sábado, 9 de maio de 2009

Onde está a República na Praça?

Acho muito bem que se renove a Praça do Comércio. Do projecto anunciado, gosto do fim da circulação automóvel nas laterais, do seu alargamento para esplanadas, talvez até dos losangos. Não sei se gosto da plataforma circular junto ao cais das colunas, e desgosto do «corredor de pedra» anunciado e, particularmente, do desnivelamento da placa central: preferiria a Praça plana até ao rio. E, mesmo se acho bem o aumento da área de circulação pedonal, duvido que o trânsito se safe com duas faixas junto ao rio. E faltam as árvores que não tornem a Praça inóspita quatro meses por ano. E bancos.

Mas, já agora, não entendo qual a relação entre a remodelação apresentada da Praça e a celebração do centenário da implantação da República. Insiste-se na temática dos «descobrimentos», com rotas de navegação do século 16 desenhadas no chão. Onde é invocada a República na Praça renovada?

Os «descobrimentos», recorde-se, já eram história antiga quando o «Terreiro do Paço» passou a Praça do Comércio. O centro de Lisboa é geométrico, pombalino, moderno. Para quê ir lá meter os «descobrimentos»? Para quando a ruptura com a cultura política que insiste no Afonso Henriques, no Vasco da Gama e no Nun´Álvares?