Mas há mais explicações a dar e não só da parte de Paulo Portas.
Também o ministro Jaime Silva, o ministro da Defesa Nuno Severiano Teixeira e o próprio Procurador Geral da República deveriam explicar-nos se em Portugal há afinal cidadãos de primeira e de segunda e por que motivo um qualquer cidadão, por exemplo um qualquer sujeito de nome Paulo de Sacadura Cabral Portas pode tirar fotocópias a milhares de documentos classificados do ministério da Defesa e levá-los para casa, quando tal direito não seria nunca concedido a qualquer outra pessoa.
E Paulo Portas, Telmo Correia e Santana Lopes têm ainda muito mais que explicar.
Enquanto o país galhofa distraído sobre o gosto e a origem dos projectos arquitectónicos e de engenharia feitos (ou assinados) pelo Primeiro-ministro há mais de vinte anos, finalmente a pressão mediática levou a Procuradoria Geral da República a acordar da sua letargia e a abrir um Inquérito por suspeitas de favorecimento à «Estoril–Sol».
E os factos concretos são tão simplesmente estes:
Por força da alteração do artigo 27º da Lei do Jogo, com uma redacção despudoradamente encomendada e sugerida ao Governo de Santana Lopes pela própria «Estoril–Sol», o edifício de propriedade originariamente estatal onde agora funciona o «Casino de Lisboa», não reverterá para o Estado no final da concessão, tal como teria de suceder antes da alteração da lei.
Num complexo jogo de interesses ilustrado por escutas telefónicas curiosíssimas, o que é facto é que Paulo Portas, Telmo Correia e Santana Lopes levaram a cabo uma alteração à lei através de uma redacção encomendada por quem dela veio beneficiar.
E com esta simples apostilha «Visto. Tomei Conhecimento. Dê-se conhecimento ao requerente» feita por Telmo Correia, com um chico-espertismo bacoco de quem pensa que encaminha os acontecimentos num determinado sentido, mas que «se a coisa der para o torto» não sai comprometido, o que é facto é que uma empresa privada acabou por abarbatar ao Estado português um edifício de propriedade originariamente estatal que vale quase vinte milhões de euros. [...]»
(Luis Grave Rodrigues no Random Precision)



