quinta-feira, 10 de abril de 2008

Carreira política

  1. Aos 18: tirar um curso qualquer numa universidade, de preferência privada porque dá menos trabalho. Escolher a JS ou a JSD. Deixar a AE para os radicais.
  2. Antes dos 30: ganhar a eleição para a concelhia. Permite escolher os autarcas e influenciar a escolha de deputados.
  3. Depois dos 30: ser deputado. Nem que seja na terceira fila, o essencial é aparecer na televisão.
  4. Aos 40: passar pelo governo local ou nacional. Não importa muito o que se faz, é mais quem se conhece.
  5. Por volta dos 50: retirar-se para uma empresa privada. Ficar a olhar de alto, de preferência num canal de televisão ou numa coluna de jornal.

Ascensão social

  • «“Metade das empresas do PSI-20 tem ex-governantes nos seus órgãos sociais”, denunciou hoje Bernardino Soares, líder da bancada do PCP. Sem nunca referir nomes – à excepção de Jorge Coelho – o dirigente comunista deu outros exemplos de ex-ministros de Obras Públicas que ingressaram em grandes empresas, como Ferreira do Amaral (PSD), na Lusoponte, António Mexia (PSD) na Galp e depois na EDP.
    Bernardino Soares referiu também muitos casos na banca: um ex-ministro PSD (Fernando Nogueira), um ex-secretário de Estado da presidência (Paulo Teixeira Pinto, PSD) e um ex-ministro-adjunto (Armando Vara, PS) no BCP. O Banco Santander recrutou uma ex-ministra das Finanças (Manuela Ferreira Leite, PSD) e um ministro da Presidência (António Vitorino, PS). Foram também referidos "vários ministros e secretários de Estado" que foram para o Banco Espírito Santo, Banco Português de Negócios ou Banco Privado Português.
    Noutras áreas, o líder da bancada do PCP referiu ainda um secretário de Estado da Saúde (José Lopes Martins, PSD) para a administração do Hospital Amadora-Sintra cujo contrato negociou, um ex-ministro do Desporto e da Administração Interna (Fernando Gomes, PS) na Galp, e um ex-ministro das Finanças (Pina Moura, PS) na Iberdrola e na Prisa.
    Nem mesmo a Assembleia da República escapou ao rol: "Até temos um deputado, porta-voz de um partido, e logo o mais representado que é provedor das empresas de trabalho temporário e defende, claro está com toda a independência que a legislação laboral devia ser mais liberalizada", prosseguiu Bernardino Soares, referindo-se ao dirigente socialista Vitalino Canas.» (Público)
Na esmagadora maioria dos casos, estes ex-políticos tornaram-se administradores de empresas ou banqueiros depois de serem governantes. Ou melhor: por terem sido governantes. Até pode não ser ilegal, mas o que fica para o cidadão comum é uma impressão muito desagradável.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

«Nacionalista» confessa querer formar organização paramilitar fascista

  • «Mário Machado apelou hoje à compra legal de armas pelos "nacionalistas" dado que estes serão "o último baluarte" numa iminente "guerra racial e civil" em Portugal, como a que se assistiu em Paris. As declarações foram feitas em pleno Tribunal de Monsanto (...)» (Esquerda.net)
Ou melhor, a organização já está formada. E a PJ já encontrou as armas.

A Constituição da República afirma no seu artigo 46º:
  • «Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista.» (CRP)
Parece-me claro.

Continua o esbulho Lusoponte

  • «O Estado deverá ser confrontado com um pedido de indemnização de pelo menos 30 a 35 milhões de euros por ano da Lusoponte pela entrega a terceiros, via concurso público, da componente rodoviária da ponte Chelas/Barreiro.» (Diário de Notícias)

Parece que a travessia do Tejo não é da nação, via Estado. Foi privatizada. Há uns senhores chamados Lusoponte que são os verdadeiros donos do Tejo, pelo menos no que toca aos rendimentos económicos de atravessá-lo de carro.

Alguém sabe como se acaba com isto?

terça-feira, 8 de abril de 2008

As propinas que paguem o ensino superior

  • «As famílias e os próprios estudantes (aqueles que trabalham) do Ensino Superior têm amortecido a quebra do montante de investimento público por discente, que se cifrou em menos 12%, quando se comparam os montantes de 1995 e 2004. O investimento privado (famílias) passou de 3,5% para 14% no mesmo espaço de tempo. O desvanecimento financeiro do Estado é quase integralmente compensado pela contribuição das famílias.» (Jornal de Notícias, via Zero de Conduta)
«Progressivamente», poder-se-á caminhar para o investimento zero do Estado no ensino superior. As propinas (ou seja, as famílias) que paguem o ensino superior. Afinal, a formação e a ciência são luxos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Escolas: da municipalização à escola-empresa?

Infelizmente, a actual crise na escola pública tem sido pouco comentada e analisada fora do âmbito dos movimentos e blogues de professores. No blogue O Reino da Macacada, encontra-se um artigo interessante sobre as possíveis consequências da municipalização em curso da escola pública (já criticada aqui):
  • «A primeira das formas a avançar será a municipalização do sistema, já prevista para 2008/2009. Depressa (se é que já não têm consciência disso) as Câmaras Municipais vão chegar à conclusão que não têm vocação, capacidade, meios técnicos e humanos para gerir com eficiência toda a enorme massa estrutural que lhes vai cair nos braços, com os seus problemas muito específicos e exi­gências muito próprias.
    Daí a passarem a tarefa para “empresas especializadas” transferindo-lhes na totalidade (ou quase) as competências que o governo lhes delegará será um pequeno passo. E, também num futuro não muito distante vamos ver os pro­gramas curriculares (com excepção dos programas estruturantes de língua materna, matemática e língua estrangeira – inglês) serem decididos pelos gru­pos de cidadãos com interesses religiosos ou económicos ou outros. Natural­mente, nenhuma dessas empresas funcionará por “amor à causa” ou por cari­dade. O seu objectivo será a produção de mais valias – o lucro!
    (...) Os prejudicados serão, em larga medida, os menos favorecidos. A excelência ficará reservada para as elites.» («A agenda oculta da educação»)

Caroline Fourest sobre o filme de Wilders

Ainda sobre o filme de Geert Wilders (ver aqui a minha opinião), a opinião de Caroline Fourest:
  • «Vers la 10ème minute, Wilders fait le lien entre ces images de haine et le nombre grandissant de musulmans aux Pays-Bas, pour finir par dénoncer l’« islamisation ». Son film ne vise donc ni l’islamisme ni même l’Islam en tant qu’idéologie religieuse, mais le fait qu’il y a trop de musulmans en Europe. C’est un message xénophobe. En cela, le film de Wilders est très différent de Soumission, écrit par Ayaan Hirsi Ali et réalisé par Théo Van Gogh, qui s’attaquait aux versets sexistes du Coran de façon féministe et anti-religieuse. C’est un message opposé à celui de Charlie Hebdo, relaxé de l’accusation d’incitation à la haine, puisque notre traitement de l’affaire des caricatures de Mahomet visait clairement les intégristes, et non les musulmans.» (Respublica)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O terrorismo kosovar lava mais branco

  • «Ramush Haradinaj, ex-primeiro-ministro do Kosovo e antigo comandante da guerrilha albanesa, foi hoje ilibado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Jugoslávia, onde estava acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade por perseguição e homicídio de civis sérvios. (...) O próprio colectivo admitiu que o resultado do julgamento possa ter sido influenciado pela recusa de várias testemunhas em prestar declarações ao tribunal. Intimadas pelos juízes, algumas testemunhas acabariam por deslocar-se a Haia, mas admitiam que tinham sido avisadas para não falarem. “O tribunal ficou com a forte impressão de que o julgamento decorreu numa atmosfera em que as testemunhas não se sentiam seguras”, afirmou o juiz presidente.» (Público)
Não há dúvidas. Os kosovares são os únicos muçulmanos do mundo que podem recorrer ao terrorismo impunemente. Porque será?