quinta-feira, 16 de maio de 2013

O papão da inflação

A relação que os alemães têm com a inflação é algo que só pode ser entendido como um fenómeno de histeria religiosa. Os media fazem reportagens sobre a hiper-inflação que estás quase quase quase a chegar, os bancos têm cartazes com publicidade assustando os seus clientes, promovendo os seus produtos para escapar à inflação.
No dia em que se soube que a inflação na Zona Euro e nos EUA chegou a níveis historicamente baixos, 1,2% e 1,1% respectivamente, o ministro das finanças alemão Wolfgang Schäuble vem avisar que... há demasiada moeda no mercado (leia-se,a hiper-inflação está quase quase quase a chegar por culpa dos bancos centrais).
O problema é que este fanatismo religioso não é apenas um papão que cria ansiedade aos alemães, ele tem graves consequências. Primeiro impede uma política monetária mais agressiva, exactamente quando grande parte dos países da Zona Euro está em recessão há vários trimestres consecutivamente, estando o desemprego em máximos históricos.
Segundo, porque a inflação baixa funciona como um aumento na taxa de juro (nominal) da dívida, ou seja aumenta os encargos dos endividados numa altura em que tantos esforços se fazem para controlar as dívidas. Veja-se o caso da Grécia, que tem uma taxa de inflação de -0,6%, ou seja o euro está a ganhar valor. Uma dívida a 10 anos vai sair 29% mais cara ao estado grego, do que custaria com uma inflação a 2% - estamos a falar de um custo extra gigantesco para quem já tem o país destruído.
Terceiro, e assumindo que realmente os salários da periferia têm de diminuir face aos alemães, com a inflação tão baixa são há uma maneira de reajustar os salários que é baixando-os. E isto só acontece com mais e mais desemprego.

2 comentários :

  1. só por curiosidade se a inflação está tão baixa

    porque é que os artigos de luxo e as acções e os metais estão a ser comprados acima do valor de um mercado mais ou menos são?

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  2. Seria interessante discutir as causas dessa fobia alemã à inflação.

    1) «Trauma de Weimar»?

    2) Ou será que a Alemanha está a ganhar com esta política do BCE?

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