quarta-feira, 22 de maio de 2013

"Bater o punho" 2

O assunto do dia tem sido o "Prós e Contras" de segunda feira, nomeadamente a parte resumida no vídeo acima: a interpelação do "empreendedor" de 16 anos (!) por parte da Raquel Varela. O que mais me espanta é haver, à esquerda, quem não se aperceba de que um empresário responsável tem necessariamente que saber responder às questões que a Raquel colocou. Saberá o empreendedor Martim o que é um sindicato? Se fosse confrontado com uma comissão de trabalhadores, saberia o que responder? Não faz mal nenhum o "menino" ter uma noção das consequências do seu "empreendedorismo", algo que pelos vistos ele não tem. Eu não sou contra o empreendedorismo, mas os empreendedores (ou empresários, como lhes queiram chamar) têm uma responsabilidade social. Enquanto não estiverem conscientes dela, não devem exercer essa atividade. Por essa ordem de ideias, o menino de 16 anos já pode votar? Comprar álcool? Conduzir um carro? Pelos vistos os meninos de 16 anos não servem se se tratar de discutir as relações laborais do país, mas servem para "arregaçar as mangas" e acabar com a crise. Nada disto parece importar para o Sérgio Lavos e o Daniel Oliveira.
Já à direita surge a acusação habitual de que a esquerda supostamente defende que mais vale estar desempregado do que ser mal pago (neste caso receber o salário mínimo). Eu defendo que mais vale um trabalho do que estar desempregado, dentro de certas circunstâncias. Uma delas é que obviamente esse trabalho não seja uma exploração. Seguramente a generalização de uma política de salários baixos e desproteção social não é para mim aceitável. Se se prescindir do salário mínimo, como pretende a direita, a favor da "empregabilidade", é meio caminho andado para o regresso à escravatura. Neste assunto, de facto, existe todo um abismo moral. E - mantenho - um empresário tem de saber discutir isto. Senão, que volte para a escola, que é onde um jovem de 16 anos deve estar com a escolaridade obrigatória até ao 12º. Ainda sou do tempo em que a esquerda era contra o trabalho infantil.