sexta-feira, 25 de abril de 2008

Religião

Eu escrevi aqui em baixo que acredito que as pessoas não precisam de religião para se matarem umas às outras e que a religião é só um meio, um pretexto, uma ideologia à volta da qual os sociopatas se podem juntar para planearem e executarem os genocidiozinhos que tanto almejam.

Mas justamente por isso a ausência de religião organizada é um factor de paz social indiscutível. Desde que a religião na Europa se tornou numa coisa pessoal, misturada com elementos “new age” como as medicinas alternativas, a astrologia e as religiões orientais, arregimentar as massas contra as minorias tornou-se quase impossível para os populistas.

Como dizia Bertrand Russel, é muito difícil organizar um grupo de pessoas bem informadas em volta de um líder, sobretudo se esse líder se prepara para invadir um país ou apoiar uma guerra em que os filhos delas poderão morrer.

Hoje em dia, com as igrejas vazias e os cultos aeróbicos a proliferarem, o poder do papa ou o da rainha de Inglaterra residem nas relações deles com as elites económicas, através do Opus Dei ou da casa dos lordes... em Inglaterra apenas 1.5% da população se declara membro da igreja anglicana.

Nos EUA encarnados (a América rural) os criminosos e os aldrabões da Moral Majority ainda têm uma influência enorme nas pessoas e ainda conseguem juntar milhões à volta de uma ideia tão estúpida como a invasão do Iraque.

Claro que nunca se deve subestimar a estupidez nem a maldade das massas, mas eu espero que na Europa os populistas e os nacionalistas tenham de suar muito mais para nos convencerem da necessidade de uma guerra contra o Islão.

O carinho com que os sarkozis e os berlusconis tratam o (hipotético e maioritariamente inventado pelos media) ressurgimento da religião explica-se por esta razão muito simples: o fascismo é muito mais simples se houver uma máquina de propaganda organizada que o sirva. Mas será possível multiplicar Fátima e Lourdes por 100 só através da propaganda difundida pelos media? Quantas vezes é que se pode canonizar a irmã Lúcia?

Parece-me que os doutores arrojas de Bruxelas vão ter de empobrecer a classe média muito mais, destruir o ensino público completamente e reinventar a religião de estado.

Claro que isto não são tarefas impossíveis. Hitler e Estaline organizaram as máquinas de propaganda deles de raiz (a de Estaline a partir do zero), com terrorismo de estado, genocídios e investimentos tremendos de tempo e energia, e eu acredito que estas máquinas funcionam lindamente desde que não haja classes médias educadas.

Mas considerando o passado de tribalismo sanguinário dos europeus acho difícil ver os ingleses a lutarem contra os inimigos dos alemães, e os espanhóis e os italianos a apoiarem os ingleses...

4 comentários :

João Moutinho disse...

Caro Filipe Castro,

A Religião também faz falta para sermos melhores.

Filipe Castro disse...

Quer dizer: a filosofia! Concorda que não é grande coisa ser-se "melhor" por temor do Inferno. A religião em si é neutra: faz algumas pessoas melhores e outras piores. A religião organizada é uma forma de exercer poder sobre as pessoas.

Em nenhum dia do ano o "bem" faz parte da lista das 10 primeiras prioridades do papa, do Dalai Lama, do Pat Robertson, dos líderes espirituais da Arábia Saudita, ou de Israel, etc.

Ricardo Alves disse...

Tens toda a razão, Filipe. A religião organizada está em queda ao nível da afluência às igrejas, mas ao nível da influência institucional o poder das igrejas tem aumentado. É uma situação paradoxal e que tem inevitavelmente consequências a médio prazo (disfunções).

Anónimo disse...

Os senhores esquerdistas são obcecados. Só escrevem para atacar a Igreja ou para defender os homossexuais.
Na vossa ânsia de criticar, por vezes esquecem-se da tolerância que reivindicam para os vossos homossexuaiszinhos.