terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A direita alemã está a ganhar-lhe o gostinho

Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Guido Westerwelle:
"Os  responsáveis políticos em Roma sabem que a Itália continua a precisar de uma política sólidade de reformas e consolidação."
"Estamos por isso a contar com a continuação de uma política consequente de consolidação fiscal e de reformas por parte do novo governo"
Título da notícia: "Westerwelle exige continuação das reformas por parte da Itália".

Ministro da Economia Philipp Rösler:
"Não há alternativa ao percurso de reformas estruturais anteriormente decidido".
A Reuters diz que ele ficou triste com o resultado do resultado.


Líder parlamentar da CDU (principal partido do governo) Michael Grosse-Brömer:
"O caminho de reformas seguido por Monti tem de ser continuado de maneira consequente."


Sou só eu, ou isto são interferências demasiado óbvias e exigentes na política interna de um Estado soberano? No caso das interferências em Portugal, Grécia, Irlanda ou Chipre ainda há quem argumente que se tratam de países intervencionados. Não é o caso. São dois parceiros em pé de igualdade dentro da UE.
Alguém imagina igual tomada de posição de políticos italianos na política interna alemã?

Bem-vindo às Coisas Aqui em Baixo


A sua rentrée mediática foi animada, mas foi à Francisco. Quem conhece as reflexões do Francisco José Viegas sabe bem o que pensa sobre o NIF, o Cartão de Cidadão, os códigos de barras, etc. Apesar de discordar diametralmente do Francisco nessas questões - prefiro cartões e números de identificação aos arames farpados, às fechaduras e aos pastores alemães, os seus substitutos nos ditos países liberais - achei aquele "tomar no cu" uma maravilhosa sodomização, mais do que ao fisco, aos moralistas profissionais do nosso rectângulo (reparem que foi quem se queixou...).

Quanto à passagem do Francisco pelo governo achei-a estratosférica. Não vou fazer aqui uma análise do seu trabalho no sub-ministério da cultura, porque a minha indignação é maior (e faço questão que a saiba) pelo simples facto de ter integrado um governo liderado por um jotinhas de carreira cujos méritos profissionais e académicos são tão fracos como dúbios. Quem lê o tom das crónicas do Francisco sobre a educação e a escola não consegue encaixar essas reflexões com a tolerância ao chico-espertismo instalado neste governo (e nem estou a pensar em Relvas...). 

Mas o mais importante agora é que a guerra contra aquelas coisas más foi ganha (aqui em casa também já contamos uma vitória). Fazia falta a voz de um dos nossos melhores portistas e do único homem ao qual alguma vez ofereci uma Kona

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Este já não vai ao conclave

O cardeal Keith O'Brien, principal figura da ICAR do Reino Unido, demitiu-se. Alegadamente, terá tido «comportamentos desapropriados» com membros do clero de sexo masculino. Um voto conservador a menos na eleição do próximo Papa.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

E ainda há quem culpe o tamanho da dívida pública

Portugal, final de 2010
A dívida pública atingia os 93,5% do PIB.Este crescia a 1,9%.
Algumas semanas depois o país pedia assistência financeira.

Reino Unido, final de 2012
A dívida pública atinge os 95,4% do PIB. Este está estagnado.
Algumas semanas depois, uma (e apenas uma) das três grandes agências de notação baixa a sua nota de AAA (o máximo) para Aa1.

Todos os dias ainda ouvimos paralelismos entre esta intervenção externa e outras duas há 3 décadas atrás, culpabilizações do despesismo do Estado e a necessidade de o reduzir. Deficiências estruturais do €uro, não será certamente.
A fé de um católico fervoroso dificilmente teria tanta força.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

«Gudu-dádá» é diferente de «Gudu-dédé» e os dinossauros já não se extinguem?

A limitação dos mandatos (particularmente, para cargos executivos eleitos) sempre me pareceu um princípio republicano fundamental. A repetição perpétua de mandatos tem efeitos perversos, principalmente ao nível local, onde é mais fácil criar clientelas e impedir o escrutínio crítico. Portanto, depositava grandes esperanças em que a lei de limitação dos mandatos dos presidentes de Câmaras Municipais permitisse a rotatividade democrática.

Infelizmente, soube-se hoje que o senhor presidente da República portuguesa «descobriu» uma «gralha»: a interdição na letra da lei incidirá sobre os «presidentes DA Câmara» e não sobre os «presidentes DE Câmara», o que ajuda quem defende que a lei se refere ao território e não à função. E portanto, por uma vogal apenas estarão salvos da extinção muitos dinossauros.

Ignoro se a questão jurídica fica assim arrumada. De qualquer modo, andam a gozar connosco: um dos melhoramentos de que esta República necessita urgentemente é a limitação de mandatos. A lei deveria ser impecavelmente eficaz.

Sobre a polémica do «desrespeito» a Relvas, apraz-me dizer o seguinte

No estertor do cavaquismo, houve dirigentes do PS envolvidos nas operações do «bloqueio da ponte» - que tinham as mesmas características de «desobediência civil» (pacífica) que tem a presente fase dos protestos contra o governo. Aliás, passar na ponte 25 de Abril sem pagar era (e é) uma ilegalidade, e os actuais protestos (já conhecidos como «grandoladas») não envolveram (até agora e que eu saiba...) nenhuma ilegalidade.

Portanto, «grandolemos»...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Porque saio à rua no dia 2 de Março



Os efeitos das políticas que têm vindo a ser seguidas são conhecidos: o número de suicídios aumentou nos últimos dois anos* em mais de uma centena; o desemprego, agora de 16,9%, voltou a ultrapassar o máximo histórico; a mortalidade infantil aumentou 24%; 65 mil jovens abandonaram o país no último ano tantas vezes forçados pela falta de oportunidades; o número de falências aumentou 62%; nunca o crédito malparado das famílias foi tão elevado; a fome tem aumentado, e tem atingido também a classe média, em particular as crianças. E muito mais poderia ser dito.

Longe de terem sido sufragadas, estas políticas acontecem ao arrepio daquilo que foi uma campanha eleitoral em que os partidos vencedores se bateram contra os «sacrifícios» impostos aos portugueses, alegando intenções de fazer o contrário daquilo que hoje praticam. Fizeram pouco da Democracia, desrespeitaram impunemente o eleitorado.

Estas políticas também constituem ataque permanente (e irreversível), não só contra a Constituição, mas contra as conquistas mais importantes da Revolução dos Cravos. Perfilham um regime onde os direitos fundamentais são subalternizados a uma visão autoritarista do poder político, como se tem verificado na forma como são ameaçados e agredidos jornalistas, perseguidos os movimentos sociais recorrendo a detenções ilegais, acusações infundadas, práticas intimidatórias, vexatórias, recusa ilegal de assistência de advogado, e de muitas outras formas.

Estes ataques à Liberdade acontecem num clima de corrupção, despesismo, nepotismo.
Entre quem pratica estas políticas criminosas e quem as aceita passivamente, existe uma cumplicidade que destrói o país, destrói as nossas vidas, e contribui para um mundo pior.

Dia 2 de Março é uma oportunidade para mostrar que não queremos fazer parte deste silêncio cúmplice. Vou aproveitá-la.


O caso do bispo Azevedo

Comecemos pela reacção institucional, da «Comissão Episcopal Portuguesa», que merece ser reproduzida na íntegra. É assinada por Manuel Morujão (jesuíta). Fica ao cuidado do leitor concluir se é um desmentido ou uma confirmação.
Passemos à reacção do bispo Januário Ferreira (tido por «progressista»).
E, já agora, o sucessor de Azevedo enquanto «bispo auxiliar de Lisboa», Nuno Brás (aparentemente «conservador»).
Ouçamos ainda a «Rede de Cuidadores».

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]