domingo, 31 de Maio de 2009

Pela igualdade no casamento civil

Eu acho que os homossexuais não sabem no que se estão a meter (casamento), e que estão muito enganados se pensam que deixarão de ser olhados de lado se se puderem casar. Mas acho que não se perderá nada e se ganhará alguma coisa no dia em que puderem assmir responsabilidades legais perante o cônjuge. Pode-se assinar a petição pela igualdade no casamento civil aqui. Detalhes noticiosos por aqui e por acolá.

Medb Ruane: «Church power is incompatible with our modern democracy»

Na Irlanda, continua o escândalo do abuso sexual às mãos da «caridade» católica... e há muito quem não queira ouvir.
  • «A generation became 'abused out' while the commission sat. The stories were so harrowing and dark that some started speaking of "abuse fatigue", which was code for saying "don't tell us any more" or "let's keep foolin' ourselves" -- or even "tell them they don't want to hear and we might get away with it". (...)

    The heart of the story is the immense suffering of children in residential care managed by Catholic orders -- how they were treated as objects by sadists, and how those sadists were effectively protected by the religious orders and by the State's gross failure to challenge them.

    The abuse was possible because the orders and the residential homes were run like totalitarian states -- in a State which kept out because of respect for Catholicism and an absence of children's rights. Meanwhile, the orders were answerable only to the Vatican State, where democracy and accountability still don't feature. (...)» (Ler na íntegra.)

Pois, pois, com a Bíblia a discussão melhora de nível

o ministro israelita Daniel Herschkowitz cita fantasias da Bíblia para explicar a realidade. Comparar Obama com um faraó dum conto de fadas vai, de certeza, ajudar a resolver o problema.

E ninguém diz nada: Israel é um país de um conto de fadas (mau), governado por uma ideologia absolutamente lunática (e racista).

Mau gosto

Todos estamos fartos de saber isto: a classe média está em decadência desde os anos Reagan Thatcher. O motivo? Políticos que acreditam que asseguram o futuro dos filhos lambendo as botas aos ricos (embora os da Thatcher sejam uns desgraçados).

Sobre a classe média, hoje, no El Pais: "El declive de la clase media se extiende por todo el mundo desarrollado. En Alemania, por ejemplo, un informe de McKinsey publicado en mayo del año pasado, cuando lo peor de la crisis estaba aún por llegar, revelaba que la clase media -definida por todos aquellos que ganan entre el 70% y el 150% de la media de ingresos del país- había pasado de representar el 62% de la población en 2000 al 54%, y estimaba que para 2020 estaría muy por debajo del 50%."

Só me faz confusão o mau gosto Durão Barroso (e dos patrões dele). No México e no Brasil (os modelos económicos deles), a vida dos multimilionários é miserável: raptos, crimes, poluição, lixo, máfias, violência, bairros de lata ao lado de condomínios com paredes de 6 m de altura, guardas com metralhadoras. E isto é o mundo com que eles sonham?

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

acho óptimo!

«[...] O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, defendeu hoje o voto obrigatório nas eleições em Portugal como forma de “proteger” a democracia e aumentar a responsabilidade dos políticos.

“Defendo o voto obrigatório porque, se a democracia não se proteger, quando precisarmos de autoridade democrática, ela será precária e, quando precisarmos de decidir, duvidaremos sempre da legitimidade das decisões”, afirmou Carlos César [...]»


(PÚBLICO.PT --- 28.05.2009)

e quem não quer votar em ninguém... vota em branco! daahh!

o princípio do fim do deboche?

«[...] A TVI, mais concretamente algumas das suas emissões do Jornal da Noite de 6.ª Feira, foi condenada pelo Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social por “desrespeito de normas ético-legais aplicáveis à actividade jornalística”. [...]»

(PÚBLICO.PT --- 28.05.2009)

Uma campanha triste

As campanhas eleitorais para as eleições europeias deixam sempre a maioria da população indiferente. E com razão: mesmo se a maioria provavelmente não se apercebe de que o Parlamento Europeu é uma mera câmara consultiva, que pode vetar legislação mas não a pode iniciar, é óbvio que nunca uma eleição para o Parlamento Europeu provocou a queda ou mudou a orientação política de uma Comissão Europeia. A União Europeia, como deveria ser explicado por políticos que quisessem realmente esclarecer os cidadãos, é efectivamente governada pelo Conselho Europeu, ou mais concretamente pelo Directório de grandes países que o domina pela força de Tratados que conseguem o prodígio de reconhecer o peso da demografia desconhecendo a democracia.

Para o futuro da União Europeia, o mais importante são portanto as eleições nacionais na Alemanha, na França, na Itália e no Reino Unido.

No pequeno Portugal, os candidatos ao Parlamento Europeu nunca assumem nada disto, embora o saibam. E portanto não podem prometer mudanças nas políticas da UE, porque sabem que elas dificilmente virão do Parlamento Europeu; e não podem prometer mudanças na mecânica política da UE, porque essas só poderão resultar de eleições de âmbito nacional, com os grandes Estados a liderar o processo.

As eleições nacionais para o Parlamento Europeu são o melhor exemplo da democracia enquanto Catch 22: nada de substancial será mudado pelo voto, porque o próprio sistema (União Europeia) está construído para evitar que isso aconteça. O que torna a campanha triste e apagada.

quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Dias Loureiro kaput

Era o padrinho do cavaquismo: adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye...

Exactamente o que eu disse

Sobre a remodelação da Praça do Comércio, escrevi: «não entendo qual a relação entre a remodelação apresentada da Praça e a celebração do centenário da implantação da República. Insiste-se na temática dos «descobrimentos», com rotas de navegação do século 16 desenhadas no chão. (...) Para quando a ruptura com a cultura política que insiste no Afonso Henriques, no Vasco da Gama e no Nun´Álvares?». Agora, comenta-se, lá para a Ordem dos Arquitectos: «Quanto às linhas se prevê que venham a ornamentar os passeios junto às arcadas, inspiradas nas antigas cartas de marear, lembram a Carrilho da Graça “os tempos do fascismo e a exposição do mundo português”». Ora, exactamente.

Quanto à redução da área para circulação automóvel, a necessidade de árvores e a desnecessidade de degraus junto ao rio, parece que estamos (quase) todos de acordo.

Pergunta

Não sei o que espera Cavaco Silva para retirar publicamente a sua confiança política a Dias Loureiro. Estará à espera que o outro se demita do Conselho de Estado por vontade própria? Se muito o segura, ainda acaba arrastado na queda...

domingo, 24 de Maio de 2009

Mascote «Liberdade» morre no Iraque

«Designada por Bush em 2003 para elevar o espírito da nação face aos horrores da guerra no Iraque, um passeio desta mascote chamada "Liberdade" tornou-se fatal devido à explosão de uma bomba na estrada.»
É mais uma interessante sátira do The Onion:

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

A verdade sobre a «caridade» católica

Da próxima vez que vos disserem que a ICAR é muito importante por causa do trabalho de assistência social que realiza, por causa das suas escolas privadas todas, por causa dos reformatórios e dos internatos, e sem ela o que seria dos pobres e dos órfãos, perguntem em quantas dessas instituições há abusos sexuais sistemáticos (embora com uma preferência por rapazes), espancamentos e humilhações diárias.

Revista de blogues (20/5/2009)

  1. Há realmente confissões religiosas menos clericais do que outras: «até fiquei surpreendido com as Testemunhas de Jeová, que responderam à possibilidade de distribuição de preservativos nas escolas com indiferença, já que, dizem eles, os seus jovens são educados para a castidade independentemente da conduta alheia. Ou seja, vivem os seus preceitos religiosos sem necessidade de os imporem pela lei civil. E já era tempo de a comunidade muçulmana - tal como a católica - aprenderem a fazer o mesmo.» (Penates Publici).
  2. Mas engraçado mesmo seria uma educação sexual baseada nestes princípios: «“se o teu marido sugere terem relações sexuais, acede humildemente, mas tem sempre em conta que a satisfação dele é mais importante que a tua”; “se o teu marido te pede práticas sexuais que não são comuns, obedece e não te queixes”» (Água Lisa).

A cenoura e o chicote

A Hillary Clinton promete 100 milhões de dólares ao Paquistão. Obviamente. Há apenas um mês, acusou a clique no poder de «capitular» face ao avanço dos talibã. Uma semana depois, o governo iniciou uma ofensiva que já provocou um milhão e meio de refugiados, talvez a pior crise de refugiados desde o Ruanda, em 1994. (Curiosamente, uma guerra quase ignorada nos media convencionais e, em particular, na lusa blogo-esfera, inclusivamente pelos entusiastas da «guerra ao terrorismo».)

A guerra civil no Paquistão não tem protagonistas simpáticos. Entre os integristas talibã e os autocratas corruptos de Islamabade e Carachi, é difícil ter simpatias. E os talibã foram, em boa medida, uma criação dos serviços de informações paquistaneses com objectivos de poder regional. Mas do que acontecer no Paquistão depende boa parte do futuro do islamismo internacional.

terça-feira, 19 de Maio de 2009

Europa e paz

A demagógica associação da UE à «paz europeia» pós-1945 (ver aqui e aqui), tem o seu único argumento favorável na inexistência de conflitos entre a Alemanha e a França, dada a regulação entre interesses divergentes instaurada pelo «Mercado Comum». Mas a União Europeia pode ser acusada de ter precipitado o desencadear das guerras jugoslavas com o reconhecimento, sob pressão alemã e vaticana, das independências da Eslovénia e da Croácia. De resto, não têm faltado guerras no mais civilizado dos continentes, da Grécia ao Ulster e à Geórgia...

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Europa em paz? (2)

Depois de uma canção dedicada à amizade franco-alemã, continuamos hoje a nossa volta à Europa com uma canção dedicada à várias vezes centenária amizade anglo-irlandesa.

A guerra da independência da Irlanda ainda não acabou realmente. Entre 1969 e 2001, morreram mais de três mil e quinhentas pessoas na Irlanda do Norte, na violência entre comunidades religiosas que se odeiam visceralmente. Desde 1998 que existe uma paz tensa, mas a segregação entre comunidades não mudou. Esta paz parece um intervalo causado pelo cansaço. Em qualquer dos casos, dificilmente se poderá dizer que o actual período de paz se deve à União Europeia.



«Sunday Bloody Sunday» (1983): canção de protesto irlandesa sobre um massacre em Derry, em 1972 (quando soldados da democracia britânica dispararam sobre civis desarmados, matando 14), e sobre os confrontos de 1920 (quando o assassinato de agentes britânicos por independentistas irlandeses levou os britânicos a metralhar uma multidão que assistia a um jogo de futebol).

Anti-EUA...

Eu acho que se tornou uma espécie de passatempo dos simples pedir aos americanos que sejam mais morais que o resto do mundo. Os relatórios da Amnistia Internacional mostram bem que quase todos os países do mundo (incluindo Portugal) têm telhados de vidro.

Os EUA são de facto enormes, riquíssimos, fortíssimos e populados por campónios que adoram o dinheiro como um fim, como a única medida de felicidade e respeitabilidade, como a única prova do amor do deus deles. Por isso, os americanos fazem coisas horríveis uns aos outros, por dinheiro. E aos vizinhos e países que têm recursos que eles precisam, nem é bom falar.

Mas os portugueses fazem coisas horríveis uns aos outros sem razão nenhuma. Para não falar da forma como tratamos os imigrantes, ou das ex-colónias, onde os políticos portugueses pactuam com e encobrem os crimes mais hediondos e as injustiças mais repugnantes, todos os dias.

E os espanhóis? E os franceses? E os ingleses? E os holandeses? E os sauditas? e os Líbios? E os russos? E os chineses? E os ucranianos? E os brasileiros?... serão melhores?

Torna-se um bocado irritante ouvir este tom das críticas quotidianas aos EUA, que parece que sugerem implicitamente que o resto do mundo é todo honesto e generoso. Os americanos não têm, infelizmente, o monopólio da ganância. Nem o da violência.

79 Bispos

Descobri num blogue taliban uma lista dos 79 bispos que se manifestaram publicamente contra o convite a Obama:

Bishop Joseph V. Adamec - Altoona-Johnstown, PA
Bishop John D'Arcy - Fort Wayne-South Bend, IN
Bishop Samuel Aquila - Fargo, ND
Bishop Gregory Aymond - Austin, TX
Bishop Robert Baker - Birmingham, AL
Bishop Gerald Barbarito - Palm Beach, FL
Bishop Leonard Blair - Toledo, OH
Cardinal Anthony Bevilacqua (Archbishop Emeritus) - Philadelphia, PA
Bishop Lawrence Brandt - Greensburg, PA
Archbishop Daniel Buechlein - Indianapolis, IN
Bishop Fabian Bruskewitz - Lincoln, NE
Archbishop Eusebius Beltran - Oklahoma City, OK
Auxiliary Bishop Oscar Cantú - San Antonio, TX
Archbishop-Elect Robert Carlson - St. Louis
Archbishop Charles Chaput - Denver, CO
Bishop Paul Coakley - Salina, KS
Auxiliary Bishop James Conley - Denver
Bishop Edward Cullen - Allentown, PA
Bishop Frank J. Dewane - Venice
Bishop Nicholas Di Marzio - Brooklyn, NY
Cardinal Daniel DiNardo - Houston, TX
Archbishop Timothy Dolan - New York, NY
Bishop Thomas Doran - Rockford, IL
Auxiliary Bishop John Dougherty - Scranton, PA
Bishop Robert Finn - Kansas City-St. Joseph, MO
Bishop Joseph Galante - Camden, NJ
Bishop Victor Galeone - St. Augustine, FL
Bishop John Gaydos - Jefferson City
Cardinal Francis George - Chicago, IL; President, USCCB
Bishop Gerald Gettelfinger - Evansville, IN
Archbishop José Gomez - San Antonio, TX
Auxiliary Bishop Roger Gries - Cleveland, Ohio
Bishop Bernard Harrington - Winona, MN
Bishop Robert Hermann - St. Louis, MO
Bishop William Higi - Lafayette, IN
Archbishop Alfred Hughes - New Orleans, LA
Bishop Michael O. Jackels - Wichita, KS
Bishop Sam Jacobs - Houma-Thibodaux, LA
Bishop James V. Johnston - Springfield-Cape Girardeau, MO
Bishop Peter Jugis - Charlotte, NC
Bishop Joseph Latino - Jackson, MS
Bishop John LeVoir - New Ulm, MN
Bishop Jerome Listecki - La Crosse, WI
Bishop William E. Lori - Bridgeport, CT
Bishop Paul Loverde - Arlington, VA
Bishop George Lucas - Springfield, IL
Bishop Robert Lynch - St. Petersburg, FL
Bishop Joseph Martino - Scranton, PA
Bishop John McCormack - Manchester, NH
Bishop Robert Morlino - Madison, WI
Bishop William Murphy - Rockville Centre, NY
Bishop George Murry - Youngstown, OH
Archbishop John J. Myers - Newark, NJ
Archbishop Joseph Naumann - Kansas City, KS
Bishop R. Walker Nickless - Sioux City, IA
Archbishop John C. Nienstedt - St. Paul-Minneapolis, MN
Archbishop Edwin O'Brien - Baltimore, MD
Bishop Thomas Olmsted - Phoenix, AZ
Archbishop Daniel E. Pilarczyk - Cincinnati, OH
Bishop Reymundo Pena - Brownsville, TX
Bishop Glen Provost - Lake Charles, LA
Bishop David Ricken - Green Bay, WI
Cardinal Justin Rigali - Philadelphia, PA; Chairman, USCCB Pro-Life Committee
Bishop Kevin Rhoades - Harrisburg, PA
Bishop Alexander Sample - Marquette, MI
Bishop Michael Sheridan - Colorado Springs, CO
Bishop Edward J. Slattery - Tulsa, OK
Bishop John Smith - Trenton, NJ
Bishop Richard Stika - Knoxville, TN
Bishop Anthony Taylor - Little Rock, AR
Bishop George Thomas - Helena, MT
Bishop Donald Trautman - Erie, PA
Bishop Robert Vasa - Baker, OR
Bishop Michael Warfel - Great Falls-Billings, MT
Bishop Thomas Wenski - Orlando, FL
Archbishop Donald Wuerl - Washington, D.C.
Bishop Emeritus John Yanta - Amarillo, TX
Bishop David Zubick - Pittsburgh, PA

Adorava saber quantos entre estes se manisfestaram publicamente contra a violação de crianças - confirmadas 11 mil, por 5 mil padres católicos, ao longo de 25 anos - e o encobrimento destes crimes pela hierarquia da ICAR, durante 25 anos.

domingo, 17 de Maio de 2009

Milhares de pro-vidas?

Os "milhares de manifestantes" anunciados à porta da universidade para protestarem o facto de Obama ser assumidamente pro-escolha afinal eram 300. Pelo contrário, muitos antigos alunos ameaçaram retirar a universidade dos seus testamentos se o director persistisse em negar o título honoris causa a Obama e obrigaram-no a dar o dito por não dito e atribuir o título ao presidente dos EUA.

No fim, duas escassas dúzias de manifestantesinvadiram a universidade e a polícia teve de prender 19 pessoas, de ambos os sexos, que se manifestavam contra os direitos das mulheres.

Por muito que a banca, os seguros, a indústria de saúde, a indústria militar, a imprensa e a televisão não queiram, a América adora ter um presidente adulto, articulado e viajado.

O presidente eloquente

Obama falou hoje aos católicos da Univ. de Notre Dame:

"But remember too that the ultimate irony of faith is that it necessarily admits doubt. It is the belief in things not seen. It is beyond our capacity as human beings to know with certainty what God has planned for us or what He asks of us, and those of us who believe must trust that His wisdom is greater than our own.

This doubt should not push us away from our faith. But it should humble us. It should temper our passions, and cause us to be wary of self-righteousness. It should compel us to remain open, and curious, and eager to continue the moral and spiritual debate that began for so many of you within the walls of Notre Dame."

Guerra ao Islão!

Hoje apareceram na internet uns comentários sobre os memorandos de Donald Rumsfeld que, a serem verdadeiros, o fazem ainda mais tarado do que nós pensávamos e nos deixam perplexos pelo perigo que em que estivemos, com aquele de fundamentalistas na Casa Branca durante 8 anos, a brincarem aos crusados, com acesso a bombas atómicas e um ódio patológico ao Islão...

As capas, com citações da Bíblia (da autoria de um general), são tristemente infantis e deixam perceber bem porque é que a invasão foi um fracasso tão grande.

waking up to reality

«[...] A Administração de Barack Obama vai anunciar hoje uma reforma das comissões militares de excepção que a Administração Bush instituíra para julgar os suspeitos de terrorismo encarcerados em Guantánamo. [...]

Obama decidiu restabelecer as comissões mas reforçando as garantias legais que estas oferecem aos réus. Manter o sistema das comissões, que o próprio Obama descrevera como “um enorme fracasso” durante a campanha, vai gerar uma onda de críticas e custar ao Presidente a boa vontade que conquistara das organizações de defesa de direitos humanos ao anunciar a intenção de encerrar Guantánamo ou de pôr fim à tortura e aos maus-tratos. [...]

É uma desilusão que Obama faça renascer [as comissões] em vez de pôr fim a esta experiência falhada. Não há nenhum detido em Guantánamo que não possa ser julgado no sistema regular dos tribunais federais”, defendeu em declarações à BBC Jonathan Hafetz, do American Civil Liberties Union. [...]»


(PÚBLICO.PT --- 15.05.2009)

ferreira do amaral wannabe

«[...] A equipa do Ministério das Finanças liderada por Manuela Ferreira Leite, durante o Governo de Durão Barroso, concedeu o regime de neutralidade fiscal à reestruturação do Grupo Totta, que integrava os bancos Totta & Açores, Santander Portugal, Crédito Predial Português (CPP) e Foggia. A operação traduziu-se, segundo fonte conhecedora do processo, num benefício fiscal de "cerca de um milhão de euros."

A decisão consta de um despacho do então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Vasco Valdez, de 18 de Junho de 2004, um mês antes de Santana Lopes tomar posse como primeiro-ministro. Em Março de 2006, menos de dois anos após ter saído do Governo e antes dos três anos previstos na lei, Ferreira Leite era administradora não-executiva no Banco Santander de Negócios. Em 2007, ganhou quase 83 mil euros em salários.

Vasco Valdez diz que 'Manuela Ferreira Leite não tinha conhecimento da situação, porque delegou funções, e que não foram concedidos benefícios de natureza contratual, pelo que não estava obrigada a cumprir os três anos [de ‘nojo’] previstos na lei.' O fiscalista Saldanha Sanches diz que 'não há dúvidas legais, porque não há um benefício fiscal de natureza contratual, mas a nível ético 'o que a salva é o adjectivo ‘natureza contratual’, que está na lei'. [...]»


(Correio da Manhã --- 16 Maio 2009)

sábado, 16 de Maio de 2009

Palhaçadas que nos envergonham a todos

O Público on-line de hoje tem um filme com a Nossa Senhora de Fátima a visitar o hospital de D. Estefânia com uns mascarados (padres) e os fiéis a cantarem umas canções horríveis e desafinadíssimas, e a pedir-lhe que faça milagres ("Tira-as das camas querida mãe!" grita um popular à imagem da Nossa Senhora que, como é de pau, não o pode ouvir).

Faz-me imensa pena ver este povo supersticioso, resignado, desmoralizadao, incapaz de perceber quem lhe mente, quem o rouba e quem o engana, incapaz de se organizar e melhorar a vida colectiva do país.

Bem sei que aqui nos EUA as coisas deixam imenso espaço para melhorias, mas visto daqui Portugal é o mesmo sítio onde se passou a acção do romance "O Crime do padre Amaro". Não mudou NADA: o clero, a nobreza e o povo, todos igualmente ignorantes e vítimas das mesmas convicções medievais e supersticiosas, a perpetuarem um sistema em que não há espaço para o mérito e o conhecimento não é um valor.

(a nobreza e o clero, em todo caso, em melhores lençóis que o povo).

Imigração, PS, forma e conteúdo

Quando Manuela Ferreira Leite fez as tristes declarações alusivas à mão de obra na construção do TGV («Ao desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam»), a esquerda em geral e o PS em particular, cheios de razão, «riram-se» da postura trauliteira e primária que essas declarações traíam.

Pois é, malta civilizada não tem este medo da imigração. Malta civilizada não faz declarações deste teor. Só é pena é que, na altura da verdade, e naquilo que conta que são as acções e não as palavras, cortem mais de 50% dos vistos de trabalho para imigrantes, esquecendo inclusivamente os problemas relativos à sustentabilidade da segurança social.

Eu não percebo como é que este assunto não é mais debatido. Assim como quem não quer a coisa cortam-se 50% dos vistos de trabalho, e parece que todos acham normal.

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Dia da Virgem

Hoje é 13 de maio. Para saber a minha opinião sobre a evolução de Fátima, ler aqui (ou aqui), o relato de como Fátima passou de manifestação contra a República a santuário anticomunista, e finalmente a grande superfície do consumo religioso. Em todo este processo, tem sido menosprezado o papel desempenhado por um certo sacerdote católico, de seu nome Manuel Nunes Formigão, sem dúvida o principal autor da Fátima realmente existente.

Herói

Eliot Spitzer é um herói. A carreira política dele acabou com uma vendeta do lobby dos bancos e do partido republicano. A mando dos bancos, Bush mandou o FBI investigar-lhe a vida até encontrar uma relação extra-conjugal com uma flausina que custava 10k por hora. Os jornais fizeram o resto.

Nos EUA puritanos há dois tipos de políticos: os que já foram apanhados com prostitutas (ou prostitutos, no caso dos pastores evangélicos) e os que ainda não foram.

Mas Spitzer deu uma entrevista que eu vou ouvir logo que possa e que explica a crise económica com muita simplicidade (pelos comentários que li).

terça-feira, 12 de Maio de 2009

Quando o real é surreal

Clicai aqui e contemplai uma declaração de candidatura pelo PPM ladeada pelos retratos de Lenine e Cunhal. É aproveitar enquanto dura.

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

«Carta Aberta sobre políticas de imigração»

  • «O ano de 2009, ano para o qual está prevista a realização três actos eleitorais, é um momento decisivo para o debate sobre as opções a tomar em temas cruciais como é o caso das políticas de imigração. Mais de um ano após a entrada em vigor da nova Lei de Imigração, as expectativas criadas aquando da sua aprovação não foram cumpridas e, embora a nova lei visasse tentar minorar alguns dos aspectos mais gravosos verificados na anterior, são inúmeras as situações de injustiça com as quais os/as imigrantes se deparam no seu dia-a-dia, das quais destacamos:
    O carácter excepcional e oficioso dos mecanismos de regularização, a exigência de visto de entrada e o rotundo fracasso da política de quotas têm alimentado uma bolsa de indocumentados/as, que neste momento serão de mais de meia centena de milhar;
    Os crescentes entraves colocados ao reagrupamento familiar, à renovação de documentos e os exorbitantes valores das taxas pagas pelos/as imigrantes são outros dos problemas enfrentados.

    ###

    Estas práticas e políticas em nada favorecem a inclusão dos/as imigrantes na sociedade portuguesa, contribuindo, pelo contrário, para o crescimento trabalho ilegal, para a desumanização das relações de trabalho e para acentuar as desigualdades sociais.

    É também com uma enorme preocupação que temos acompanhado as últimas evoluções a nível Europeu. A Directiva de Retorno representa um enorme retrocesso civilizacional que envergonha a Europa. Permitir que uma pessoa (incluindo crianças) possa ficar detida, até 18 meses pelo único “delito” de ter migrado, promover as expulsões, perseguir migrantes, generalizar os centros de detenção, não são passos a seguir se queremos construir uma sociedade mais justa e inclusiva. (...) Por outro lado, o Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo é o programa político que visa consolidar medidas de criminalização e de desrespeito dos direitos dos/as migrantes, com o reforço e subcontratação do controle das fronteiras, o condicionamento do acesso ao reagrupamento familiar, a dificultação do acesso a vistos e a adopção do “Cartão Azul” (um esquema de recrutamento hiper-selectivo, em função das qualificações). Por fim, o pacto proíbe a realização de processos regularização de carácter generalizado, condenando à clandestinidade os cerca de 8 milhões de indocumentados/as que vivem na Europa e resumindo as suas possibilidades a uma análise “caso a caso”. O documento, instrumento de carácter programático que visa definir as linhas de acção para o próximo ciclo político – 2010 a 2015 -, contribui para consolidar o carácter repressivo na aplicação das políticas desenvolvidas pelos estados membros e condiciona o próximo “Governo” da UE, ainda antes da realização, em Junho, das próximas eleições para o Parlamento Europeu. (...) O direito à residência - sem a qual a existência dos/as imigrantes é relegada a um limbo jurídico que só alimenta a exploração laboral e a exclusão social - é condição sine qua non para uma real inclusão dos/as imigrantes e para a coesão de toda a sociedade. Mas, no caminho rumo a uma cidadania plena, há ainda muito a percorrer. O direito de voto dos/as estrangeiros/as residentes já existe nas eleições autárquicas para os comunitários e os abrangidos pelos acordos de reciprocidade. Esta situação é manifestamente discriminatória, sendo urgente o acesso ao direito de voto pelos imigrantes residentes, em todas as eleições. Deve-se ainda prestar especial atenção à vulnerabilidade acrescida que enfrentam as mulheres migrantes, assim como à realidade de muitos jovens descendentes, os quais, continuam a sofrer os efeitos da guetização e exclusão. (...)» (Via Arrastão.)

filho da p*ta (nome masculino) popular: indivíduo considerado traiçoeiro e sem carácter

exemplificado por:

«[...] Lobo Xavier considerou, esta segunda-feira, que a correcção do défice, em previsível alta no final deste ano, só pode ser conseguida com um sistema fiscal justo, que não tenda a castigar apenas os mais ricos. [...]

Lobo Xavier chamou, à defesa de um aumento de impostos alargada, uma justiça de largo espectro para que não sejam apenas penalizados as grandes fortunas e os administradores.

«Não é perseguir os ricos porque os ricos fogem. Os trabalhadores não fogem num país com pouca mobilidade como Portugal, mas os titulares de grandes rendimentos fogem», justificou. [...]»


(TSF Online --- Hoje às 20:43)

«As crianças são propriedade dos pais»?

Há quem defenda, no contexto do debate sobre a educação sexual nas escolas, que «as crianças são propriedade dos pais». Não e não: as crianças não são propriedade de ninguém, nem dos pais, nem do Estado, nem da Segurança Social, nem da comunidade religiosa. As crianças têm direito à sua individualidade, a que não lhes cortem as pernas, não as aterrorizem e não as privem de informação, conhecimentos úteis e bem estar.

Evidentemente, os responsáveis primeiros pela educação dos miúdos são os graúdos respectivos. Mas não vem mal ao mundo, antes pelo contrário, se a escola ensinar regras de higiene, difundir informação sobre saúde e sexualidade, ou tentar transmitir um pouco de civismo. A família pode não ser suficiente, e em muitos casos não é.

Afirmar que «as crianças» são propriedade dos pais pode servir, no limite, para justificar os casamentos arranjados e as mutilações sexuais de menores, práticas infelizmente ainda correntes, inclusivamente em Portugal.

domingo, 10 de Maio de 2009

porque só "brilhamos" na desgraça?



(ver aqui a discussão completa: O Valor das Ideias)

mais cartazes e as europeias

depois do cartaz do psd, que mais parece uma linha de auxílio ao potencial suicida (embora uma converseta telefónica com a mfl me pareça mais um catalizador para cortar os pulsos do que outra coisa qualquer), e do cartaz do pcp, que parece ter sido desenhado pelo neto mais novo do jerónimo, eis que surge o nuno---muito admirado pelo ricardo alves neste blog ;-)---e esta bela obra de arte:



nuno: isto é a falar a sério ou em tom irónico? é porque, mesmo para quem não te conheça, pelo menos fica a dúvida... e o surreal é seres tu próprio a levantá-la...

brincadeiras de políticos à parte, o que me parece mais grave é que apenas o ps e o bloco aparentam dar conta que se avizinham eleições europeias e, consequentemente, têm cartazes nessas temáticas! todos os outros não parecem dar conta do mesmo, seja por não estarem minimamente interessados na europa, seja por não terem quaisquer ideias para o futuro da união. em qualquer caso é triste, não potencia o debate, e apenas favorece a abstenção. nota negativa aos três!

e já que estamos na temática europeia, lembremos algo interessante da semana passada, que também diz muito sobre o psd:


«[...] [O] Parlamento Europeu (PE) [...] acaba de decidir, numa emocionante e complexa votação em que os dois grandes grupos políticos e o Conselho Europeu foram derrotados, que as operadoras de internet ou as autoridades administrativas não poderão cortar o acesso de internet aos utilizadores sem uma prévia decisão judicial, respondendo assim positivamente às propostas de inúmeros movimentos de cidadãos utilizadores da internet.

O PE aprovou uma emenda adoptando “o princípio de que, na falta de decisão judicial prévia, não pode ser imposta qualquer restrição aos direitos e liberdades fundamentais dos utilizadores finais, previstos, designadamente, no artigo 11º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, em matéria de liberdade de expressão e de informação, salvo quando esteja em causa a segurança pública, caso em que a decisão judicial pode ser ulterior“. [...]»


(Sem Muros --- 2009-05-06)

«[...] [O]s totais e a votação dos eurodeputados portugueses:

407 votos a favor
GUE/NGL: Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Pedro Guerreiro
PPE-DE: Ribeiro e Castro
PSE: Ana Gomes, Armando França, Edite Estrela, Elisa Ferreira, Emanuel Jardim Fernandes, Francisco Assis, Jamila Madeira, Joel Hasse Ferreira, Manuel dos Santos, Paulo Casaca

57 votos contra
PPE-DE: Assunção Esteves, João de Deus Pinheiro, Vasco Graça Moura

171 abstenções
PPE-DE: Duarte Freitas, Luís Queiró, Sérgio Marques, Silva Peneda. [...]»


(Renato Soeiro --- 2009-05-06)

Vergonha

Rhode Island, o estado mais católico da Nova Inglaterra, é o único em que os LGBTs não podem casar... os católicos nunca falham: estão sempre do lado errado das discussões.

sábado, 9 de Maio de 2009

Revista de blogues (9/5/2009)

  1. «Primeiramente, não compreendo em que é que a formação religiosa pode contribuir para uma aprendizagem do multiculturalismo, a não ser o conhecimento de usos e costumes. Para tal, disciplinas como História, Filosofia, Geografia, entre outras, podem dar ao jovem aluno a formação essencial (...) Estas propostas revelam-se as falácias do costume. O que se pretende é dar formação católica disfarçada de teologia comparada, antropologia e ética. O que se pretende é dar a entender que existe uma abertura ao ensino da compreensão do sagrado enquanto fenómeno social, enquanto se evangeliza e converte.» (Fractura.net)
  2. «É com alguma tristeza que vejo, cada vez mais, a grande confusão que assola os ateus pela sua dificuldade em compreender alguns conceitos. O materialismo leva-os a encarar os Mistérios da Existência como puzzles ou palavras cruzadas. Pequenos enigmas para resolvermos. Mas não são. A nossa espiritualidade, a nossa relação com o Divino e todo o propósito da existência são Mistérios que nos transcendem e nunca estarão ao alcance da nossa compreensão. É por isso que podemos dizer, com toda a certeza, que a resposta a estes Mistérios é a fé nos Blin. (...) Os Blin em que creio, os verdadeiros, são a Liberdade de Viver o Amor. Ou o Amor pela Liberdade da Vida ou, ainda, a Vida de Amor Livre. É este conceito, claro e simples, que deve ser entendido e separado dessas superstições em que caem certas pessoas bem intencionadas mas blinologicamente ingénuas. Porque só a fé nos verdadeiros Blin dá resposta aos Mistérios da existência, e isto é inegável para quem compreende o conceito.» (Que Treta!)

Onde está a República na Praça?

Acho muito bem que se renove a Praça do Comércio. Do projecto anunciado, gosto do fim da circulação automóvel nas laterais, do seu alargamento para esplanadas, talvez até dos losangos. Não sei se gosto da plataforma circular junto ao cais das colunas, e desgosto do «corredor de pedra» anunciado e, particularmente, do desnivelamento da placa central: preferiria a Praça plana até ao rio. E, mesmo se acho bem o aumento da área de circulação pedonal, duvido que o trânsito se safe com duas faixas junto ao rio. E faltam as árvores que não tornem a Praça inóspita quatro meses por ano. E bancos.

Mas, já agora, não entendo qual a relação entre a remodelação apresentada da Praça e a celebração do centenário da implantação da República. Insiste-se na temática dos «descobrimentos», com rotas de navegação do século 16 desenhadas no chão. Onde é invocada a República na Praça renovada?

Os «descobrimentos», recorde-se, já eram história antiga quando o «Terreiro do Paço» passou a Praça do Comércio. O centro de Lisboa é geométrico, pombalino, moderno. Para quê ir lá meter os «descobrimentos»? Para quando a ruptura com a cultura política que insiste no Afonso Henriques, no Vasco da Gama e no Nun´Álvares?

sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Misogenia

O Arcebispo americano Raymond Burke diz que Obama tem uma agenda "contra a vida," em contraposição à agenda de Bush, que como se sabe era "pro-vida" embora tenham morrido milhões de pessoas durante os oito anos em que ele foi presidente devido às políticas económicas que ele defendeu e implementou (só nos EUA há agora mais de 40 milhões de pessoas sem seguro de saúde) e um milhão de inocentes tenha morrido (ele chamou-lhes 'danos colaterais') em resultado das guerras que ele começou, sem razão substantiva nenhuma.

A verdade é que os padres católicos odeiam as mulheres com a mesma paixão com que adoram os meninos de coro.

Primeiro era o divórcio, depois era a pílula, depois os preservativos e agora é o aborto e a pílula do dia seguinte. Não lhes é possível imaginar um mundo em que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens e possam escolher uma vida sexual abundante e diversificada.

No fim do dia não se sabe se o mais indignante é o marialvismo troglodita ou a hipocrisia escandalosa da ICAR.

Odiar as mulheres é, infelizmente, comum entre os humanos. Há muçulmanos que arrancam o clitoris às filhas, judeus que rapam o cabelo às mulheres, indus que matam as viúvas, ateus que matam as filhas... e os católicos não reconhecem às mulheres o direito de dizer missa, mas dizem-nos que isto é porque são a favor 'da vida' e querem uma 'cultura de vida' e choram os espermatozóides que morrem nos preservativos. Mas nós sabemos o que realmente os move.

Se 'a vida' os interessasse minimamente manifestavam-se contra o que o capitalismo selvagem faz às crianças africanas e da América Latina todos os dias.

A polícia enquanto causa de insegurança

Se realmente a polícia portuguesa causa cinco (5) mortes por ano, para uma população total de dez milhões, e a polícia dos EUA causa onze (11) mortes por ano para uma população total de 306 milhões (ver aqui), então realmente sinto-me inseguro. É que se a polícia americana matasse tanto como a nossa, teria 153 mortes por ano. E se a nossa matasse tanto como a americana, teríamos apenas uma morte causada pela polícia a cada três anos.

«Obrigatória», dizem eles

Os clericais não desistem de tentar tornar a religião obrigatória na escola pública. O argumento, agora, é que a religião seria indispensável para conhecer o «património cultural». Batatas: não é. Para conhecer o património cultural, o fundamental é conhecer a história e a língua. A cultura não é só religião, como não é só poesia, música, pintura, ideologias ou correntes estéticas.

Eu sei que o número de interessados na «Religião e Moral Católica» continua a descer. Mas não peçam ao Ministério da Educação para resolver esse vosso «problema». É mais importante aumentar o número de horas de ensino das ciências (matemática, física e biologia), melhorar os laboratórios escolares e incrementar o número de computadores. São esses os conhecimentos que fazem falta aos jovens portugueses (conjuntamente com a língua materna e o inglês). O resto são escolhas e civismo.

quinta-feira, 7 de Maio de 2009

A ICAR conspira contra Ortega...

...e, a julgar pelas notícias, vai-se divertindo e surripiando dinheiro da caixa das esmolas para festanças e comezainas. Um padre informa: "Me dijo que en Semana Santa estuvieron en una discoteca privada 25 personas, de las cuales 18 eran sacerdotes, uno de ellos era él mismo [Gregorio Raya]. Me agregó que la mayoría tienen mujeres e hijos abiertamente"

Portanto, a Oeste nada de novo.

O crime do padre Alberto

A ICAR está a substituir a família real inglesa no que diz respeito a escândalos sexuais e histórias canalhas e de faca na liga. Agora foi um padre católico da Florida, muito conhecido e com programas na telefonia foi fotografado com a namorada.

quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Henri Peña-Ruiz: «La Laïcité, un idéal d´émancipation universel»

Mais um excelente texto de Henri Peña-Ruiz, filósofo de referência sobre a laicidade:
  • «Faite pour tout le peuple, la république laïque libère le droit de ce qui divise les hommes. Ni religions reconnues, ni athéisme consacré. Ni credo imposé, ni credo interdit non plus. Une même loi vaut pour tous. À la liberté de conscience se conjugue la pleine égalité de celui qui croit au ciel et de celui qui n’y croit pas, comme des divers croyants. La complicité tendue de Dieu et de César laisse la place à l’affranchissement réciproque de Dieu et de Marianne.
    Les choix qui règlent la vie personnelle sont d’autant plus libres que la laïcité radicalise le respect de la sphère privée en émancipant le droit de tout privilège accordé à un modèle d’accomplissement. Le droit ainsi promu pose comme règles communes des principes d’émancipation : liberté de conviction et d’éthique de vie, égalité de principe de tous les êtres humains, égalité des sexes, égalité de droits sans distinction d’origine ou de conviction. Quant aux conditions positives d’une telle liberté, l’Etat laïque les assure pour tous s’il joue pleinement son rôle par la promotion de l’instruction publique et de la justice sociale. Contrairement aux particularismes exclusifs, la laïcité permet de concilier la diversité des croyances et des patrimoines culturels avec l’égalité des droits. Ainsi, le bien commun échappe à la guerre des dieux. Et l’ouverture à l’universel est préservée par l’espace civique, pour le plus grand bien de la richesse culturelle des peuples, appelée à se manifester dans la liberté et non enrôlée dans des volontés très politiques de mise en tutelle. (...)» (UFAL)

Ilibado

O racismo, bem como outro preconceitos irracionais, é um poderoso inimigo da justiça.

É esse o tema desta sátira do The Onion:

segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Os terroristas confessam-se

Incomodados pelo «plágio»(sic) que «alguém» fez da sua benemérita e pacífica organização (responsável, aparentemente, por cinco mortes), os fundadores da FLAMA saem da clandestinidade e demarcam-se do pendurar de bandeiras separatistas do passado dia 25 de Abril, pelas quais responsabilizam Alberto João Jardim. Interessante.

domingo, 3 de Maio de 2009

contrastando cartazes 2: descubra as diferenças!




versus


Este blogue é desalinhado

No dia 27 de Abril, um anónimo disse-nos isto numa caixa de comentários:
  • «(...) esta concepção de republicanismo que suporta sistematicamente o bloco de esquerda» (ver aqui);
Hoje (3 de Maio), outro anónimo (ou o mesmo?) disse-nos isto:
  • «(...) o melhor é dizerem que isto é um blog pró PS» (ver aqui).
Anh? É obra ou não? Ricardo S, Filipe, João Vasco, desenrasquem-se! Se nas próximas 24 horas formos acusados de ser apoiantes do PCP, esta será a semana perfeita! Ao trabalho!

Os republicanos e as crianças

As pessoas costumam-se arrepiar (e com toda a razão) quando vêem os republicanos destruirem o ambiente e o planeta, onde as crianças de hoje vão ter de viver, por dinheiro.

Mas há uma faceta no partido republicano poucas vezes comentada, que é a sequência infindável de escândalos relacionados com pedofilia entre membros do partido, geralmente os mais conservadores. Hoje encontrei um website inacreditável sobre este assunto.

100 dias sem Bush

Aqui os jornalistas andam todos a fazer programas sobre os primeiros 100 dias de Obama na presidência, mas um escreveu um texto delicioso - já não sei aonde - sobre os primeiros 100 dias sem aquele anormal.

Já quase ninguém se lembra, mas em 2003 um orgão qualquer do governo encomendou um estudo sobre o conservadorismo... e as conclusões foram deliciosas. O Guardian, em Agosto de 2003: "A study funded by the US government has concluded that conservatism can be explained psychologically as a set of neuroses rooted in "fear and aggression, dogmatism and the intolerance of ambiguity."

o DN versus a TVI ou o Público; ou como os media largaram a informação objectiva e passaram a fazer oposição

volta, oposição política, estás perdoada...

«[...] O escritório de advogados inglês Decherts 'ilibou' Charles Smith de qualquer ligação a actos de corrupção praticados em Portugal para o licenciamento do Freeport. Os advogados visionaram o vídeo (divulgado na passada sexta-feira pela TVI) feito por Alan Perkins, ex-administrador do Freeport, fizeram cruzamentos de transferências de dinheiro e ouviram testemunhas. A conclusão foi de que, quando muito, Charles Smith estaria a tentar 'sacar' mais dinheiro do Freeport pela consultadoria prestada, inventando a história dos subornos. [...]

Alan Perkins gravou o vídeo em Março de 2006, mas só o apresentou à administração em Janeiro de 2007, numa altura em que estava a negociar a sua saída da empresa [...]

A Decherts analisou todas as transferências de dinheiro de Inglaterra para Portugal. Em Alcochete, uma técnica de contabilidade fez o mesmo. Não foi encontrado nada de anormal que pudesse sustentar as palavras de Charles Smith quanto a pagamentos de subornos a José Sócrates. [...]»


(DN --- 22 Abril 2009)

«[...] A aprovação do Freeport de Alcochete não passava só por questões técnico-ambientais, mas também por "lóbi político". A conclusão é dos advogados da Decherts, sociedade inglesa que investigou todos as alegações de Charles Smtih no DVD em que refere José Sócrates. [...]

Dattani sugeriu a Sean Collidge uma lista de pessoas para a embaixadora Glynne Evans contactar, no sentido de "aplicar maior pressão sobre a comissão". Refere-se à comissão de estudo de impacte ambiental que estava a analisar o projecto. [...]

Noutra nota citada pelos advogados, Dattani [...] refere que "o pagamento não teria sido de utilidade e a decisão não teria sido revertida". "O ministro do Ambiente é considerado com um dos pilares do Governo PS e a essência de integridade", acrescentou. No memorando, aconselha a que se percebam as razões técnicas do chumbo e revertê-las. [...]»


(DN --- 01 Maio 2009)

sábado, 2 de Maio de 2009

Estupidez criminosa

Sócrates, Brown e Zapatero vão apoiar a continuação da extrema-direita ao leme da União Europeia.

Amor cristão

Isto é uma ironia um bocado básica, mas não deixa de ser divertido: 54% dos cristãos praticantes acham a tortura justificável, contra 42% dos que nunca ou raramente vão à missa.

sexta-feira, 1 de Maio de 2009