quarta-feira, 15 de maio de 2013

O embuste da ligação Porto-Vigo


Imagem JN


A atual ligação ferroviária Porto-Vigo possibilita uma viagem com duração de 3h30min. Há várias razões para uma viagem tão demorada: um número talvez excessivo de paragens e composições muito antigas. Estas razões foram por mim abordadas há dois anos, quando o atual governo entrou em funções e se falou no cancelamento da ligação. Mas a principal razão parece ser a linha, que não é eletrificada na maior parte do trajeto (a partir de Nine), só podendo ser percorrida por comboios necessariamente lentos.
Uma vez abandonado o projeto de alta-velocidade Porto-Vigo, a única alternativa razoável seria investir na infraestrutura existente, eletrificando-a a norte de Nine. Consta que existe financiamento comunitário para esta obra. Esta intervenção deveria ser complementada com uma ligação ferroviária entre as cidades de Barcelos, Braga e Guimarães. Tal linha permitia uma ligação direta entre as cidades minhotas (que não existe) e uma melhor potenciação da linha, trazendo mais passageiros de todo o Minho, havendo ligações que o permitissem. Existe um volume diário de deslocações entre estas cidades (principalmente entre Braga e Guimarães) que justifica e tornaria viável esta linha.
Novidades neste sentido, sim, seriam de saudar. O que foi anunciado esta semana, na sequência da cimeira ibérica, não tem nada a ver com isto. A única razão para a viagem Porto-Vigo se tornar mais rápida vai ser... o cancelamento das paragens intermédias. O facto de passar a ser só um maquinista resulta necessariamente de não haver paragens na fronteira - mas não era isso que fazia perder muito tempo. A este respeito, a novidade de haver bilhetes pré comprados não é novidade nenhuma: sempre houve esses bilhetes no trajeto Porto-Vigo; não havia era para as paragens intermédias (tinham que ser comprados dentro do comboio), que agora vão ser totalmente suprimidas.
O comboio talvez pudesse ter menos paragens, mas nunca uma supressão total. Nenhum comboio se destina somente às cidades de início e fim de marcha: pelo meio há sempre outras cidades que devem ser servidas. Neste caso as mais importantes são Braga, a maior cidade entre Porto e Vigo, desde que a ligação que referi fosse construída (enquanto não o for, deveria parar em Nine), mas também Viana do Castelo e eventualmente Barcelos e Valença. No caso particular de Viana, com a infraestrutura existente o comboio vai lá passar de qualquer maneira. Vai ser muito difícil explicar aos vianenses por que lá não pára.
Esta nova ligação seria comparável a uma ligação Porto-Lisboa feita num comboio regional (e não num intercidades ou alfa pendular) que, em contrapartida, não efetuasse nenhuma paragem - nem em Aveiro ou Coimbra! Alguém acharia uma solução deste tipo brilhante? Ou, sequer, razoável?
Uma solução deste tipo melhora a ligação, sim, mas somente para o Porto (e para Vigo). Ignora totalmente o resto do norte do país, nomeadamente todo o Minho. Foi anunciada nas primeiras páginas dos jornais (a reste respeito é para mim um mistério que um jornal que se intitula "Diário do Minho" a anuncie na primeira página como se fosse uma boa notícia para a região). Não vejo motivo nenhum de júbilo.

1 comentário :

  1. Porque é que mencionam Barroselas nesse mapa, e näo Barcelos?
    Por mero acaso, das vezes em que apanhei esse comboio para Vigo entrei mesmo em Barroselas...
    será que com täo poucos viajantes a pagar do Porto a Valença (só vendem bilhetes nas estaçöes, Barroselas tem uma, e o cobrador näo aparece até Tui), esse singelo bilhete fazia o prato pender para mais tráfego entrado aí que em Barcelos???

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