quarta-feira, 29 de maio de 2013

A "Cinderela do empreendedorismo"

Ainda sobre o "caso Martim", vale a pena ouvir o Ricardo Araújo Pereira, que diz tudo o que eu gostaria de dizer. Via Cinco Dias, onde está transcrito.

12 comentários :

  1. Lá está: com o RAP até concordo (neste assunto).

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  2. É extraordinário, Ricardo: o que o RAP diz é o que eu digo... O "pensamento rústico-liberal" contra a "senhora doutora", discute como é que se pode ser empresário aos 16 anos...

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    1. Não, Filipe. O que tu disseste foi (praticamente) que o rapaz não podia ser empresário enquanto não soubesse o que é um sindicato e uma comissão de trabalhadores, e «moralizaste» sobre as nefastas consequências sociais de adolescentes trabalharem. O RAP não põe em causa o princípio da iniciativa individual, e desmonta o «caso» pelo lado em que vale a pena pegar: que um miúdo de outro meio social não teria acesso ao crédito inicial tão facilmente. E também concorda que é melhor o salário mínimo do que o desemprego.

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    2. Li agora o teu comentário e estou a encolher os ombros. Em vez te apontares contradições aos outros deverias reparar nas tuas.

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    3. Desculpem lá meter-me, mas ó RA, se foi isso que percebeste do discurso do FM, entäo estamos todos errados e só tu estás certo, que acho que mais ninguém tirou as mesmas ilaçöes que tu...

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    4. Ricardo, contradições entre o que eu digo e o que dizes que eu digo (onde é que digo que o desemprego é preferível ao salário mínimo?), contradições tuas ao apoiares o que diz o RAP (que eu também digo) e criticares o que eu digo... Não vale a pena esta discussão.

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    5. Esta discussão contigo, bem entendido. A discussão em si vale bem a pena.

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    6. O que o RAP diz é bem diferente daquilo que tu disseste e que eu critiquei. Não se nota na intervenção dele qualquer crítica ao facto de o negócio do Martim existir. Tu, pelo contrário, escreveste que ele deveria estar em casa. Ou que não podia ter o negócio antes de saber o que é um sindicato e uma comissão de trabalhadores.

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  3. Houve duas coisas erradas neste episódio, a primeira mais grave que a segunda:

    (1) Pôr um miúdo de 16 anos a falar ali. O "empreendedorismo" desenfreado não é solução, primeiro porque as pessoas não têm todas condições para tal, depois porque é preciso haver também pessoas que trabalham para empresas (só micro-empresas não fazem uma sociedade competitiva por motivos de escala). Mais, e como o Filipe Moura diz, o empreendedorismo por crianças de 16 anos é altamente desaconselhável como exemplo/modelo para a sociedade. Já houve aqui pelo menos dois posts sobre isso, e não tenho nada a acrescentar.

    (2) Dando eu razão em geral à Raquel Varela, fez foi um pequeno e relativamente inocente deslize (antagonizar o puto em vez do princípio, sem saber nada sobre o puto e o seu negócio em particular).

    Não achando, como digo acima, que isto é um modelo decente para a sociedade, e subscrevendo as questões e reservas do Filipe Moura em relação a ele, não me parece certo culpar e atacar o miúdo por isto.

    Concordo que ele como empreendedor deve ser capaz de responder a tais perguntas (e, efectivamente, foi: ele sabe onde as roupas são feitas e quanto as pessoas lá ganham); concordo que receber o salário mínimo é bastante infeliz, e que a resposta dele é pobre, ainda que inflame as claques de empreendedores. Mas a verdade é que dificilmente um gajo que abre uma fábrica de roupa em Portugal vai pagar aos seus empregados mais que o salário mínimo; nem sequer faz sentido do ponto de vista empresarial, e de resto o miúdo provavelmente nem tem controlo sobre isso (imagino que o fabrico de roupa seja contratado). E não é por isso que a gente não deve fazer roupas e abrir empresas, portanto antagonizar o miúdo 1) não está certo, e 2) é um erro táctico no contexto de um debate, e foi cruel e desproporcionalmente castigado.

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  4. Mas é verdade que todo este debate mostra coisas muito feias sobre a sociedade portuguesa e a forma como muita gente pensa. A chantagem do desemprego como alternativa ao salário mínimo; o profundo desrespeito pela academia; o culto do empreendedorismo.

    A última é talvez a mais consensual, e eu acho que precisa de ser mais gozada como faz o RAP. Neste momento o mundo do empreendedorismo é quase uma seita, feita de buzzwords e frases vazias de conteúdo, desligada da realidade, com uma retórica arrogante que deifica estes tais de "empreendedores" e é, por omissão ou explicitamente, condescendente ou mesmo insultuosa para os trabalhadores por conta doutrem. Organizam-se workshops com nomes que são trocadilhos em inglês e onde um bando de miúdos com excesso de ego e essencialmente desempregados vão gabar-se a si mesmo e uns aos outros, reforçar o egos a si mesmos e uns aos outros, repetindo entre si aquilo que já todos pensam como forma de auto e hetero-validação. Provoca-me um sincero repúdio...

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