquer publicação sobre este assunto e é óbvio que as partilhas foram já feitas e a parte da Arqueonautas exportada.

    Lamentável também que essas peças tenham abandonado o país e sido dispersas, através da venda em leilão, sem que os moçambicanos tenham tido a possibilidade de, ao menos, as verem numa exposição em Moçambique. (...)

    Na verdade o art. 6, ponto 1 do contrato entre o Estado e a Arqueonautas/Património Internacional, refere um segredo rigoroso e completo, muito para além da protecção dos locais prevista no art. 19 da Convenção da UNESCO que cita . Refere-se a todo o conteúdo do contrato. O público tem sido mantido na ignorância do que está a acontecer, com excepção de raros, e pouco informativos, artigos em jornais.» (Ma-Schamba)

  • «O património cultural subaquático não deve ser explorado comercialmente. É o que diz, desde 2001, a Convenção da UNESCO para a sua protecção. Que por enquanto não está em vigor. Portanto, quem se dedica a retirar do fundo do mar pequenos e grandes tesouros para serem leiloados, independentemente da sua origem tem toda a cobertura legal. E tem lucros que divide com os Governos desses países africanos.» (Diário de Notícias)
  • «Portugal tem assumido ao longo do tempo uma atitude passiva face ao que tem acontecido com os seus antigos navios, muito diferente da tomada pelos espanhóis, que não hesitaram em colocar em tribunal um dos poderosos caça-tesouros do mundo, a empresa Odyssey, para defender o património dos seus navios naufragados, tendo ganho acções em várias instâncias, nos tribunais norte- -americanos.» (Diário de Notícias)
  • O próprio Filipe Castro escreveu abundantemente sobre o assunto no seu outro blogue, aqui, aqui, aqui, aqui e ali.
Se bem entendo, temos uma empresa formada por «aristocratas» europeus e capitalistas lusitanos que se dedica a retirar a carga de navios portugueses afundados ao largo da costa africana, e depois a leiloar os objectos encontrados. Desconheço a legislação aplicável, mas há vários pontos que me parecem desde logo criticáveis: a) a destruição de património arqueológico (não parece haver o necessário enquadramento de arqueólogos profissionais); b) a alienação de património cultural (e tecnológico) que deveria pertencer ou ao Estado-bandeira da carga ou ao Estado onde se encontra o navio (os países africanos nem se parecem aperceber do que estão a permitir...); c) a dispersão de colecções de arte que acabam vendidas avulso. Fica claro que o Sr. Duarte, pela sua associação a esta empresa, deveria ter vergonha de falar em defender o património cultural português. Mas isso nem é o mais importante.

Se não percebi bem, o Filipe que explique melhor, na caixa de comentários ou em artigo autónomo.

15 comentários :

Bresnev disse...

Man mas o que interessa isto ?

Mata a fome ?

Dá emprego ?

Paga os créditos ?

Muda de assunto !

herege disse...

Mas onde entra a luta de classes nisto ? Realmente ... acho mais grave acabarem hoje com o ensino especial nas escolas e a segregação de ciganos em aulas dadas em contentores ...

Afinal a republica é sinónimo de igualdade só para alguns ... devia ser por isto que devíamos estar a lutar e não por outras coisas ...

Benfica roubou o Sporting ! Isso é que é importante ...

Agora arqueologia ... porquê ? tens algo escondido que não queres que não se saiba ?

Che disse...

Notícia de 2005

Lei permite que receba pensão e remuneração
Cavaco Silva acumulará salário e reforma

O novo regime das pensões e subvenções dos titulares de cargos políticos, aprovado em Outubro de 2005, permite ao Presidente da República acumular o salário mensal com pensões. E, assim sendo, Cavaco Silva poderá auferir, a partir de 9 de Março, data em que toma posse como Presidente da República, o salário mensal em conjunto com duas reformas.
O Presidente eleito só perderá a subvenção vitalícia, cujo valor ascende a 2.876 euros, à qual tinha direito por ter exercido o cargo de primeiro-ministro, noticia o «Correio da Manhã».
A nova legislação estabelece que os deputados, os eurodeputados e os autarcas, entre outros titulares de cargos políticos, tenham, caso recebam reformas no exercício de funções públicas, de optar entre um terço do salário ou um terço da pensão. Mas, para o Presidente da República, essa imposição legal não existe, dado que o Presidente não é abrangido pela Lei 52-A, de 2005.

Desse modo, acrescenta o jornal, Cavaco Silva poderá auferir uma remuneração mensal bruta da ordem de 7.100 euros em conjunto com as duas pensões que recebe do Banco de Portugal (BP) e da Caixa Geral de Aposentações (CGA), como professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova, no valor líquido de 5.007 euros. Segundo o gabinete jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, Cavaco Silva apenas tem de prescindir da subvenção vitalícia que recebe como ex-primeiro-ministro, «em virtude de assumir novas funções públicas».

De pensão do BP, recebe 2.679 euros, mas esta reforma resulta de descontos referentes a uma presença de quase 30 anos no banco central português. Cavaco Silva iniciou funções no BP em 1977, onde ficou com um nível 18, e saiu desta instituição em 2004, saindo também com o nível 18. E nunca integrou a administração do BP, não sendo, por isso, abrangido pelo regime especial de reformas dos administradores da instituição.

Como professor na Universidade Católica tem um salário da ordem de cinco mil euros por mês. Já como Presidente da República irá auferir uma remuneração da ordem de 7.049 euros.

A Agência Financeira quer saber a sua opinião sobre esta realidade. Concorda com esta possibilidade de acumular o vencimento com as pensões?

Fonte : http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=639412&main_id=

Ricardo Alves disse...

«Man mas o que interessa isto ?
(...)
Muda de assunto !»

Pelos vistos, incomoda...

Ricardo Alves disse...

«Mas onde entra a luta de classes nisto ?»

?! «Luta de classes»? Onde?

«Afinal a republica é sinónimo de igualdade só para alguns ... devia ser por isto que devíamos estar a lutar e não por outras coisas ...»

Deveríamos lutar pela igualdade só para alguns? Porque não para todos?

«Benfica roubou o Sporting ! Isso é que é importante ...»

;) De acordo! (Única coisa com sentido num comentário invulgarmente confuso...)

«Agora arqueologia ... porquê ? tens algo escondido que não queres que não se saiba ?»

Não quero que não se saiba? Quando tenho algo que não quero que não se saiba, vou para a rua gritá-lo de megafone em punho.

Indo à matéria em apreço: que o património arqueológico português seja delapidado a favor dos leilões da Christie´s é-lhe indiferente? Acha que o assunto não merece ser referido, nem sequer num blogue?

Ricardo Alves disse...

«Cavaco Silva acumulará salário e reforma»

Sim, e...?

Realmente, se formos a avaliar pelos comentários excêntricos que este post gerou, a questão dos «arqueonautas» parece mesmo incómoda...

Zeca Portuga disse...

A mim não incomada nada.

Tratando-se de uma "caça", os produtos "caçados" pertencem ao caçador.

Pena tenho que não me aceitem na equipa... para receber as "mais valias"!

Ricardo Ferreira disse...

Oh zeca e se houver larilas entre os caças tesouros??'

Ainda quer fazer parte da equipa?

Zeca Portuga disse...

Aqui só se fala de Homens, não é de paneleiros...

Maricas na caça oa tesouro, não dá, só se fosse na "cabra cega":

Ricardo Ferreira disse...

Homens? O zeca é Homem?

O que é um Homem?

Ricardo Alves disse...

«O zeca é Homem?»

O Zeca é preconceituoso e insulta a torto e a direito anonimamente.

Penso ter respondido à sua pergunta. ;)

Ricardo Ferreira disse...

Só estava a meter-me com o Zeca.

De certeza que zé não é nome verdadeiro, porque se fosse ia jurar que era um cro-magnon que conheço pessoalmente.

E se fosse essa pessoa, de homem tem muito pouco.

Ricardo Alves disse...

Ninguém escreveria o que o «Zeca» escreve com o nome verdadeiro.

O anonimato, no caso dos «Zecas», serve exactamente para isso: para desresponsabilizar. É o recurso dos cobardolas.

Filipe Castro disse...

Concordo :o)

Uma das coisas mais tristes da blogosfera é esta história dos anónimos. Bem sei que a maioria tem 12 ou 13 anos, mas mesmo assim é pena que não lhes cresça um par de testículos no sítio onde eles têm aquelas ervilhinhas engelhadas que não lhes permitem ter opiniões...

Filipe Castro disse...

O comentário do "Bresnev" é delicioso e resume eloquentemente o
"pensamento" político português, à esquerda e à direita, do Camarada Alvaro Cunhal ao Dr. Arroja.